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SÃO PAULO

Paraisópolis: 2ª maior comunidade de São Paulo, aonde falta assistência e sobra repressão

terça-feira 3 de dezembro| Edição do dia

Foto: C_Fernandes/Getty Images

As 9 mortes em repressão policial no baile da 17 chocaram o Brasil e mostram a ferida aberta da violência racista das forças repressivas do Estado, com Dória a frente. Paraisópolis, 2ª maior comunidade do Estado de São Paulo em que há quase uma década moradores carecem de assistência mínima.

A região de Paraisópolis tem mais de 100 mil habitantes, com mais de 21 mil casas sendo a segunda maior comunidade de São Paulo. Após as mortes causadas pela polícia, moradores gritam "não foi acidente, há anos os bailes sofrem com a perseguição da polícia". "Com frequência, ocorrem ações policiais de dispersão, causando correria e violência" diz relato da União de Moradores de Paraisópolis à Globo.

Segundo informações do Mapa da Desigualdade, moradores da Vila Andrade podem esperar até dois meses para conseguir uma consulta médica no SUS. Enquanto em comparação com outros bairros, esse tempo não chega a ser de um dia.
Dos 100 mil moradores 31% são de jovens entre 15 e 29 anos. Justamente os jovens que hoje sob os ataques bolsonaristas, são os que mais estão nas estatísticas de desemprego e precarização do trabalho, como Uber e Ifood. Muitos dos que pedalam até 12 horas por dia, vem de comunidades como as de Paraisópolis.
Com 42% casa chefiadas por mulheres, perfil é de que 87% viva com até 3 salários mínimos e com 21% trabalhando em comércios locais. Apenas 12 escolas públicas (estaduais e municipais), além de só 3 unidades de Assistência Médica Ambulatorial.

Como disse Marcelo Pablito, trabalhador do bandejão da USP e diretor do SINTUSP: Para o Estado racista e os capitalistas, as batidas do funk -mais uma expressão cultural nascida na periferia-, só pode existir restrito a suas boates e casas noturnas, onde podem lucrar com o ritmo. Para além desse nicho do consumo, principalmente em sua origem - nos bairros periféricos- o funk não pode ser tolerado. Por isso, que o Estado racista busca de todas as formas criminalizar o ritmo e associá-lo ao tráfico de drogas, mesmo o consumo de drogas nos bailes sendo tão natural quanto em qualquer outra festa da juventude de qualquer outra classe.

Sob o discurso linha dura e reacionário bolsonarista assistimos o recrudescimento da repressão por todo o país. Os índices de letalidade policial crescem em todos os estados. Em São Paulo, que sempre abrigou uma das polícias mais assassinas, não é diferente. Sob o comando de Doria, a PM este ano assassinou um total de 414 pessoas. Essa repressão tem como alvos preferenciais a juventude negra e periférica, como a morte de Lucas, jovem de 14 anos assassinado e Santo André, é um símbolo máximo."

Leia mais: “Não houve acidente. A morte dos 9 jovens é fruto de uma política de repressão do Estado racista"




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