Internacional

X CONFERÊNCIA DA FRAÇÃO TROTSKISTA

Para uma nova etapa de convulsões políticas e luta de classes

A segunda jornada da Conferência da Fração Trotskista - Quarta Internacional abordou a discussão sobre a situação política internacional.

sexta-feira 12 de agosto| Edição do dia

A segunda jornada da Conferência da Fração Trotskista - Quarta Internacional abordou a discussão sobre a situação política internacional a partir de um informe da companheira Claudia Cinatti da direção nacional do PTS, seguido de um rico debate dos delegados dos distintos países e uma conclusão do companheiro Emílio Albamonte.

O informe partiu de destacar que o mais dinâmico na situação internacional são os novos fenômenos políticos que estão surgindo sobre a base das condições criadas pela prolongada crie capitalista, iniciada com a Grande Recessão de 2008, que, como havia sido sinalizado o dia anterior sobre economia, não deriva de uma quebra, tampouco deu lugar a uma recuperação sólida.

Essa emergência de novos fenômenos políticos para a esquerda e para a direita se dão sobre o plano de fundo de uma forte polarização política e social, herdada das condições da crise de 2008, que tende a ser um denominador comum da situação internacional, é mais aguda nos países centrais, em particular os EUA e a União Europeia.

A crise dos partidos tradicionais que se expressa, por exemplo, na falência dos partidos social-democratas na Europa ou na profunda crise do partido republicano nos EUA e o surgimento de “populismos” de esquerda e extrema direita, como a candidatura de Trump, a emergência do “fenômeno Sanders”, ou o fortalecimento dos partidos da extrema direita europeia. O triunfo do Brexit que se colocou como manifesto à profunda a crise do projeto da União Europeia sob direção do imperialismo alemão; ou a crise do Estado Espanhol, que depois de duas eleições ainda não consegue formar governo, não são efeitos conjunturais, mas sim manifestações de que a crise capitalista desenvolveu tendências à crise orgânica em diversos países centrais ou crises orgânicas abertas em países periféricos, como Brasil e Venezuela.

Tomamos essa categoria de A. Gramsci para definir uma crise estrutural e de conjunto, que põe à revelia contradições profundas que as classes dominantes não podem resolver por seus métodos de dominação política habituais, e que abre um período de questionamento profundo e de rupturas de setores importantes das classes exploradas com os partidos tradicionais que em suas distintas variações, conservadores ou social-democratas, haviam adotado o mesmo programa neoliberal.

Isso se dá no marco da contínua decadência da liderança dos EUA, que se manifesta nas crises não resolvidas no Oriente Médio, em particular a guerra civil na Síria, que concentra as principais contradições da situação internacional. A sangrenta batalha pelo controle de Alepo é o símbolo da complexidade desse conflito que tem tomado um curso reacionário e que depende dos interesses de múltiplos atores, em particular EUA e Rússia, que, com a desculpa de “combater o terrorismo” e o Estado Islâmico, intervêm diretamente ou através de grupo locais. Se nas próximas eleições presidenciais norte-americanas Hilary Clinton é eleita, como indicam até agora as pesquisas, ela já anunciou que aprofundará a política de guerra e intervencionista do imperialismo.

A guerra civil na Síria, que é a consequência mais dramática da derrota dos processos da Primavera Árabe, tornou-se um problema de primeira ordem para os governos do mundo ocidental, como temos visto na crise de refugiados que sacudiu a União Europeia e a onda de atentados terroristas na França, Alemanha, Bélgica e Estados Unidos. Esses acontecimentos já estão reconfigurando o mapa político. Por exemplo, no caso da França são utilizados pelo governo “socialista” de Hollande para dar um giro autoritário e impor a reforma laboral depois de um forte movimento de luta. Também estão na base do fortalecimento do discurso xenófobo, anti-imigrante e racista dos partidos da extrema direita, que manipulam o medo de setores que veem ameaçadas suas condições de vida diante do ódio aos imigrantes e muçulmanos.

A intenção falida de golpe de Estado na Turquia permitiu ao presidente Recep Tayyip Erdogan lançar uma PURGA sem precedentes para liquidar toda a oposição, em particular para domesticar a minoria curda, para impor um regime mais autoritário e recompor as alianças internacionais de seu país, estratégico pela sua localização entre oriente e ocidente.

Outro elemento fundamental que se discutiu com profundidade é o significado da luta contra a reforma trabalhista da França como um sintoma de que a situação de baixo crescimento ou estacamento econômico, polarização e crise política estão criando as condições para o desenvolvimento de novos processos de luta de classes.

A discussão sobre França será tema de uma seção especial da Conferência a partir da importante intervenção no processo, que vem desenvolvendo a Courant Communiste Révolutionnaire (CCR), e onde seu diário Révolution Pemanente - parte da Rede Internacional La Izquierda Diário - tem se transformado em um dos meios de expressão do movimento.

Em síntese, a Conferência definiu que estamos em uma etapa de giros bruscos, na qual estarão na ordem do dia tanto giros bonapartistas, quanto novos processos de luta de classes e radicalização política, o que faz mais urgente que nunca a ação e intervenção dos revolucionários para influenciar decisivamente nesses novos fenômenos e dar uma saída operária progressista, ou vão se impor, como já vimos no longo século XX, as variantes mais reacionárias da burguesia.




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