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Para superar o filtro do ENEM ampliando vagas: Kroton-Anhanguera nas mãos dos estudantes!

Neste domingo (5), milhares de jovens em todo o país realizaram a primeira prova do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) que continuará no próximo fim de semana. Mesmo que todos os jovens conquistassem a nota máxima, ainda se manteria o problema do acesso e da permanência nas universidade públicas, assim o Enem mostra que segue tão excludente quanto a educação para surdos no Brasil, que foi o tema da redação.

Virgínia Guitzel

ABC Paulista | @virginiaguitzel

segunda-feira 6 de novembro| Edição do dia

Após muito nervosismo e pressão psicológica, muitos jovens conseguiram sobreviver ao primeiro dia de prova do ENEM. Ainda assim, os dados mostram que o número de inscrições este ano foi menor desde 2013, e ainda assim 30,2% dos candidatos se ausentaram da prova, o que significa que dos 6.731.344 inscritos, 2.033.590 se ausentaram nesse primeiro dia. Dos presentes, houve 3.942 eliminações, já são milhares de jovens proibidos pelo vestibular de ter acesso a uma educação pública superior.

A prova de Ciências Humanas e Linguagens, somada a redação "Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil" foi muito criticada pelo seu caráter exaustivo. Mas é apostando na desistência e baixa resistência que este vestibular quer restringir o acesso as universidade públicas, apesar deste ano a USP e outras universidades terem aceito o Exame como porta de entrada na universidade.

O vestibular como forma de acesso a universidade é a maior utopia criada pelo elitismo brasileiro. Não é uma forma de acesso, mas uma forma de restringir e impedir que se veja o verdadeiro problema na educação. O limite de vagas públicas é próprio da formação dos grandes monopólios da educação, como a Kroton, que se beneficiam como alternativa a este problema. Por isso, apenas 8 grupos capitalistas tem mais estudantes matriculados do que toda a rede pública de educação superior no país (27,8% contra 25% em 2014). Os governos petistas que alimentaram os grandes tubarões de ensino simultaneamente diminuirão os repasses e investimentos nas universidades públicas, em especial nas Federais por todo o país.

Muitos de nós fizemos a prova do ENEM justamente dentro dessas grandes universidades privadas, que inclusive nas portas queriam oferecer desconto para os jovens que não alcançarem a nota mínima para entrar nas universidades públicas. Por isso, nós da Faísca Anticapitalista e Revolucionária estamos defendendo uma campanha pela estatização da Kroton. Acreditamos que é possível e necessário que o acesso à universidades seja irrestrito, pois é um direito que deveria estar acessível a todos, acabando com o filtro social e racial que é o vestibular e agora o Enem para que poderemos todos ter direito ao ensino.

A Kroton-Anahanguera está entre os maiores monopólios da educação e lucra milhões em cima dos sonhos de milhares de jovens, sugando dinheiro público com FIES e Prouni. Se o Estado já banca o lucro multi-milionário desse monopólio, porque as vagas que ele administra não poderiam ser públicas e sem fins lucrativos, portanto de qualidade? Estatizar a Kroton para garantir o acesso a universidade, ampliando as vagas, colocando nas mãos dos estudantes, funcionários e professores, a universidade pública pode estar a serviço dos pobres e trabalhadores, do ponto de vista do acesso, mas também do conhecimento produzido.

Veja também: Porque os estudantes devem defender a estatização da Kroton-Anhanguera?




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