Política

GOVERNO BOLSONARO

Para seguir com os ataques Guedes retoma ameaça: “Não se assustem se alguém pedir o AI-5”

Tremendo de medo do retorno da luta de classes e das massivas mobilizações que tem tomado conta de vários países na América Latina, o ministro da economia Paulo Guedes confessou que o governo Bolsonaro desacelerou os ataques com medo de possíveis mobilizações também no Brasil.

segunda-feira 25 de novembro| Edição do dia

Em entrevista coletiva concedida em Washington nesta segunda feira, o ultraliberal ministro da economia Paulo Guedes, responsável pela reforma da previdência que nos fará trabalhar até morrer, afirmou que o governo Bolsonaro tem monitorado os acontecimentos nos países vizinhos e disse que não é surpresa para ninguém a possibilidade de alguém pedir o AI-5 diante de uma possível radicalização de protestos de rua no Brasil

Nas palavras do ministro: “Sejam resposáveis, pratiquem a democracia. Ou democracia é só quando o seu lado ganha? Quando o outro lado ganha com dez meses você já chama todo mundo para quebrar a rua? Que responsabilidade é essa? Não se assustem então se alguém pedir o AI-5. Já não aconteceu uma vez? Ou foi diferente? Levando o povo para a rua para quebrar tudo. Isso é estúpido, é burro, não está a altura de nossa tradição democrática.”

Guedes ainda ironizou: “É inconcebível, a democracia brasileira jamais admitiria, mesmo que a esquerda pegue as armas, invada tudo, quebre e derrube a força o Palácio do Planalto, jamais apoiaria o AI-5, isso é inconcebível. Não aceitaria isso jamais. Está satisfeita?” respondeu após pergunta de uma repórter.

A tradição democrática que Guedes invoca é a democracia dos ricos que será mantida apenas enquanto for possível atacar sem resistência, sem que haja mobilizações da classe trabalhadora, pois se houver manifestações contra estas reformas, Guedes está disposto a abandonar esta democracia e gritar pelo socorro do AI-5 como ferramenta de esmagar e afogar em sangue nossa classe. A verdade é que Guedes e Bolsonaro morrem de medo da luta de classes que está chacoalhando toda a América Latina e colocando contra a parede governos como o de Piñera no Chile, um dos aliados de Bolsonaro e herdeiro do regime sanguinário de Pinochet.

Justamente por temer essas mobilizações Guedes diz que o governo está esperando o momento certo para seguir com os ataques sem que isso possa estimular os protestos no Brasil. Guedes utiliza como desculpa para um novo AI-5 o que chamou de convocações feitas pela esquerda, feitas pelo ex-presidente Lula logo após ser solto. Segundo o ministro seria “uma insanidade” Lula pedir a presença do povo na rua e sugeriu que o projeto de lei que prevê o excludente de ilicitude também seria uma resposta as declarações do ex-presidente.

Vale ressaltar que, apesar do discurso que parece incentivar as manifestações, Lula é o maior dirigente do PT, que dirige uma das maiores centrais sindicais do país a CUT, uma burocracia que desde o golpe institucional estabeleceu uma trégua com o governo golpista e também com o governo Bolsonaro, apostando todas as suas fichas em uma saída eleitoral, fazendo de tudo para impedir que os trabalhadores e a juventude no país pudesse se organizar na luta contra os ataques e a reforma da previdência.

Temos que seguir o exemplo do que mais temem Guedes e Bolsonaro: as mobilizações contra o golpismo na Bolívia, os protestos que derrotaram o FMI e Lenin Moreno no Equador, o povo haitiano que luta a mais de seis meses contra o governo corrupto de Jovenel Moise e a intervenção imperialista em seu país, a paralisação nacional que os colombianos protagonizaram contra o governo Duque, e principalmente a luta dos trabalhadores e da juventude que se levantaram contra o regime sanguinário, herdeiro da ditadura, de Piñera no Chile.




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