REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Para polícia assassina, Congresso pode manter direito à aposentadoria

PSL, partido Bolsonaro, e Podemos, querem deixar policiais civis e federais de fora da reforma da previdência, a suposta reforma que "combate privilégios", no discurso desses próprios partidos. Por que será?

quinta-feira 11 de julho| Edição do dia

Não bastasse as violentas medidas da reforma da previdência que não combate privilégio nenhum, pelo contrário, aprofunda ainda mais as desigualdades sociais, os deputados do PSL, partido do presidente Bolsonaro, apresentou destaques à reforma que foi votada em 1º turno na Câmara ontem (10), as quais suavizam as regras para policiais federais, rodoviários federais e legislativos. Os destaques serão votados hoje (11), e este sobre a inclusão dos policiais civis e federais está entre eles.

Na proposta, policiais homens poderão se aposentar aos 53 anos de idade e policiais mulheres aos 52 anos, e para ter direito à aposentadoria os policiais precisariam pagar uma espécie de “pedágio” de 100% do tempo que resta para se aposentar. Na forma como o texto foi aprovado pela Comissão Especial, os policias, tanto homens quanto mulheres, poderão se aposentar aos 55 anos para ter o direito ao benefício previdenciário com 30 anos de contribuição e 25 anos no exercício da carreira.

O destaque, apresentado pelo Podemos e apoiado pelos deputados do PSL, se comparado ao texto da reforma, escancara o absurdo como o partido de Bolsonaro trata os trabalhadores e por outro lado como trata policiais, forçando os trabalhadores a seguir trabalhando 10 anos a mais que policiais para se aposentarem.

Bolsonaro sempre deixou claro de que lado está. Quando assassinaram o músico Evaldo dos Santos e o catador Luciano Macedo com 257 tiros, ele disse que o “Exército não matou ninguém” e que o fuzilamento de uma família negra perto da comunidade do Muquiço, zona norte do Rio, foi um “incidente”. O racismo de Bolsonaro mostra como a burguesia e os poderem tratam as forças repressoras, em contraste com os trabalhadores. Não é por menos que os deputados de seu partido propuseram de policias se aposentarem aos 55 anos enquanto os trabalhadores aos 65 anos e trabalhadoras aos 62 anos.

A bancada do PSL na Câmara tem 22 deputados de carreiras policiais, mais do que um certo nível de corporativismo e uma forma de agradar a base bolsonarista, o destaque à reforma da previdência proposto por esse deputados mostra que Bolsonaro e seus aliados atendem também aos interesses das forças repressoras do Estado para que consigam manter forte e aliado esse setor que, ao lado da polícia militar, é a ponta de lança que ataca e reprime em especial a juventude pobre e negra, em nome da propriedade privada e dos lucros dos patrões. Mais absurdo ainda que um texto que torna possível policiais se aposentarem 10 anos antes que trabalhadores é que uma proposta dessa venha ser feito num momento em que o genocídio de negros e moradores de favela tenha aumentado no primeiro semestre, com o número alarmante de quase 5 assassinatos por dia na cidade do Rio de Janeiro.

Essa proposta só escancara a face mais nojenta do PSL, seu racismo e seu ódio aos negros e trabalhadores, é um desrespeito e uma afronta a todas as famílias que já tiveram seus filhos, amigos e parentes arrancados pelo fuzil de militares e policiais e ainda assim propor que essas mesmas famílias trabalhem até morrer enquanto policiais ganhem benefícios. Essa reforma da previdência certamente não combate privilégios, ainda mais se você for negro e trabalhador. Para eles, nós temos que assistir não apenas o assassinato em massa da nossa juventude, mas também dos nossos pais, colegas, amigos e familiares... que morram sem ver a cor do dinheiro da aposentadoria.




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