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DESEMPREGO NEGROS

Para os negros o desemprego aumenta e a remuneração é menor em relação dos brancos no RS

Pesquisa do IBGE divulgada nesta terça-feira mostra o que a classe trabalhadora gaúcha já sente na pele: população negra tem menos empregos e menores salários que brancos. As estatísticas mostram ainda que a situação das mulheres negras é a mais precária.

quinta-feira 21 de novembro| Edição do dia

Dados do IBGE sobre o segundo trimestre de 2019 mostram como a crise capitalista está, como sempre foi, sendo descarregada de forma especialmente brutal nas costas da população negra. A taxa de desemprego, no Rio Grande do Sul, entre os negros é de 12,4%, enquanto entre os não negros é de 7,3%. A população negra representa apenas 18% do total de ocupados, 9% dos ocupados com ensino superior e 6% dos ocupados com ensino superior em vagas que exigem formação.

As estatísticas sobre remuneração são tão terríveis quanto as anteriores. O rendimento médio/hora entre homens negros é R$ 11,50, ao passo que entre homens não negros é R$ 17,23. Entre mulheres não negras é R$ 15,26, à medida que entre mulheres negras é R$ 10,30. A terceirização, que no Brasil tem rosto de mulher negra, se soma e coloca essas mulheres nas condições mais precárias de trabalho.

O Estado brasileiro, em um histórico que pode ser traçado até a escravidão, tem na superexploração de corpos negros a base de sua economia. O racismo estrutural persegue e mata os negros todos os dias, mantendo sua condição subjugada, com as piores condições de trabalho e vida.

Veja também: Desemprego entre os negros aumenta e é pior do que entre os brancos no governo Bolsonaro

Hoje, dia da Consciência Negra, é dia de lembrar a luta do povo negro contra a perseguição e a criminalização que sempre foram encabeçadas pelas elites escravocratas e racistas brasileiras, das quais muitos dos grandes latifundiários gaúchos descendem e herdaram suas terras. A população gaúcha que ainda comemora a "revolução" Farroupilha e entoa no hino rio-grandense, racista como sua origem, que "povo que não tem virtude acaba por ser escravo" tem muito a repensar, não apenas no dia de hoje. O movimento negro, que escreve nas paredes das cidades "povo que não tem virtude acaba por escravizar", deve retomar os debates sobre a estratégia necessária para unificar a luta negra com a da classe trabalhadora, capaz de romper com esse sistema de exploração e de racismo sanguinário.




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