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Para organizar uma forte oposição ao governo Bolsonaro na UFMG, o DCE deve construir o Conune desde a base

De 03 a 07 de julho acontecerá o 57º Congresso da União Nacional dos Estudantes (Conune). Para organizar uma forte oposição ao governo Bolsonaro na UFMG, é preciso que o DCE, gestão Sem Medo de Mudar a UFMG, construa o Conune desde a base dos estudantes e promova a mais democrática eleição de delegados, combatendo e não reproduzindo os métodos burocráticos da direção da UNE.

sexta-feira 26 de abril| Edição do dia

Em dois meses acontecerá o primeiro congresso nacional de estudantes no governo de Bolsonaro, que depois declarar que quer “uma garotada que comece a não se interessar por política", anuncia hoje um brutal ataque ideológico e econômico contra as universidades e a juventude: retirar financiamento público dos cursos de filosofia e sociologia. Esse congresso não só poderia, como deveria ser histórico, partindo da necessidade urgente de organizar em todo o país uma força real, que una os trabalhadores à juventude, às mulheres, aos negros, aos LGBTs, para barrar os ataques que não cessam - a começar pela Reforma da Previdência - e fazer com que sejam os capitalistas a pagarem pela crise.

Mas hoje, embora vejamos um fenômeno internacional de mulheres a postos contra governos de extrema direita e uma juventude que cada vez mais se interessa não só por política, mas pelas ideias do socialismo, a maior entidade de estudantes do país é dirigida pelo Levante Popular da Juventude e Kizomba (do PT), e União da Juventude Socialista (do PCdoB) - organizações que, além de seus partidos terem uma política derrotista e meramente parlamentar de apoio à Rodrigo Maia ou diretamente de apoio parcial à Reforma da Previdência, impedem que a UNE seja um instrumento de luta a ser tomado pelas mãos de cada estudante que queira vencer esse governo e sua pretensão de nos fazer trabalhar precariamente até morrer. E, infelizmente, a Oposição de Esquerda não tem usado o espaço, por mais que minoritário, que ocupa na entidade para dar batalhas junto aos estudantes e construir uma força desde a base, que seja capaz de combater essa burocracia encastelada há anos na UNE.

Na UFMG temos visto que, embora o DCE seja dirigido por correntes que compõem a Oposição de Esquerda (como Afronte/PSOL, Correnteza/UP, UJC/PCB), algumas com cargos de direção, até então a preparação do Conune tem sido feita sem reuniões públicas convocadas amplamente entre os estudantes.

Diferente disso, o DCE precisa dar um exemplo no combate às práticas que seus membros criticam na direção da UNE e organizar a mais ampla discussão na base dos estudantes assim como a mais democrática eleição de delegados, exigindo da UNE que cumpram o papel de organizar os estudantes em cada local de estudo. Isso é uma condição para que a politização que a juventude têm expressado seja convertida em organização contra os ataques do governo Bolsonaro e do governo Zema.

Existe politização e disposição, apesar da passividade: é dever das entidades transformar em força real nas universidades

A contragosto dessa extrema direita herdeira do que há de pior da velha política, que coloca as entidades estudantis sob sua mira, e, apesar da direção da UNE, que é a mesma direção das maiores centrais sindicais do país - CUT e CTB -, vemos nas universidades um setor de estudantes que participaram das ocupações em 2016 e hoje veem a necessidade de se organizar em seus Centros e Diretórios Acadêmicos, seus DCEs e alguns procuram a própria UNE.

Na UFMG não é diferente, afinal, desde a conjuntura internacional até à mineira, não faltam motivos para lutar e temas para debater. A conjuntura reacionária que vivemos e as respostas para a saída da lama que nos promete o capitalismo precisam ser amplamente discutidas pelos estudantes, o que deveria estar sendo feito pelo DCE UFMG na preparação do Conune, mas não houve ainda nenhuma reunião pública e amplamente divulgada para os estudantes participarem das decisões de como se dará o processo de discussão e eleição de delegados na UFMG.

Pouco depois de um ano do brutal assassinato de Marielle Franco, pelo qual o Estado é responsável, mas segue sem responder quem mandou matá-la, um carro de uma família negra é fuzilado pelo o exército com mais de 80 tiros no Rio de Janeiro marcado pela intervenção federal deixada pelo golpista Temer. O resultado foi a morte de Evaldo Rosa dos Santos, músico e pai de família, e do catador de materiais Luciano Macedo, que foi baleado na tentativa de socorrer a família. É preciso lutar por justiça para Marielle, cujo assassinato é uma ferida aberta do golpe institucional de 2016; é preciso combater o genocídio da população negra, que sofre diariamente nas mãos da polícia e do Estado.

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Evaldo, presente! Intervenção na UFMG

Está em curso uma ofensiva imperialista em toda a América Latina, que, graças à Lava Jato, teve alguns êxitos no Brasil com o golpe, a prisão arbitrária de Lula e a vitória de Bolsonaro via eleições manipuladas pelo judiciário. E agora o imperialismo estadunidense busca avançar com um golpe na Venezuela, pelas mãos de um fantoche de Donald Trump, o autoproclamado presidente Juan Guaidó. É preciso rechaçar essa medida sem dar nenhum apoio político ao governo autoritário de Nicolas Maduro, que levou à miséria o povo venezuelano.

As universidades estão na mira dos ataques dos governos e um deles, recente, atinge especialmente os servidores federais, aprofunda a precarização e segue a lógica de “educação à distância”, com o risco da não contratação de novos professores universitários. Na educação básica, o governo de Romeu Zema (Novo) retirou as vagas de mais de 80 mil alunos da educação integral e o emprego de 9 mil trabalhadores, além de aprofundar com mais força os ataques que já vinham de Fernando Pimentel (PT) como o fechamento de salas e a precarização do trabalho e ensino nas escolas.

Minas Gerais, sob gestão de um empresário privatista, enfrenta uma crise fiscal sem previsão de se resolver, e, há três meses do crime cometido pela Vale em Brumadinho, milhares de pessoas enfrentam a insegurança e o medo de novos rompimentos, enfrentando sérios problemas nas cidades onde a mineração tem centralidade na economia, um problema que só pode ser respondido pela estatização da Vale sob gestão dos trabalhadores e controle popular e uma planificação da economia que libere a dependência de um estado como Minas Gerais das commodities e da espoliação de nossas riquezas pelas mãos de um punhado de grandes multinacionais e do imperialismo.

Tudo isso reforça a necessidade de que o Conune seja a primeira grande experiência de organização e luta desde o início deste que é um governo que ousa comemorar o golpe empresarial-militar de 1964. Essa luta envolve, necessariamente, uma batalha contra a burocracia estudantil da UNE, que usa das formas mais antidemocráticas no movimento estudantil. Por exemplo, em 2017 o DCE UFMG, dirigido pelo Levante Popular da Juventude/PT (que depois de um processo absurdamente burocrático na UFMG se juntou à direção da UNE mesmo tendo feito campanha dizendo combater a burocracia da direção), exigiu 64 membros por chapa, um número incompatível com a participação da maioria dos estudantes que quisessem se candidatar a delegados, e só permite às mesmas organizações políticas participarem desse processo, restringindo o papel dos estudantes independentes ao mero voto. Esse ano, o primeiro ano do bolsonarismo no Brasil, é preciso que o DCE garanta todas as condições de qualquer estudante participar sendo sujeito político, como observador ou delegado (caso eleito), do Congresso de sua entidade máxima.

Nós, da Faísca e Pão e Rosas, viemos fazendo um chamado a que o DCE construísse um Congresso dos estudantes da UFMG, democrático e construído desde a base, que se tivesse ocorrido conforme propusemos sem dúvidas faria os estudantes da UFMG chegarem melhor preparados para o Congresso da UNE e nossa articulação regional e nacional no movimento estudantil contra o governo de Bolsonaro e seus ataques. O que vimos, porém, foram promessas não cumpridas por parte do DCE/UFMG, e nenhuma articulação que começasse a preparar todos os estudantes da UFMG para um evento dessa importância. Nas eleições do Conune na UFMG não pode ser repetido práticas do Afronte/PSOL e Conrrenteza/UP em outras entidades, como na UFABC em que o DCE dirigido pelo Correnteza fez um processo de eleições para o Conune às escondidas, sem chance de participação dos estudantes. Ou o que o Afronte/PSOL vem tentando fazer no D.A. da Escola da Belas Artes da UFMG de impor uma gestão da entidade por fora de eleições democráticas no curso.

Colocamos essas ideias em debate com os estudantes da UFMG e convidamos a todos e todas para conhecer nossa pré-tese para o Conune, que será divulgada nos próximos dias, porque queremos construir uma alternativa marxista e antiburocrática, uma juventude que na UFMG faça como os estudantes de Serviço Social e Geografia da UERJ, que fizeram grandes assembleias organizadas desde a base e paralisaram suas aulas por justiça para Marielle Franco e contra a Reforma da Previdência, oferecendo aos estudantes um caminho viável para se organizar contra esse governo, confiando em nossas próprias forças e retomando nossas entidades estudantis para a luta dos estudantes ao lado dos trabalhadores, contra os ataques dos governos de Bolsonaro e Zema, a começar por organizar a luta para barrar a Reforma da Previdência, o principal projeto do governo federal contra os trabalhadores e o povo, que quer destruir nosso direito a aposentadoria e entregar mais centenas de bilhões aos banqueiros, um projeto ao qual contrapomos a proposta de não pagamento da dívida pública.

Uma juventude que batalhe pela superação do capitalismo e, para isso, que atue junto aos trabalhadores na luta de classes, como os franceses, sudaneses e argelinos que atualmente questionam seus presidentes e todo o regime político. Em última instância, uma juventude que se inspire pelos ares do ano de 1968 na França e também no Brasil; que seja realista, exija o impossível, e ouse superar o capitalismo.

Leia também: As perspectivas para uma juventude marxista e revolucionária rumo ao 57º Congresso da UNE




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