Política

DEBATE

Para onde vai o PSOL?

Marcello Pablito

Trabalhador do bandejão da USP e membro da Secretaria de Negras, Negros e Combate ao Racismo do Sintusp

domingo 4 de março| Edição do dia

Boulos lançou ontem sua candidatura com o apoio aberto de Lula, um fato que expressou, para amplos setores, que Boulos não visa construir uma candidatura e um projeto político que seja independente do PT e de Lula. Para nós do MRT, um projeto como esse repetirá como farsa a tragédia petista. É necessário uma política e candidaturas que sejam abertamente independentes do PT, com um programa socialista, anticapitalista e dos trabalhadores. Mas o apoio que Lula expressou no lançamento da candidatura de Boulos não cai do céu.

O presidente da Fundação Lauro Campos do PSOL , representante da maioria do PSOL que encabeça a candidatura de Boulos, assinou um manifesto que teve ato de lançamento que é uma plataforma programática para “Reconstruir o Brasil” com o PT e PCdoB, além de partidos abertamente burgueses como PDT e PSB.

O manifesto considera um “amplo acervo de conquistas do ciclo progressista de 2003-2016, dos governos Lula e Dilma” e apresenta um programa desenvolvimentista burguês e que defende uma suposta democracia que eles dão a entender que vivíamos até o golpe institucional. Todo o programa coloca-se por dentro dos estreitos limites da propriedade privada dos meios de produção e limita-se a defender o que foi implementado nos governos Lula e Dilma.

Trata-se de um manifesto que se coloca “contra a grande finança” e as “grandes potências” e coloca o desenvolvimento do país ligado ao “capital produtivo”, “nacional”, o que é totalmente cínico, porque Lula governou em primeiro lugar com os bancos e para eles. Tem como fim a “restauração da democracia, do Estado Democrático de Direito, do equilíbrio entre os Poderes da República”. Defendem “manter sob controle a dívida pública, assegurar o equilíbrio fiscal do Estado”. Um programa que está de acordo com o que são estes partidos e foram seus governos, totalmente subordinados aos capitalistas e a essa democracia dos ricos.

Dentro do PSOL houve uma ampla oposição a tal manifesto, o que apesar das diferenças que temos com os companheiros que assinam, expressa uma resistência a essa linha.

Nós do MRT, que batalhamos contra o golpe institucional e contra a condenação arbitrária do Lula, sempre dissemos que este combate tinha que se dar de forma independente do PT e da burocracia sindical, que controlaram cada processo de luta, abrindo espaço para o golpe institucional, com todas suas alianças com os golpistas e reproduzindo os métodos corruptos, que agora faz com que a crise esteja sendo descarregada duramente nas costas dos trabalhadores e do povo pobre.

Seguiremos nossa batalha para construir uma política e pré-candidatos que adotem um programa de independência de classe e revolucionário, que sejam parte de construir um projeto abertamente independente do PT. Essa luta só pode se dar em um combate duro contra a direita tradicional, mas que não seja um anexo da política lulista.




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