Política

CRISE DO RIO DE JANEIRO

Para o governador do Rio, Pezão, empréstimo a taxas de juros de 145% é uma vitória

Daphnae Helena

Metroviária e economista

quinta-feira 2 de novembro| Edição do dia

O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB) afirmou em entrevista concedida nesta quinta-feira (02/11) à Rádio CBN que considera uma vitória o leilão da CEDAE onde se conseguiu um empréstimo do banco francês BNP Paribas a taxas de 145% de juros. “Claro que nós desejávamos e queríamos mais competição, mas já ter vencedor nesse ambiente que foi criado, da gente ter conseguido derrubar liminar praticamente na manhã do leilão, foi uma vitória”, afirmou o governador.

Segundo Pezão, o dinheiro do empréstimo concedido, que deverá ser disponibilizado entre 10 a 15 dias úteis, servirá para quitar integralmente os salários atrasados dos servidos, bem como o 13º de 2016. No entanto, não deu certeza se conseguirá pagar integralmente o 13º dos servidores referente a 2017. E afirmou que em 2018 não o Estado não terá mais esse problema de atraso no pagamento.

Leilão sem concorrência

O banco francês BNP Paribas, um dos maiores da França, foi o único que se apresentar para ao leilão para um empréstimo de R$ 2,9 bilhões para o estado do Rio de Janeiro. O empréstimo, que será realizado pelo banco francês vencedor, foi calculado com uma taxa de juros de 145% e tem duração de 36 meses.

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O valor estipulado para a transação é de 50% das ações da CEDAE (Companhia Estadual de Águas e Esgotos), as quais servirão como garantia da transação. Caso o Estado consiga vender a CEDAE antes dos três anos poderá quitar o empréstimo e pagar os juros correspondentes ao período. Caso isso não ocorra, o banco fica com 50% das ações da Companhia. O leilão realizado que parte do Plano de Recuperação Fiscal dos estados endividados, significa, na prática, a privatização da CEDAE.

O Estado do Rio de Janeiro passa por uma grave crise econômica, em que o governo estadual e federal por meio do Plano de Recuperação Fiscal dos estados, planeja privatizar as companhias estaduais e corta dinheiro do orçamento para diversas áreas como educação, saúde e transporte. No entanto, nada dizem a respeito da “bolsa banqueiro” que são os 50% do orçamento público destinado para o pagamento da dívida pública. Ao contrário, em iniciativas como o leilão realizado para conseguir bilhões em empréstimo, o governo do Estado aprofunda o endividamento com o capital estrangeiro e agrava a situação fiscal do Estado.

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