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CORONAVÍRUS

Para garantir o lucro, sindicato das escolas particulares põe em risco a vida de trabalhadores

enquanto os professores da rede particular também já tinham recebido as trabalhadoras auxiliares de administração escolar seguiam obrigadas a trabalhar, expostas ao risco de contaminação pelo Coronavírus. Mas a dispensa só foi concedida por meio de medida judicial, caso contrário, continuariam trabalhando.

sexta-feira 20 de março| Edição do dia

Somente ontem (19/03) foi concedido pelo Tribunal Regional do Trabalho (3ª Região) o afastamento dos trabalhadores das escolas particulares de Belo horizonte de 19 a 31 de março. Enquanto os professores, estudantes e outros segmentos da rede pública receberam dispensa desde quarta-feira (18), e inclusive os professores da rede particular também já tinham recebido as trabalhadoras auxiliares de administração escolar seguiam obrigadas a trabalhar, expostas ao risco de contaminação pelo Coronavírus. Mas a dispensa só foi concedida por meio de medida judicial, caso contrário, continuariam trabalhando.

A liminar expedida pelo TRT prevê a negociação da reposição dos dias paralisados entre o SAAEMG (sindicato da categoria) e o SINEP/MG (o sindicato dos donos de escolas particulares), o que não pode ser margem para que as trabalhadoras, diretamente interessadas, sejam excluídas das negociações e estejam expostas à assédios e prejuízos econômicos por parte de seus patrões.

Em sua página do Facebook, o SINEP/MG declara que vai entrar com uma medida de segurança para garantir o funcionamento mínimo das escolas, no marco do esquema de aulas EAD (pela internet), ignorando o risco que correm os trabalhadores ao se expor nos transportes públicos e outras aglomerações. O sindicato dos patrões ainda considera a medida requisitada pelo sindicato das trabalhadoras como “intransigente”.

Tal postura por parte dos donos de escolas particulares deixa explicito que a única preocupação é com seus lucros, nem com a saúde e a preservação da vida dos trabalhadores, nem com a qualidade do ensino que obviamente será reduzida com a modalidade EAD e menos ainda com a renda dos professores que será reduzida com a impossibilidade de realizar horas extras, que é um meio empregado pelos patrões para aumentar o nível de exploração e por isso representam uma parte considerável da sua renda.

A isonomia entre os trabalhadores (a igualdade de direitos dentro de uma mesma categoria porém com diferentes segmentos) é fundamental para que não haja distinção de direitos e divisões, que são muito úteis para que os patrões conseguem impor seus ataques. Para que essa distinção e a divisão cheguem ao fim, é necessário que os trabalhadores que ainda são terceirizados sejam efetivados e incorporados ao quadro de funcionários das escolas, com plenos direitos, já que o serviço prestado por elas é essencial à atividade oferecida nestes estabelecimentos. E que o quadro administrativo seja visto realmente como parte integrante fundamental da educação.

A parcela de terceirizados, que a cada dia cresce mais no país, e também grande parte dos administrativos que fazem serviço de limpeza, portaria, alimentação, etc., são em sua maioria mulheres e negras, que ocupam os postos de trabalho mais precarizados, vivem nas periferias das cidades e em grandes números nas favelas. Têm duplas jornadas, são arrimos de família, e não bastasse os desafios cotidianos enfrentados por essas mulheres e o assédio dos patrões agora vivemos uma pandemia que vai atingir em cheio as terceirizadas, pelas condições de vida que já favorece a exposição ao vírus e o mínimo acesso à saúde e qualidade de vida.

Não podemos permitir o massacre dos trabalhadores do quadro administrativo da limpeza e demais funções, as trabalhadoras terceirizadas, nem do restante da classe trabalhadora cujos governos em diferentes níveis: federal, estadual e municipal, já se adianta em relegar a responsabilidade da contenção do vírus com discursos de “faça sua parte” enquanto não oferece uma estrutura de saúde minimamente suficiente para enfrentar uma pandemia. A única forma de os trabalhadores agirem no controle desse vírus e suas consequências são assumindo o controle dos hospitais e toda estrutura de saúde de forma que atenda os nossos interesses e de cada fábrica que possa ser colocada a disposição de produzir não mais lucro para os patrões, mas sim, qualquer equipamento e insumo necessário para contribuir nessa situação de emergência.




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