Política

IMPERIALISMO EM APOIO AOS ATAQUES DE TEMER

Para diretor do FMI, ataques de Temer são "cruciais", principalmente contra a previdência

A entrevista de David Lipton, vice-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) ao jornal Estado de S. Paulo deixa claro mais uma vez quem são os que exigem os ataques de Temer contra os trabalhadores: os capitalistas que querem manter seus lucros. Para o gerente capitalista, as reformas são "cruciais".

terça-feira 25 de abril de 2017| Edição do dia

David Lipton ocupa o segundo cargo de maior importância no FMI, é, portanto, um porta-voz autorizado dos interesses do grande capital e do imperialismo. Sua entrevista ao Estado de S. Paulo deixa bastante claro que por trás dos ataques de Temer estão as ordens da "mão invisível do mercado" para que os custos da crise criada pelos capitalistas sejam despejados sobre as costas dos trabalhadores e do povo pobre.

Em primeiro lugar fica evidente a imensa importância que os capitalistas internacionalmente dão às reformas estruturais de Temer, ou seja, aos ataques aos direitos trabalhistas, às nossas aposentadorias, ao aumento da terceirização. Segundo ele, "as reformas estruturais são cruciais, sendo que talvez a mais importante no momento seja a da Previdência. Temos esperança de que o Brasil encontrará consenso para isso. Se fracassar, isso causará danos para a credibilidade de todo o esforço de recuperação da economia."

Aliado a esses ataques, o diretor do FMI afirmou que "o o mais importante é o compromisso com o ajuste fiscal do governo." Ou seja, as medidas de austeridade como a PEC 55, o pacote de "contrapartidas" dos estados para a suspensão temporária do pagamento, enfim, todas as medidas que cortem investimentos em áreas sociais para poder resguardar dinheiro para os capitalistas através de, por exemplo, o pagamento da dívida externa trilionária aos especuladores capitalistas.

Essa especulação que rouba quase metade do orçamento nacional com o valor de R$ 1,7 trilhão no orçamento de 2017, somadas às privatizações de bens públicos feitas para o capital estrangeiro são os roubos que, na boca de demagogos como o diretor do FMI, recebem o nome de "investimentos".

São os "investimentos" em seus próprios lucros à custa de nossos direitos. E ele disse que, para que voltem a ocorrer com a mesma "confiança" por parte dos capitalistas (ou seja, que eles tenham certeza que nada vai atrapalhar o pagamento de suas remessas de lucros e de seus juros e amortizações da dívida) é necessário ter clareza política. Eles querem saber quem estará no governo em 2018 e será o gerente brasileiro de seus interesses em lucrar cada vez mais.

Sobre a operação Lava-Jato e a atuação do judiciário, ele afirmou "o sistema Judiciário agora funciona incrivelmente bem, em uma situação de stress e no momento mais importante. O sistema Judiciário hoje é uma fonte de força e credibilidade no Brasil." Assim, ao contrário de setores da esquerda como Luciana Genro, que acreditam que a Lava Jato pode ser feita em benefício dos trabalhadores, o diretor do FMI tem bastante clareza: o fortalecimento do autoritarismo judiciário como árbitro da crise política no Brasil só terá um grande beneficiado - o capital estrangeiro. Por trás da demagogia que ele ou qualquer um dos seus faz sobre o combater à corrupção, o que interessa ao diretor do FMI é que a corrupção continue azeitando o sistema capitalista, mas com um pulso firme que garanta seus interesses. Como já dissemos muitas vezes, quem realmente está ganhando com a Lava Jato são os grandes amigos do FMI.

Contra esses inimigos, nacionais e estrangeiros unidos para nos atacar, só a força dos trabalhadores pode fazer frente, fazendo do dia 28 uma paralisação histórica para preparar uma greve geral até derrubar Temer e suas reformas.




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