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METRÔ-SP

Para defender multinacional e privatização, Metrô de SP demite mais um funcionário

Ontem, os metroviários tiveram a triste notícia da demissão do operador de console do CCO (centro de controle operacional). Demitido por supostamente ser o responsável pela colisão de dois trens da linha 15 em janeiro. A direção do metrô insiste em atribuir a culpa do acidente, sob as costas dos trabalhadores que estavam no CCO, no momento da colisão. Continuam firmes na tese de "falha humana", para esconder os problemas que a linha 15 tem.

sexta-feira 22 de fevereiro| Edição do dia

Vamos aos fatos. A linha 15 funciona com um sistema chamado CBTC. Esse sistema teria como garantia, fazer os trens rodarem com um menor intervalo de tempo e funcionarem sem a necessidade de um funcionário fisicamente dentro das composições, acabando com a função do operador de trem. O modelo que idealizam para a linha 15, é um modelo com o mínimo de funcionários, tanto nas estações, quanto no tráfego.

Esse modelo já se mostra temerário, com menos de 60 dias da linha funcionando em tempo integral. Peças que caem da via, deslocamento do trilho de energização do trem, colisão entre dois trens, são alguns dos exemplos que mostram como esse modelo de operação da linha, pode ser muito perigoso.

É bom lembrar, que a linha 15 não está entregue na sua totalidade. Por atraso nas obras e a pressão do governo, em fazer a linha rodar o mais rápido possível, em nome da privatização, o metrô começou a operar a linha, mesmo com ela não entregue em sua totalidade. Querem vender o mais rápido possível para iniciativa privada, deixando a segurança operacional em segundo plano.

Falta de iluminação na via, sinaleiros que não funcionam, trens estacionados em terminais criados durante a operação, onde o sistema CBTC não reconhece, são alguns dos remendos que a direção do metrô faz, para colocar a linha rodando, em detrimento da segurança operacional.

Quando as ocorrências acontecem, a direção da empresa não titubeia em sair caçando os funcionários. A primeira resposta que passam ao público é a famosa "falha humana". Fazem isso para esconder a irresponsabilidade da direção da empresa, em fazer uma linha rodar, sem ter as condições necessárias de segurança. Não querem dizer que a colisão dos trens em janeiro, se deu por estarem utilizando de forma errada o sistema CBTC, fazendo TMs com a linha entregue de forma incompleta.

Assim como fizeram com o operador de trem da linha 1 Joaquim, no começo desse ano, o demitindo sumariamente, a gestão Doria faz a mesma coisa agora, com o operador de console do CCO da linha 15, tudo isso para esconder a política de privatização, que precariza os serviços, diminui funcionários, aumentando os riscos de acidentes e piorando a prestação de serviço para a população. Querem jogar o trabalhador metroviario contra a população, para esconder suas negociatas que visam vender o Metrô para os empresários "amigos".

São intransigentes com o modelo da linha, não querem cabine de operador, o que teria evitado a colisão ocorrida em janeiro. Estão determinados a implementar um modelo de trasporte, que não serve para carregar um número massivo de usuários, pois a direção da empresa sabe que quando algum acidente acontecer, irão soltar aos quatro ventos, que foi uma "tragédia" ou uma "falha humana" , ficando impunes todos esses dirigentes, que ganham cargos no metrô, para entregar sua operação a empresas privadas. Empresas essas que financiam a décadas as campanhas eleitorais do PSDB.

Repudiamos a demissão injusta de mais um funcionário do metrô, em nome dos jogos politicos, desses corruptos que estão no governo e na direção das empresas públicas. A categoria metroviaria precisa se mobilizar, pois o próximo pode ser qualquer um, eles já mostraram que em nome da privatização, são capazes de cometer as maiores injustiças e barbaridades. Abaixo as demissões arbitrárias, é necessário que a população lute com os metroviarios pela estatização de todo transporte, sob controle dos trabalhadores e usuários. Só assim poderemos ter um transporte de melhor qualidade, com uma tarifa acessível a todos.




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