Sociedade

AJUSTE FISCAL

Para defender banqueiros, Globo culpa servidores por cortes em saúde e educação

Em editorial publicado hoje, o jornal O Globo diz que o problema de falta de recursos públicos não é o teto de gastos que garante que os recursos do país sejam desviados para o pagamento da fraudulenta dívida pública, e sim o gasto com servidores públicos.

quarta-feira 19 de agosto| Edição do dia

Cada vez mais a grande mídia vem escancarando a sua hipocrisia na defesa do capital financeiro contra os interesses da maioria da população. Depois de décadas apoiando toda as medidas neoliberais que precarizaram a saúde pública (fazendo com que a crise sanitária originada pela pandemia do coronavírus fosse muito pior), destruíram os serviços públicos e o nível de vida dos trabalhadores, em nome da "responsabilidade fiscal" de destinar recursos a dívida pública, uma dívida que mesmo com essas medidas só fez aumentar - o Globo escolheu como o principal culpado o funcionalismo público.

Ver também: O Globo diz que cortar de servidores é melhor que taxar grandes fortunas

Depois de pressionar pela aprovação de ataques como teto de gastos, a reforma trabalhista e a reforma da previdência, agora o Globo está em plena campanha em defesa das privatizações e da reforma administrativa. A campanha se intensificou com as discussões sobre o orçamento do próximo ano, onde chegam praticamente a colocar como se o funcionalismo público fosse responsável pela precarização da saúde e pela dimensão da imensa crie sanitária que estamos imersos. Em editorial publicado hoje afirmam que:

"Para destinar mais dinheiro à Saúde e à Educação, é preciso entender a origem do problema. A raiz da falta de recursos não é o teto. São os gastos obrigatórios, em especial a folha de pagamentos do funcionalismo, que corresponde a quase 14% do PIB brasileiro e tem crescido sem parar."

No entanto o que o Globo oculta é que a maior parte do orçamento é destinado para pagar a imensa dívida pública, cuja a maior parte está na mão dos grandes bancos e que são os setores que exercem mais pressão pela responsabilidade fiscal, usando inclusive a grande mídia como o Globo.

Curioso também é a mudança de postura do jornal. Há alguns meses fingiam fazer uma oposição ao governo, criticando as suas posturas negacionistas na pandemia. No entanto, mostrando como os interesses econômicos estão acima de qualquer posição ideológico, agora o jornal mudou sua localização para cumprir o papel de pressionar o governo pela responsabilidade fiscal.

Isso não é surpreso visto o histórico do jornal, que esteve na vanguarda de apoiar toda medida antipopular, anti-operária e antidemocrática, como o golpe militar de 64 e o golpe institucional de 2016.

Ante a união dos diversos políticos capitalistas para atacar os trabalhadores em nome dos interesses do capital financeiro, é necessário que os trabalhadores reajam e lutem para impor o não pagamento da dívida pública, principal mecanismo de submissão ao imperialismo e que suga boa parte dos recursos nacionais!

Ver também: Entenda por que não pagar a dívida pública em 8 pontos

Os trabalhadores dos correios dão exemplo hoje com sua greve. Se unindo com outros setores em luta, como os entregadores de aplicativos, poderiam ser o ponto de apoio para uma unificação maior da classe trabalhadora e por de pé uma Frente Única Operária para lutar contra os ataques!




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