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Para defender a Vale, Zema chama crime de Brumadinho de "incidente" e elogia a empresa

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), afirmou hoje (12) que "não tem faltado por parte da empresa neste momento assumir esse compromisso. Parece que desta vez eles reconheceram o erro, apesar do incidente".

terça-feira 12 de fevereiro| Edição do dia

Nesta terça (12), Zema (Novo) chamou o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho de "incidente" em conversa com deputados federais mineiros. A vontade de defender a Vale a todo custo pelo milionário governador é tamanha que afirma este absurdo poucos dias após a Vale negar vários pedidos mínimos dos moradores da região de Brumadinho. Além das famílias atingidas, a região teve sua economia fortemente impactada, gerando desemprego.

Já são mais de 300 pessoas mortas e desaparecidas pelo novo crime da Vale. Quando para a maioria das pessoas ficou claro o absoluto descaso da empresa, que repetiu o crime bárbaro de soterrar vidas com a lama tóxica, para o governador-empresário é hora de chamar o caso de "incidente", para diminuir sua importância e preparar a defesa da empresa bilionária.

Questionado sobre a responsabilidade do Estado na tragédia, Zema também afirmou que a Secretaria do Meio Ambiente é responsável pela concessão de licença para a empresa, mas que os critérios de exploração e fiscalização são da Agência Nacional de Mineração. Busca explicar o absurdo jogando a responsabilidade de um lado para o outro entre os poderes, tentando tirar a responsabilidade de seu governo, em meio à crise.

A lógica de seu partido de empresários ultraneoliberais é a mesma que a de Zema neste caso, como declarou o vice-presidente de seu partido "Novo", Evandro Negrão: "não podemos demonizar a Vale, é uma baita empresa". Segue a linha de relativizar a culpa pelo crime cometido, por centenas de vidas interrompidas pela destruição do meio ambiente. Evandro ainda complementou que "sem minério não tem carro, avião nem geladeira e o mundo é muito melhor com empresas como ela do que sem", só faltando dizer abertamente que para "os seus", o lucro vale mais do que a vida dos trabalhadores e da população pobre.

A declaração de Zema já é um absurdo por si só. Mas o que a torna ainda pior é que a Vale já sabia de defeito em sensores da barragem dias antes do rompimento. Alguns sensores já apresentavam problemas, mas a empresa optou por manter o funcionamento normal e não evacuar a cidade.

Ademais, nunca podemos esquecer de Mariana. O suposto compromisso que Zema atribui à Vale com os atingidos, no caso anterior nunca ocorreu. Dos R$ 739 milhões aplicados em multa à empresa, nenhum centavo foi pago. O que garante que desta vez será diferente, se a empresa continua nas mãos de empresários que visam apenas maximizar seus lucros as custas da vida dos trabalhadores e do povo pobre?

São 169 mortes confirmadas até hoje e 160 desaparecidos. É uma tragédia que demonstra mais uma vez que a lógica capitalista de sempre maximar os lucros não se importa com a vida dos trabalhadores e da população, muito menos com o meio ambiente. A mineração predatória, sem se importar com seus efeitos, é o motor deste crime e esta lógica que é defendida por Zema e seus amigos empresários.

Somente estatizando a Vale sob gestão dos trabalhadores e com controle popular é que a vida e o meio ambiente poderão estar acima do lucro.

Veja também: Pela re-estatização da Vale sob gestão dos trabalhadores e controle popular para enfrentar a mineração predatória




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