Juventude

OPINIÃO

Para defender a USP da privatização, a educação contra Temer precisamos de um DCE independente do PT e que não apoie o golpe nem a Lava-Jato

Odete Cristina

São Paulo

quarta-feira 9 de novembro| Edição do dia

A USP não é uma ilha. A PEC 241 vai pressionar os orçamentos em todos os estados para que se faça o mesmo aqui: acabar com a educação e saúde públicas. A burocracia universitária e sua parceria com o instituto McKinsey (para saber mais sobre essa parceria leia aqui) mostram como aproveitam as crises de orçamento como uma oportunidade para aprofundar a privatização da universidade. Nesse cenário precisamos que nossa principal entidade de organização da luta dos estudantes, o DCE seja um impulso para nos organizar contra os ataques à educação aprofundados no governo golpista de Temer.

Para termos o DCE como uma ferramenta de luta ele precisa ser claramente de esquerda, saber contra quem lutar, e quem são nossos aliados. Não basta nosso DCE ser independente do PT - que abriu caminho à direita com sua conciliação com Maluf, Temer, Cunha, Kátia Abreu, etc, com os ajustes, com a corrupção que o PT assimilou de todos partidos capitalistas -,pois não tem como ser de esquerda e combater Temer e seus ataques apoiando o golpe institucional do impeachment.

Pois é. A chapa “Embarca na Luta” composta pelo PSTU e independentes tem justamente essa contradição. O PSTU dizia que o impeachment era uma vitória para os trabalhadores, que nos daria melhores condições de lutar contra os empresários. Não é o que se vê. Pode alguém que apoia o roubo do voto de milhões se colocar como uma alternativa de esquerda para lutar contra Temer?

Para nós da chapa “Primavera nos Dentes”, não. Quem confunde sua vontade de lutar contra o PT com o fortalecimento da FIESP, com o fortalecimento de Bolsonaro, não será uma alternativa para lutar contra Temer nem contra a privatização de nossa universidade.

O mesmo problema vemos na chapa “Travessia”. Essa chapa que congrega várias forças da esquerda na universidade tem como uma de suas principais correntes o MES, corrente interna do PSOL, liderada por Luciana Genro, que apoia a Lava Jato e Sérgio Moro. Sim, eles, tal como a Veja, argumentam que a operação estaria fazendo justiça com os ricos, fazendo o que já se faz com os pobres "chegar no andar de cima". Apoiar isso significa dar mais corda à justiça, uma justiça que deixa 40% da população carcerária do país, negros em sua maioria, presos sem julgamento. Uma justiça que está implementando a reforma trabalhista e que corta o ponto de grevistas (como agora decidiu o STF), que autoriza “reintegrações de posse” das escolas. Apoiar a arbitrariedade do judiciário é apoiar quem vai nos reprimir hoje e amanhã. E no caso da Lava-Jato, é apoiar que a operação que está fortalecendo não só os empresários e seus partidos em geral, mas em particular o PSDB, e especialmente a ala de Alckmin, que mais diretamente está atacando estudantes e trabalhadores da USP. E, não foi o judiciário um ator importante do impeachment, ou seja do golpe? Que adianta falar que era contra o impeachment, tendo se contraposto e falar “Viva a Lava Jato”?

Esse tipo de contradição é parte do que explica a paralisia de nosso atual DCE que é dirigido pela chapa “Travessia”, tem discurso de esquerda, fala das ocupações, mas pouco faz contra Temer, contra a PEC 241. Por que sequer tem claro que é nas nossas próprias forças e mobilização que devemos confiar, nem quem são os inimigos e aliados na nossa luta. Com certeza a Câmara, o Senado, nem o Judiciário são nossos amigos.

A juventude pode ser um ponta-pé para a luta dos trabalhadores. Depois das grandes “jornadas de junho” vimos uma onda de greve se estender pelo país. Os maiores símbolos dessa luta foram os garis do Rio e os rodoviários de Porto Alegre. As ocupações em todo país podem ser uma “Faísca” à luta nacional contra os ataques de Temer.

Nós, estudantes da USP, podemos e devemos estar à altura de contribuir nesse caminho. Estudamos na mais importante instituição do país, o que dá enorme repercussão a nossa luta. Nosso DCE pode ser um instrumento para essa organização nacional, mas para isso tem que ser de esquerda e ser verdadeiramente de esquerda exige ser contra o golpe e seus mecanismos, como a Lava-Jato, o que não é a chapa “Embarcando na Luta” nem a chapa “Travessia”.




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