Política

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Para combater os ajustes da direita: Superar a trégua das centrais sindicais

Flavia Valle

Professora, Minas Gerais

sexta-feira 9 de dezembro de 2016| Edição do dia

O PT, após a derrota eleitoral em 2016 em que se viu reduzido a um terço das prefeituras que tinha até então, vem buscando as vias de se relocalizar e buscar seu fortalecimento para as próximas eleições de 2018. Para isso, tenta aparecer como vítima do golpe e dos ataques preparados pelas classes dominantes.

Orientados com o discurso da “resistência contra os ataques” e pintando uma realidade mais a direita e reacionária do que esta, o PT vem conseguindo se relocalizar nos movimentos sociais por via do seu posicionamento contra o governo golpista de Temer. Porém, o mesmo PT que deixou passar o golpe institucional é o que está deixando passar a PEC.

Exemplo de seu papel como grande conciliador nacional, o PT fez parte do acordo para manter o golpista Renan Calheiros na presidência do Senado, enquanto o senador petista, Jorge Viana, primeiro tentando se esquivar do assunto, depois chegou a assumir que iria manter a votação da PEC 55. Mostrando que o “combate” do PT não passa de palavras.

Enquanto isso, as direções das grandes centrais que atuam como um “braço do PT” no seio dos movimentos de massas, as chamadas burocracias sindicais (como as da CUT e CTB) e a Frente Brasil Popular (FBP), recusaram-se a preparar um plano de luta, se restringindo a “dias de luta” desorganizados e afastados da base, como no dia 29 em Brasília e como se prepara o dia de votação da PEC (13/12). Na mesma semana protocolaram pedido de impeachment de Temer, que aprofunda o autoritarismo do regime, mesmo tempo que levantam “Direitas Já” para desviar qualquer tipo de luta preparando uma saída eleitoral com “Lula 2018”. As frases de greve geral, marcada para o primeiro semestre do ano que vem (!!!!!), não passam de demagogia.

O velho modo petista de militar, que separa a luta contra os ataques da disputa política sobre qual a saída para a crise. Assim, os parlamentares petistas fazem uma divisão de tarefas com as burocracias sindicais para o discurso de “resistência” encobrir seus interesses de conciliação com os interesses das classes dominante, tentando anular as possibilidades da entrada em cena dos trabalhadores como sujeitos políticos.

É preciso que as centrais e entidades estudantis usem sua força para lutar a serviço dos interesses dos trabalhadores e da juventude. Por isso suas direções devem romper sua subordinação aos interesses da cúpula petista, realizando uma verdadeira paralisação nesse dia 13, que siga em um plano de luta fortalecendo a única saída que pode questionar pela raiz esse regime dos ricos e poderosos: uma assembleia constituinte imposta por lutas e greves.




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