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Para bancos bilhões, para crianças mais fome: cresce em 7 milhões crianças com desnutrição

Dados da ONU mostram que o número de crianças que sofrem por desnutrição cresceu em 7 milhões. O que a ONU não mostra é que isso é responsabilidade de políticas de governos que salvam em primeiro lugar os lucros dos capitalistas, enquanto deixam crescer o desemprego e a fome na classe trabalhadora.

terça-feira 28 de julho| Edição do dia

A crise econômica que assola o mundo já estava em curso desde antes do novo coronavírus ser identificado em meados de dezembro de 2019 na China, mas é inegável que diversos aspectos dessa crise foram agravados e/ou acelerados pela pandemia de covid-19.

As crianças, apesar de não serem severamente afetadas pela doença em si, são severamente afetadas de forma indireta por outros motivos causados pela pandemia, como o fechamento de escolas, parques praças, projetos sociais e outros locais e meios de socialização - que também servem, inegavelmente, para aliviar a sobrecarga de demandas das mães e pais que precisam trabalhar, apesar da pandemia, e não têm com quem deixar seus filhos.

Essa ausência da escola e outros espaços de educação ou socialização é ruim pedagogicamente para todas as crianças, mas as filhas e filhos da classe trabalhadora, em especial dos setores mais pauperizados e explorados da classe, são atingidos, também e principalmente, pela falta da alimentação disponibilizada nesses locais/instituições, para além do déficit educacional que o “ensino” à distância aumentará.

Em estimativa divulgada nessa terça-feira, a ONU faz ampliar a lista de efeitos catastróficos que a pandemia tem causado sobre as crianças pobres planeta afora. Ela estaria incidindo sobre a inclusão de mais 7 milhões de crianças na lista que já contava com mais de 47 milhões de crianças que sofriam com falta de alimentação, perda de peso e magreza extrema em 2019.

O que o estudo da ONU não menciona é que, na realidade, não são os efeitos correlatos à pandemia que estão ampliando essas estatísticas, mas sim a ausência de políticas por parte dos Estados para, minimamente, suavizar os efeitos causados pelo desemprego e/ou diminuição dos rendimentos, aumentos dos preços dos alimentos, entre outros. Até mesmo o auxílio insuficiente de R$600,00 tem sido difícil acessar.

O governo federal, assim como governadores e prefeitos são responsáveis diretos por essa inexistência de iniciativas que favoreçam os setores mais pauperizados, assim como serão os designados a assumir os números de mortos e do agravamento da situação social durante e após a pandemia.

Enquanto joga milhões de crianças a mais na miséria, o capital, através de diferentes governos, não se nega a doar bilhões de dólares aos bancos e grandes empresas “atingidas” pela combinação das crises econômica e sanitária mundial, revelando nitidamente quais são, de verdade, as prioridades a serem administradas diante de uma situação calamitosa como a vivida atualmente.




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