Política

TRANSIÇÃO TEMER-BOLSONARO

Temer prepara o terreno para ataques de Bolsonaro antecipando fusão de ministérios

O processo de transição de um presidente para o outro sempre foi regado de “acenos democráticos” com o predecessor querendo se colocar como um “bom democrata”. Entretanto, a passagem de bastão do governo Temer para o de Bolsonaro expõe a relação de continuidade entre os dois governos, sendo o candidato eleito da extrema direita a sua face mais selvagem.

quarta-feira 7 de novembro| Edição do dia

Em primeiro lugar, as negociações do presidente golpista e o candidato da extrema direita para tentar desde já avançar na aprovação da reforma da previdência. De início, Temer chegou até a cogitar colocar para votação o projeto neste ano, mas dada a ressaca do período eleitoral seria muito improvável. Bolsonaro querendo mostrar serviço desde já, disse que quer a aprovação de ao menos “alguma coisa” ainda esse ano, no que entrou em seu radar o ataque ao funcionalismo público com a elevação da idade mínima, a que chamou de “um grande passo”.

VEJA TAMBÉM: Abaixo a reforma da previdência de Temer-Bolsonaro: não vamos trabalhar até morrer

Não basta isso, agora o governo golpista mais uma vez se desdobra para poder atender a agenda de ataques ainda mais duros da extrema direita, buscando fazer alterações no seu projeto de Orçamento para 2019. As mudanças têm como objetivo adaptar a peça orçamentária para viabilizar as fusões e extinções de ministérios que Bolsonaro quer impor.

Haverá, por exemplo, um superministério da Economia, juntando Fazenda, Planejamento e Indústria, Comércio Exterior e Serviços – concedendo amplos poderes para seu guru ultraneoliberal Paulo Guedes impor sua agenda mais facilmente. Já a pasta da Educação deve ser unificada com Esporte e Cultura, precarizando os três ministérios em uma tacada só. Em relação a fusão mais absurda, entre Agricultura e Meio Ambiente, a própria equipe de transição está hesitante e ainda não confirmou. O ministério das Cidades será extinto e até mesmo o Ministério do Trabalho, demonstrando a natureza escravista deste novo governo.

Outra expressão evidente da continuidade e inflexão na passagem entre os dois governos está no papel do judiciário, em particular da Lava Jato e seu responsável Sérgio Moro, premiado com o cargo de Ministro da Justiça. Do golpe à eleição de Bolsonaro foi marcante a atuação do Judiciário, coroada com a ascensão de um dos seus homens para um cargo do governo, tudo em vista de dar apoio a agenda golpista de reformas, que com Bolsonaro se revestirá de ainda mais autoritarismo para passar por cima dos trabalhadores.




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