Sociedade

DEBATE

Para Stédile, Papa Francisco líder de uma instituição reacionária é na verdade um "revolucionário"

Guilherme de Almeida Soares

São José dos Campos

quarta-feira 16 de novembro| Edição do dia

João Pedro Stedile esteve recentemente no terceiro Encontro Mundial de movimentos populares junto com o Papa Francisco, realizado no Vaticano de 2 e 5 de novembro. Em artigo recente o líder do MST não poupa elogios ao maior líder da mais conservadora instituição do mundo, a Igreja Católica. Para Stédile, o Papa Francisco é um revolucionário (sic) conforme pode-se ler em seu artigo

De acordo com o líder do MST, o encontro se insere num processo permanente de debate, que teria iniciado em 2013, e segundo ele surgiu de uma vontade política do Papa, de dialogar e dar protagonismo (sic) aos movimentos populares de todo mundo, como estimulo a organização dos trabalhadores e dos mais pobres.

Na verdade, por trás da vontade politica do Papa Fransisco em dialogar com os movimentos sociais, existe o real interesse da Igreja Católica de voltar a ter mais influência na América do Sul. Com o rechaço de amplos setores por conta das posições reacionárias da igreja Católica, o Papa Fransisco teve que colocar uma mascara de progressista para poder dialogar com setores massivo de movimentos sociais. O continente ter sido o palco de "jornadas revolucionárias" em vários países na virada do milênio coloca também preocupações estratégicas para as elites mundiais em como desviar futuros processos da luta de classes.

Estas preocupações inexistem para Stédile. Afinal o protagonismo seria dos movimentos populares (e não do Papa) e o Papa não seria uma outra cara para os interesses reacionárias da Igreja, mas um revolucionário.

Por trás desta máscara de progressista do Papa, a Igreja Católica continua cumprindo o seu papel reacionário contra os negros, incentivando perseguição a religiões de matriz africana como vemos em várias denúncias, às mulheres, homossexuais e demais setores oprimidos da sociedade. O próprio "revolucionário" sentado na cadeira de Pedro foi ativo promotor de mobilizações contra o direito ao aborto e contra o casamento igualitário na Argentina.

O dirigente do Movimento Sem Terra prefere se aliar com a cara progressista do setor mais reacionário da sociedade, uma extensão ao nível internacional dos elogios do "progressismo petista" a Katia Abreu e outros latifundiários que foram contrários ao golpe institucional. Essa procura de "posições de força" em líderes de forças nada progressistas escancara, mais uma vez uma estratégia que nega o combate à direita, os empresários.

Stedile e outros movimentos sociais que tentam se ligar ao Papa Fransisco, vão acabar cumprindo um papel de fortalecer a influência da Igreja Católica dentro do continente. Com isso, não vai ser a imagem do Fransisco ’’progressista’’ que vai prevalecer na América Latina, mas sim de uma instituição que carrega, reproduz, abençoa inúmeros preconceitos. E mais, vai fortalecer posições reacionárias dentro do próprio MST.

A mesma igreja católica que persegue todos os membros da instituição que questionam minimamente o seu conservadorismo. O Papa Fransisco que é idolatrado por Stedile e outros, não des-excomungou membros da teologia da libertação. Hoje sequer existem as comunidades Eclesiais de Base, uma ótima operação de marketing para a mesma instituição da Opus Dei, que sem precisar recorrer a nada de sua cara dos anos 70 (onde as comunidades eclesiais serviam para dar uma cara de progressismo e conter o ascenso operário) já conta com movimentos sociais dizendo que o Papa é um "revolucionário".

Com a crise econômica e politica que o país está vivendo, crise esta que atinge profundamente o PT, o maior movimento social da América Latina vai à busca de lideranças e forças, não nas ocupações de escola e nos setores que saem em greve contra os ataques de Temer mas na cara "progressista" da reacionária Igreja Católica.




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