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Para Presidente da UNE, Weintraub quer "dialogar" e segue sem um plano para unificar estudantes e trabalhadores

Na quarta-feira da semana passada, o recém-eleito presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes) se reuniu com o reacionário Weintraub, ministro da Educação de Bolsonaro para discutir os projetos de educação e o Future-se. Enquanto por cima o presidente da UNE se reúne com Weintraub, na base a entidade não organiza assembleias nas milhares de faculdades do país para organizar o dia 13.

segunda-feira 12 de agosto| Edição do dia

Na última quarta-feira, 07, o presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), Iago Montalvão, sentou com o ministro da Educação, Weintraub, para discutir os rumos e projetos de educação no país, frente o anúncio do nefasto projeto Future-se.

Em entrevista ao Nexo Jornal, o presidente da UNE, eleito há um mês atrás no Congresso da UNE (CONUNE), ao falar sobre a reunião com Weintraub, declarou que “enxerga como uma conquista”, vendo com bons olhos uma abertura do governo para dialogar, iludindo-se com o potencial de diálogo de um governo de extrema-direita que tem como objetivo estratégico arruinar a educação.

Weintraub é o atual ministro da Educação de Bolsonaro, que no primeiro semestre promoveu um brutal corte nas universidades que ameaça a manutenção de seu funcionamento, e agora tenta implementar o projeto Future-se, que vai entregar as universidades às grandes empresas e aos interesses do capital privado.

A ilusão nutrida pelo presidente da UNE, de que teria suas propostas alternativas em relação ao Future-se acolhidas pelo ministro, revelou-se um desastre como mostram suas próprias palavras "Foi uma conversa pouco produtiva (...) O ministro não se comprometeu com o desbloqueio de verba, que foi nossa principal demanda".

A educação é um dos setores mais atacados do governo e mais do que nunca, precisamos enfrentar o governo Bolsonaro que vocifera contra a juventude, e não comemorar reuniões. Pois não será sentando com o ministro que quer cortar mais de R$348 milhões de reais que o movimento estudantil conseguirá impor derrotas aos planos privatizantes do governo, e sim construindo fortes mobilizações em cada local de estudo, e também de trabalho, unificando as forças e as pautas.

A juventude demonstrou sua força de oposição ao governo nas mobilizações do 15 e 30M. Entretanto, as direções, sendo a UNE dirigida pela juventude do PT e pela UJS, do PCdoB, não se unificaram ao movimento contra a reforma da previdência chamado pelas centrais sindicais, que tem os mesmos partidos, PT e PCdoB na direção, separando as lutas e os dias de paralisação. Isso ficou demonstrado também quando, há um mês atrás, no primeiro dia do Congresso da UNE em que Iago Montalvão foi eleito presidente da entidade, estava sendo votada e aprovada em primeiro turno, a poucos quilômetros de distância do evento estudantil, a reforma da previdência e nada foi feito.

Para derrotar o projeto Future-se e todos os ataques do governo Bolsonaro precisamos romper com a separação das lutas que as direções dos movimentos impõem. Por isso chamamos todas as forças de oposição de esquerda, como o PSOL, PCB, PCR, a construir um polo antiburocrático, chamando plenárias estaduais nas universidades de todo país, para debater quais caminhos seguir para que a luta seja vitoriosa, e qual programa levantar para que as universidades não só não sejam atacadas, como possam ir por mais, lutando pelo fim do filtro social e racial que é o vestibular, por exemplo.

Para derrotar o Future-se devemos apostar na mais profunda organização estudantil e de trabalhadores, construindo um plano de lutas capaz de pôr fim ao conjunto dos ataques e esse projeto do governo Bolsonaro, que inclui cortes de milhões à educação, reforma trabalhista, reforma da previdência e privatizações.




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