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FOME

Governo Doria mente dizendo que moradores de rua tem condições de comprar comida

O governador de SP João Doria que nunca passou fome na vida afirmou ao MP que os moradores de rua já tem condições de pagar pelas refeições devido ao retorno da circulação de pessoas nas ruas. Justificativa para encerrar o programa Bom Prato que servia refeições gratuitas durante a pandemia.

quarta-feira 21 de outubro| Edição do dia

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O programa Bom Prato existe desde dezembro de 2000 e conta com 58 restaurantes, 22 na capital onde em tempos normais se cobrava um real a refeição. O aumento do desemprego e as demissões em massa agravam ainda mais a situação dos mais pobres e a população de rua aumenta ano após ano. No ano 2000 eram 9 mil pessoas em situação de rua, o último censo em 2019 apontou 24.344 pessoas nessa condição degradante de vida só na cidade de São Paulo. A pandemia agravou ainda mais a situação.

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É nesse cenário que João Doria e sua equipe de governo encerraram o programa Bom Prato no dia 30 de setembro. A Defensoria Pública do Estado e da União bem como o Ministério Público abriram processo pelo reestabelecimento do programa, mas o governo Doria afirmou que "é evidente que os moradores de rua voltaram a angariar doações em dinheiro, alimentos e outras modalidades de apoio".

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A crise capitalista descarregada sobre os mais pobres e trabalhadores significa fome, adoecimento, mortes precoces e precarização no trabalho. Não à toa que quem mais morre de COVID-19 são pobres e na maior parte dos casos negros. Essa crise foi criada pelos capitalistas e que deve ser paga por eles, com suas fortunas acumuladas com o sangue e suor da nossa classe, com o não pagamento da fraudulenta dívida pública e fim de todos os mecanismos que vazem fluir montanhas de dinheiro público para as mãos dos capitalistas de forma legal e ilegal.

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É inadmissível que com toda a tecnologia e com tudo o que se produz de alimentos, com toneladas sendo jogadas fora todos os dias, pessoas passem fome. Pesquisadores e especialistas como a historiadora Adriana Salay afirmam que a fome passará de endêmica para pandêmica nos próximos períodos. Então além de uma pandemia de COVID-19, haverá uma pandemia de fome no Brasil se nada for feito. E o que há para se fazer senão a organização dos trabalhadores em unidade para impor uma grande luta contra esse regime apodrecido do golpe? Reverter todas as reformas e ataques por meio de uma Assembleia Constituinte e Soberana imposta pela luta que questione todo o regime, todas as regras desse jogo sujo da burguesia e imponha que sejam os capitalistas que paguem pela crise é uma saída real ao contrário daqueles (como PT e PCdoB) que apostam apenas nas eleições para mudar penas os jogadores como se assim fosse possível mudar a realidade por dentro do capitalismo.

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