Política

MODELO ISRAEL

Para Crivella, Rio “deveria ser murado como Jerusalém”

segunda-feira 21 de novembro de 2016| Edição do dia

Um verdadeiro show de horrores por parte dos governantes e autoridades, com suas declarações na imprensa sobre o acidente com o helicóptero da polícia nas imediações da Cidade de Deus. Roberto Sá declarou solidário aos policiais sem em nenhum momento citar os 7 jovens encontrados mortos e com sinais de tortura e espancamento após operação da polícia. Temer o segue, declarando suas condolências do alto do trono golpista, e Pezão decreta luto de três dias em nome dos policiais. Todos estes se calam sobre a retaliação policial aos moradores da Cidade de Deus, tornando se cúmplices e encobertadores dos assassinatos cometidos pelos policiais, em busca de vingança pela queda do helicóptero, que ainda nem conseguiram comprovar ter sido por ação do tráfico.

Mas nesta disputa para entre quem é mais reacionário, o futuro prefeito do Rio entrou como páreo duro. Em um encontro com líderes judaicos organizado por Theresa Bergher (PSDB), realizado na Catedral Mundial da Fé (templo da Universal que chegou a ser lacrado pelo TRE por propaganda eleitoral), Crivella declarou que a cidade do Rio “Deveria ser murada como Jerusalém”.

Como parte da elite acostumada a viver em caros condomínios, cercados de arame farpados e guardados por seguranças que invariavelmente moram em comunidades pobres da vizinhança, a proposta de Crivella tem a cara da alta elite carioca (aquela que defendia separar a Barra da Zona Oeste). Sua proposta é inspirada no que Eduardo Paes fez antes das Olimpíadas, enchendo de tapumes a Linha Vermelha, para esconder dos turistas as pessoas que Crivella disse que ia cuidar.

A diferença é que para Crivella, os tapumes de plástico seriam substituídos por muros de concreto, iguais ao racista muro que cerca a faixa de Gaza em Israel, e impede a circulação de palestinos dentro de seu próprio país. Instituindo, aliás, o que ocorre quando há situações como a operação de retaliação da polícia na Cidade de Deus, quando os moradores são obrigados a se esconder em suas casas sob pena de arriscarem ter o mesmo destino dos 7 jovens assassinados neste final de semana, que tiveram seus corpos encontrados escondidos na mata.

“Estamos vivendo uma profunda crise moral”, disse Crivella nesta ocasião, e é verdade. Esta crise é causada antes de tudo pela guerra às drogas, uma guerra praticada contra pobres e negros e que da qual se tira grande lucro com o comércio ilegal e muito dinheiro que é lavado por, ou com ajuda do alto escalão de políticos.

Leia também: Perícia inicial não encontrou marca de tiros no Helicóptero caído na Cidade de Deus




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