Política

BELO HORIZONTE

Para CUT e CTB o dia 25 não foi para derrotar os ataques de Temer nas ruas

O dia nacional de paralisação chamado pelas grandes centrais sindicais contou em BH e região metropolitana com atraso de turno na refinaria da Petrobrás em Betim (Regap), paralisação nas redes públicas e municipais da educação e cerca de quatro mil manifestantes que pararam as ruas da capital contra a PEC e o governo golpista. No ato, as centenas de estudantes secundaristas das ocupações e escolas em luta fizeram um bloco unificado. Os secundaristas, junto aos estudantes, professores e funcionários da UFMG ocupados e em greve, trabalhadores dos correios e professores das redes estadual e municipal foram a maior expressão da composição do ato.

Flavia Valle

Professora, Minas Gerais

sábado 26 de novembro| Edição do dia

Foto: Lidyane Ponciano/Sind-UTE MG e CUT Minas

Dando vazão à clara disposição de radicalização política contra a PEC e a reforma do ensino médio por parte dos estudantes e das categorias da educação, o dia 25 poderia ter sido um marco na luta contra a PEC e contra o governo golpista de Temer no estado. Porém, o que aconteceu para que as forças do dia 25 fossem menores se comparada inclusive com a que se expressou nos atos do dia 11?

Na Petrobrás, os petroleiros vêm se mobilizando apesar da vontade da burocracia sindical da CUT. Em professores da rede estadual, segue a mobilização da categoria apesar de não ter sido indicada assembleia de base e a direção da CUT ter defendido a negociação por escola da reposição dos dias parados, deixando os professores reféns das arbitrariedades das direções escolares e inspetorias locais. Os sindicatos de metalúrgicos, dirigido pela CUT em BH e Contagem e em Betim pela CTB, não fizeram nada, seguindo suas boas relações com a patronal que demite e impõe banco de horas e férias coletivas. No entanto, além das grandes centrais não darem o protagonismo aos estudantes secundaristas e universitários em luta no estado, que lutam junto a professores e funcionários nas universidades federais, a CUT e a CTB principalmente, não fizeram nada para impulsionar a organização desde a base nesse dia nacional de lutas.

Junto à política de paralisia de suas bases, a estratégia das direções destas grandes centrais (a CUT que tem maior peso de direção de categorias estratégicas em todo estado, como professores, metalúrgicos, petroleiros e bancários) e das grandes entidades estudantis (UNE e UBES) segue sendo de trégua ao governo golpista de Temer, apostando mais uma vez em saídas negociadas dentro das forças conservadoras que deram o golpe institucional no país. Agora a nova articulação em sua estratégia de conciliação por dentro do regime carcomido de corrupção das forças petistas é aportar numa saída pelo impeachment de Temer, como forma de uma resposta institucional para o PT tentar se recompor relativamente, tentando desviar a insatisfação popular para as eleições de 2018.

Junto a essa estratégia, as grandes centrais mergulharam na defesa de Fernando Pimentel que vem sendo alvo de investigações da polícia federal e está recuado, tendo em vista as prisões de Cabral e Garotinho no Rio de Janeiro, e se perguntam o quanto a Lava Jato conseguirá entrar também em Minas Gerais. Porém, ser contra a seletividade da lava jato e de seus interesses imperialistas não pode passar por defender um governo que sempre esteve ligado aos interesses das grandes mineradoras que roubam nossas riquezas e que destruíram cidades e a Bacia do Rio Doce, como a Samarco, a Vale e BHP. E agora, como parte desta forma de governar para os ricos capitalistas, Pimentel do PT cumpre o papel de lançar a repressão contra os estudantes universitários e secundaristas.

Portanto, estas grandes centrais e entidades estudantis, ao se subordinarem ao governo petista de Minas Gerais, são complacentes com a repressão aos estudantes secundaristas e universitários em luta. Repressão que serve ao jogo sujo do governo golpista dentro do estado, como vimos no dia 18 de novembro na UFMG e no dia 24 de novembro no centro da capital, contra os estudantes secundaristas.

Os estudantes e as categorias em luta que agora caminham para a jornada do dia 29 em Brasília precisam exigir das grandes centrais e entidades estudantis como a UNE e a UBES que rompam sua oposição comportada ao governo Temer e que rompam sua subordinação ao governo do PT de Pimentel. É preciso que a CUT e a CTB chamem assembleias de base logo após o dia 29 e sigam o exemplo da juventude, unificando-se à luta destes estudantes, para compor uma aliança estratégica entre a juventude e a classe trabalhadora, a única força que seria capaz de impedir a votação desta PEC. Caso contrário o dia 29 servirá apenas como parte do jogo petista de tentar negociatas com os políticos corruptos da direita dentro do Congresso e do Senado, para distrair a todos que saem às ruas querendo lutar e assim criar ilusões de que a saída para toda esta crise política e social é “por dentro” da atual forma de governo dos ricos e seus políticos.

A luta contra a PEC e contra o governo golpista tem que se dar de forma independente do PT e contra a lava jato que tenta dar uma saída reacionária para a corrupção. Por isso também lutamos por uma saída de fundo para a crise política e contra o governo golpista que passa pelos trabalhadores entrarem em cena politicamente, marchando lado a lado com os estudantes em luta por todo país que ocupam escolas e universidades. Que juntos imponham uma Assembleia Constituinte com a força da luta e das mobilizações, pois a atual crise da política dos ricos e os profundos ataques que estes preparam deixam claro que uma saída realmente democrática só poderá surgir de um papel político ativo de milhões de jovens e trabalhadores.

Que estes possam dizer quais mudanças querem: as atuais preparadas pelo governo golpista e levada à frente também pelos petistas como Pimentel contra a classe trabalhadora e a juventude; ou, como na luta que nós do Esquerda Diário e do MRT travamos, retirar os privilégios dos políticos, fazer com que seus salários sejam iguais ao de uma professora ou de um trabalhador, fazer com que seus cargos revogáveis, acabar com o poder das polícias assassinas e dos judiciário, golpista, poderoso e com salários de dezenas de milhares, estatizar sob controle dos trabalhadores os grandes conglomerados de ensino privado, e permitir que os partidos da classe trabalhadora tenham espaço democrático, apontando assim uma forma revolucionária para fazer surgir um verdadeiro governo dos trabalhadores que se contraponha a todas as mazelas geradas pelos capitalistas e seus lucros.




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