Sociedade

IGREJA CATÒLICA

Papa condena ensino de liberdade de gênero em escolas

terça-feira 2 de agosto| Edição do dia

O vaticano publicou hoje a transcrição de uma reunião do Papa Francisco com bispos na sua recente viagem à Polônia, onde o Pontífice da Igreja católica condena o ensino de questões ligadas à Gênero nas escolas pelo mundo.

O Papa encontrou nos livros didáticos fornecidos por "pessoas e instituições que doam dinheiro" a culpa pelo que chamou de "colonização ideológica" apoiada por "países muito influentes". Fez questão de ressaltar: "Um dos casos dessa colonização é - digo claramente com todas as letras - o gênero!", e continuou seu repúdio afirmando: "Hoje as escolas ensinam para as crianças - para as crianças! - que qualquer um pode escolher seu gênero" e "É horrível que as crianças aprendam nas escolas que podem escolher seu gênero!", citou ainda uma conversa com o antigo Papa Bento XVI onde este lhe teria dito que "Deus fez o homem e a mulher. Deus fez o mundo deste jeito, deste jeito, e nós estamos fazendo o contrário".

Não há nenhuma novidade no que se refere à postura histórica da igreja frente às questões das mulheres e principalmente LGBT’s, que sempre foram no sentido de manter a opressão sobre esses setores e até tratá-los como horríveis aberrações da obra de Deus. As palavras do Papa Francisco, porém, ecoam num tom assustador quando lembramos que um país como o Brasil, que tem a maior população católica do mundo, é também um dos recordistas de violência de gênero e LGBT e de mortes por abortos clandestinos, temas que são influenciados diretamente pela doutrina religiosa que no Brasil e em muitos lugares do mundo se fundem com as bases políticas.

É importante também ressaltar que Francisco, desde o princípio, foi escolhido para ser um Papa que levasse à frente um projeto de rejuvenescer a Igreja Católica, por isso os constantes diálogos sobre temas tão tocantes à juventude de todo o mundo. Juventude que, num momento de crise capitalista, ferve de contradições e que vê cada vez mais oprimidos seus direitos mais básicos. Na mesma viagem à Polônia, Francisco fez um discurso que ganhou destaque com ar de contestação chamando a juventude à "rebelar-se" contra os problemas do mundo, no fundo foi apenas mais uma tentativa de se colar numa juventude cada vez mais sem perspectivas antes que essa se rebele contra a própria igreja católica, que é um dos pilares da sociedade atual.

Se posto diante do momento brasileiro, o discurso do Papa é ainda mais problemático, Por aqui, um estuprador confesso tem liberdade para levar ao governo sugestões sobre educação que se alinham com o expresso por Francisco. Ainda nos ronda a ameaça de projetos reacionários como o Escola Sem Partido, que dentre outras coisas, busca proibir as discussões sobre gênero e sexualidade nas escolas públicas.

Por fim, resta constatar apenas a hipocrisia das palavras de Francisco que condena uma suposta "colonização ideológica", quando historicamente é a igreja católica a responsável por verdadeiros desastres humanitários, seja no extermínio e evangelização de povos e culturas nativas, seja infiltrando sua doutrina em nossas escolas e sua moral em nossas leis, política, casas e corpos.




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