Gênero e sexualidade

ABORTO

Papa Bergoglio contra o aborto e o casamento igualitário

sábado 20 de fevereiro de 2016| Edição do dia

Anteontem, na coletiva de imprensa que levou o Papa da cidade de Juárez à Roma, ele voltou a surpreender com uma abertura da possibilidade do uso de contraceptivos como “mal menor” em casos excepcionais, como pode ser agora com a difusão do zika vírus, especialmente arriscado para as mulheres grávidas. E desestimulou e condenou de forma categórica o aborto como solução ao mesmo problema.

Da mesma forma, “destacou” a permissão de Papa Pablo VI para as monjas da África de usar métodos contraceptivos em caso de estupro. “Evitar a gravidez não é um mal absoluto. Em certos casos, como esse (do zika), como na nomeação de Pablo VI, era claro”, indicou. Além disso, disse que o ideal seria que o mundo da medicina encontrasse uma vacina contra o vírus transmitido pelos mosquitos.

A igreja católica, baseando-se na carta papal Humanae Vitae (1968), justamente de Pablo VI, proíbe o uso de métodos artificiais para o controle da natalidade.

Obscurantismo homofóbico

Em 5 de janeiro, mais de um milhão de pessoas se reuniram em 82 cidades da Itália para manifestar pela sanção de uma lei pelo casamento igualitário sob o lema “É hora de direitos civis: acorda, Itália”.

Diante de uma pergunta sobre qual deveria ser a atitude dos parlamentares católicos italianos na hora de votar essa mesma lei sobre uniões civis homossexuais, o Papa assegurou que o legislador “deve votar segundo a própria consciência bem formada”.

E para explicar o significado contrário a isso, recordou um episódio argentino de quando foi votada a lei do casamento igualitário em Buenos Aires. A lei se encontrava “ali, empatada nos votos e, ao final, um aconselhou ao outro: Vê claramente? Não. Tampouco eu, mas assim perdemos. Mas se não votamos, não existe quórum. Mas se existir o quórum, votamos com Kirchner. Prefiro votar com Kirchner e não a Bergoglio e companhia”, contou. E explicou: “isso não é consciência bem formada”.

Não foi muito diferente sua posição no Sínodo Papal: “Os homens e as mulheres com tendências homossexuais devem ser acolhidos com respeito e delicadeza. Os projetos pastorais diocesanos devem reservar uma atenção específica ao acompanhamento das famílias que contam com membros homossexuais”, escreveu no documento.

Tampouco duvidemos da posição do Sacerdote Supremo com respeito às pessoas transexuais: “Pensemos nas armas nucleares, na possibilidade de aniquilar em alguns instantes um número muito elevado de seres humanos. Pensemos também na manipulação genética, na manipulação da vida, ou na ideologia de gênero, que não reconhece a ordem da criação. Com essa atitude, o homem comete um novo pecado, que é contra Deus, o Criador”.

Pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito

Vale destacar que a campanha pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito não existe para a utilização como um método contraceptivo, ainda que fosse necessária. Se trata de que as mulheres possam decidir sobre seu próprio corpo e deixem de morrer por essa causa evitável. São quase 3 mil mulheres que morreram na última década pelo capricho obscurantista do governo e da oposição de direita.




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