REFORMA TRABALHISTA

Pão de Açúcar e Magazine Luiza dão 12h de jornada pros trabalhadores de presente de natal

Usando de base um dos pontos da reforma trabalhista, os grandes varejistas implementarão a jornada de 12h para ter ainda mais lucro com as festividades de final de ano.

Rafaella Lafraia

São Paulo

sexta-feira 22 de dezembro de 2017| Edição do dia

Todo final de ano é as empresas fazem a mesma coisa para cobrir o aumento da demanda com as compras geradas pelas festividades: contratação de funcionários de forma intermitente. Mas, este ano vão além: para diminuir os custos com funcionários estas empresas usarão como base um ponto da reforma trabalhista – a jornada de 12 horas! Como apresentado em matéria da carta capital pelo menos duas grandes empresas já anunciaram que irão adotar esse modelo: o Grupo Pão de Açúcar e Magazine Luiza.

Vale lembrar que o Grupo Pão de Açúcar, já havia anunciado que avaliava implementar tal jornada, como apresentado aqui, controla outras redes como os supermercados Extra e Pão de Açúcar, o atacadista Assaí e as varejistas de móveis e eletrodomésticos Ponto Frio e Casas Bahia, totalizando 91 mil funcionários em mais de 1.100 lojas, somente no chamado segmento alimentar.

Por trás da preocupação apresentada pelo presidente do Grupo Pão de Açúcar, Ronaldo Labrudi, quando afirma que vai "olha com muita cautela e muita responsabilidade", e da afirmação entusiasmada do presidente do Magazine Luiza, Frederico Trajano, falando que “agora é possível empregar mais gente”, é sabido que o que mais importa é o lucro da empresa, fazendo se valer desta nova lei que, de certa forma, regulamenta a nova forma de escravidão para os trabalhadores, fazendo com que estes paguem por uma crise que não é deles!

Não é de se espantar que o varejo - um dos maiores empregadores do país - foi forte apoiador da reforma trabalhista e está entre os setores que podem se beneficiar muito das novas regras.

Ainda há aqueles que defendem esta nova escravidão: "O turno de 12 horas visa mais do que economia: os empregadores querem liberdade para organizar seus turnos de trabalho. Querem, por exemplo, contratar empregados em regime de revezamento em que cada um deles trabalhe 12 horas consecutivas para folgar 36, sem ultrapassar o número máximo de horas mensais, de modo a não interromper jamais a produção e não precisar pagar horas extras", explica Jorge Boucinhas, professor de Direito Trabalhista da Fundação Getulio Vargas.

Devemos lembrar que a antiga legislação trabalhista brasileira tinha brechas que já atacavam os trabalhadores, mas que alguns direitos que ali estavam eram resultado da luta de anos de diversos trabalhadores do mundo todo. Com a reforma todos os trabalhadores têm a perder, já que esta foi pensada em sua totalidade para precarizar ainda mais as condições de trabalho e garantir o lucro dos grandes empresários.

Não devemos aceitar tais condições e devemos lutar pela revogação desta nova legislação que vai matando os trabalhadores aos poucos. E esta luta deve estar aliada contra a aprovação da reforma da previdência, que também é outra forma brutal de ataque aos trabalhadores que garante que estes morram sim trabalhando! Para isso, devemos seguir o exemplo dos argentinos e lutarmos contra estes ataques! Devemos construir comitês de base para implementarmos uma assembleia constituinte livre e soberana, pois somente quando as decisões forem tomadas por aqueles que fazem é que teremos melhores condições de vida!

Fonte da foto: CustomerTalk




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