Sociedade

Pantanal arde em chamas enquanto Bolsonaro defende o lucro do grande latifúndio

Este ano, até o momento, o Pantanal já ardeu em chamas por uma área maior do que o tamanho das capitais, São Paulo e Rio de Janeiro, juntas. É uma verdadeira destruição com a conivência do governo Bolsonaro. Lutar pela preservação do meio ambiente é uma tarefa primordial para toda a classe trabalhadora, sendo essa realizada em prol da natureza e não pelos lucros dos capitalistas.

quarta-feira 9 de setembro| Edição do dia

Foto: Gustavo Basso

De acordo com dados do Prevfogo, o Centro Nacional de Prevenção e Combate aos incêndios florestais do IBAMA, de janeiro até o final de agosto deste ano o Pantanal brasileiro já havia queimado uma área correspondente a 10 vezes o tamanho das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro juntas, ou seja, 2,3 milhões de hectares. No mesmo período foram registrados mais de 25,4 mil focos de calor na região, um aumento de 29% comparado com ano passado. O fogo atinge parte do Parque do Xingu, da Chapada dos Guimarães, Parque Estadual das Nascentes do Taquari, Parque Estadual Encontro das Águas - que abriga a maior concentração de onças pintadas do mundo -, entre outros parques e áreas de preservação local na região, considerada a maior planície alagada do mundo, com 140.000 km² em território brasileiro.


Onça-pintada ferida em incêndio no Pantanal. Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Perícias feitas na região dos incêndios apontam que as queimadas foram provocadas por ação humana. Sabemos que há décadas a região é alvo de interesse de latifundiários, do agronegócio, de exploração predatória para garimpos. E com o passar dos anos e governos, pouco se fez pela manutenção e preservação ambiental da região. Blairo Maggi, o rei da soja, que foi governador do estado do Mato Grosso de 2003 à 2010, é uma das figuras que representam bem a política desses últimos anos. Se beneficiou enormemente no período lulista com a alta dos preços das commodities e quando o país exportava milhões de sacas de soja para a China anualmente. Depois veio a ser Ministro da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento do governo golpista de Michel Temer em 2016. Em 2018 foi denunciado pela Procuradoria Geral da República por corrupção ativa no esquema de compra e venda de vagas no Tribunal de Contas do Mato Grosso, da época em que foi governador.

Sob o governo Bolsonaro temos presenciado diversas falas e ações principalmente do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, de que é preciso afrouxar as leis ambientais para que haja desenvolvimento, de que "a oportunidade é passar desregulamentação". Ricardo Salles falou abertamente naquela famigerada reunião de 22 de abril que queria aproveitar o momento da pandemia onde os holofotes midiáticos estão voltados para outros temas e passar a boiada. O vice presidente reacionário e entusiasta da ditadura militar, Hamilton Mourão, também não fica para trás quando o assunto é destruição do meio ambiente em prol do lucro dos capitalistas. Sob o seu comando está o Conselho Nacional da Amazônia, órgão responsável pelo controle do desmatamento da região. No entanto em junho foi registrada a maior queimada em 13 anos, com um aumento no número de focos de incêndio em 19,54% comparado a junho de 2019.

O ministro Ricardo Salles também relatou na semana passada um bloqueio de mais de R$60 milhões aos órgãos do IBAMA e do ICMBio e que isso poderia levar a suspender ações de combate ao desmatamento tanto na Amazônia, quanto no Pantanal, tendo que ser desmentido pelo general Mourão, num jogo de força e interesses que no fundo tem o mesmo objetivo: destinar as riquezas naturais aos capitalistas, seja por meio de arrendar terras indígenas como quer Salles, seja preservar parte dos parques e áreas protegidas para investimentos estrangeiros como quer Mourão.

Lutar pela preservação do meio ambiente é uma tarefa primordial de toda a classe trabalhadora do campo e da cidade. O Brasil é um país com dimensões continentais onde apenas 1% dos proprietários de terras rurais concentram 50% dessas áreas. Um país que nunca passou por nenhuma reforma agrária e que construiu sua identidade em base à foice e facão no latifúndio. É preciso um programa que enfrente os capitalistas do campo a começar por uma reforma agrária radical que exproprie os grandes latifúndios, seu maquinários sejam controlados pelos trabalhadores do campo, com incentivos aos pequenos produtores. Assim começaremos a buscar um equilíbrio com o ecossistema, mantendo e conservando o meio ambiente cada vez mais, em prol da vida e da preservação da natureza e não do lucro capitalista.




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