Sociedade

OCUPAÇÃO MILITAR DO RIO

Panfletos jogados de helicóptero na Rocinha mostram um plano de cidade para as elites

quarta-feira 27 de setembro| Edição do dia

FOTO:Márcio Mercante/Agência O Dia

Já com 10 dias de ocupação militar, sendo 4 deles com 900 homens do exército, a favela da Rocinha recebeu ontem uma remessa de panfletos do governo com os números do disk-denúncia pedindo que os moradores passassem supostas informações sobre o tráfico.

O verso deste panfleto com uma imagem da praia e uma frase "Não basta ser maravilhoso, tem que ser segura." é uma denúncia gritante de que o plano de segurança nacional não passa da manutenção dos privilégios da elite carioca e fluminse, que domina e lucra com uma cidade desigual que vive da exploração dos trabalhadores.

Maravilhosa para quem?

Um cartão postal de uma praia, organizada para os turistas "gringos" usufruírem, e para as elites, lugar aonde a massa dos trabalhadores quase não vão, passando a maior parte do tempo em um transporte lotado. Para eles, a cidade já é maravilhosa, falta apenas a "segurança".

Sua segurança, é claro, depende de invadir e arrombar a casa dos moradores, revistar todos inclusive crianças, deixar 3.300 crianças sem aulas e fechar os postos de saúde na Rocinha.

Com recorde de desempregados (mais de um milhão em todo o estado), caríssimo aluguel, transporte precário, empregos precários aumentando com a reforma trabalhista, e um governo estadual que sucateia a saúde e a educação e ainda atrasa salário de servidores e terceirizados, esta cidade só é maravilhosa para aqueles que não precisam trabalhar.

Segurança para os ricos

Enquanto dezenas Qualquer um que for à orla do Leblon, Ipanema ou a maioria das áreas da Zona Sul, vai ver que a segurança dos ricos é feita na casa dos pobres. Enquanto nestas áreas, quase não há presença ostensiva do exército, na Rocinha são 14 blindados e 900 homens, com direito de invadir casas, mandados de busca coletivos, revistas intimidatórias. Estas máscaras de caveira não são para dar segurança ao morador da Rocinha, pelo contrário, são para aterrorizá-los.


FOTO: Mauro Pimentel/AFP

Também leia: Máscaras de caveira são a cara do desrespeito aos direitos constitucionais na Rocinha

A burguesia teme que o Rio se torne um barril de pólvora, afinal, é aqui aonde os empresários ricos e a casta política é mais conhecida pela sua corrupção e roubalheira, vivendo de sugar o trabalho, encarecer a vida dos trabalhadores e fazê-los passar sufoco no transporte público ou no hospital. Por isso, avançam, primeiro nas favelas, tentando naturalizar a presença dessas tropas.

Querem manter a cidade maravilhosa deles, com segurança para seus negócios capitalistas. A crise do Rio de Janeiro só pode ter uma saída progressista para os trabalhadores atacando o lucro dos capitalistas, fazendo os pagar pelo desemprego, precarização e por toda roubalheira do estado com um imposto progressivo sobre as grandes fortunas. A guerra às drogas, uma guerra falida levada adiante por uma polícia e um estado corruptos, só pode ter fim com a legalização das drogas.




Tópicos relacionados

favela   /    Sociedade   /    Rio de Janeiro   /    Política

Comentários

Comentar