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Pandemia e capitalismo, a luta em duas frentes da classe trabalhadora

Matías Maiello

Pandemia e capitalismo, a luta em duas frentes da classe trabalhadora

Matías Maiello

A pandemia do coronavírus quebrou o precário equilíbrio que o capitalismo vinha arrastando, mas ainda é muito difícil determinar a extensão e a profundidade que a crise sanitária alcançará a nível global após a degradação (e mercantilização) à qual o capitalismo submeteu os sistemas de saúde. O caráter confuso da informação, a pouca confiabilidade dos informes dados por diferentes governos e, sobretudo, a ausência de testes massivos que sirvam para fazer um mapa confiável da extensão e taxa de mortalidade do vírus introduzem uma maior incerteza na situação. Frente a este cenário, com as vidas de milhões em risco, nós assumimos que o perigo é máximo.

Texto originalmente publicado em espanhol na Ideas de Izquierda Argentina, sessão da Rede Internacional de Diários La Izquierda Diario, traduzido por Marie Resneir.

A pandemia do coronavírus quebrou o precário equilíbrio que o capitalismo vinha arrastando, atravessado por tendências recessivas à nível mundial, órfão de novos motores de acumulação, com crescentes tensões geopolíticas, e estampado por um amplo ciclo de revoltas.

Ainda é muito difícil determinar a extensão e a profundidade que a crise sanitária alcançará a nível global após a degradação (e mercantilização) à qual o capitalismo submeteu os sistemas de saúde.

O caráter confuso da informação, a pouca confiabilidade dos informes dados por diferentes governos e, sobretudo, a ausência de testes massivos que sirvam para fazer um mapa confiável da extensão e taxa de mortalidade do vírus introduzem uma maior incerteza na situação.

Frente a este cenário, com as vidas de milhões em risco, nós assumimos que o perigo é máximo. Sobre as consequências econômicas, por sua vez, tudo indica que terão uma magnitude histórica com depressão, crises de dívidas, milhões de demissões, índices de pobreza disparados, etc.

Politicamente, os fechamentos de fronteiras se generalizam e as tendências bonapartistas dos regimes burgueses são exacerbadas. Muitos países têm como pano de fundo crises orgânicas que vinham se desenvolvendo anteriormente, assim como o recente ciclo da luta de classes que se desenvolveu a nível internacional.

Em seu informe no começo de março, “A Era das manifestações massivas”, o thinktank CSIS (Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais) sinalizava:

Em um grande giro da história, as manifestações se silenciaram nas últimas semanas provavelmente devido ao surto do novo coronavírus [...]. É provável que o coronavírus suprima as manifestações a curto prazo, tanto pelas restrições governamentais nas zonas urbanas como pela renúncia dos cidadãos à exposição em grandes reuniões públicas. No entanto, dependendo do curso futuro desta provável pandemia, as respostas do governo ao coronavírus podem se transformar em outro gatilho de manifestações políticas massivas.

Efetivamente, e as consequências da crise econômica também. Governos amplamente repudiados pelas massas que tem sido golpeados pela luta de classes, como o de Piñera no Chile ou o de Macron na França, entre outros, dificilmente podem ficar tranquilos ainda que as ruas hoje estejam dominadas pelo exército e pela polícia.

Pelo contrário, provavelmente a lista de países do recente ciclo da luta de classes se amplie em condições de crises muito mais profundas. Ainda no começo da crise, a greve da última quarta-feira (25) na Itália parece começar a esboçar esta tendência, em meio a uma situação social virtualmente explosiva onde os setores precários e empobrecidos são condenados a sofrimentos cada vez maiores.

A “guerra” contra o coronavírus e a continuação da política por outros meios

Para combater o surto do coronavírus a maioria dos governos capitalistas a nível global oscilam entre as quarentenas massivas e a chamada “imunidade coletiva”, ou seja, contágio massivo para criar anticorpos na população, como armas principais, quando não exclusivas, para atenuar a crise.

Hoje, por volta de um terço da população mundial (2,6 bilhões de pessoas) estão sob medidas estritas de restrição de movimento ou diretamente confinados para evitar a propagação comunitária do vírus.

Paralelamente, a grande burguesia destes países obriga uma porção da classe trabalhadora a seguir produzindo em setores não essenciais para garantir seus lucros. Por outro lado, as vozes em sintonia com a “imunidade coletiva” se alçam, começando pelo próprio Trump, e sinalizam que “o remédio não pode ser pior que a doença”, que o dano à economia (leia-se no seu caso o lucro capitalista) será pior que a crise sanitária; durante a semana do 16 de março, 3,28 milhões de pessoas requisitaram o seguro desemprego, o que supera em muito o pico mais alto na sua história.

As opções colocadas assim para as grandes maiorias seriam ou arriscar a vida de um setor da população deixando que o vírus se propague espontaneamente, ou condenar uma parte cada vez maior do povo trabalhador ao desemprego e à miséria, ou talvez uma combinação das duas anteriores. Na era da biotecnologia, da clonagem, da decifração do genoma humano, estas seriam as variantes oferecidas pela burguesia para combater o coronavírus. Dois métodos milenários que, por ação, a quarentena massiva, e por omissão, a “imunidade coletiva”, foram utilizados historicamente para conter a expansão de doenças contra as quais a medicina carecia de recursos suficientes. É simples entender a “falta de recursos” para enfrentar a praga de Justiano no século VI mas, sem dúvida, significa algo muito diferente no século XXI.

É repetido uma e outra vez, do Macron na França até Alberto Fernández na Argentina. Dizem que “lutamos contra um inimigo invisível”. Mas o que quer dizer que um vírus é um “inimigo invisível”? No dia 10 de janeiro, cientistas chineses publicaram na internet o genoma do vírus. No caso da Coreia do Sul, quando começou o surto local (20 de janeiro) contava com uma capacidade de realização de testes do vírus para 15.000 pessoas por dia. Com este mecanismo conseguiu “ver” a propagação do vírus e contê-lo, pelo menos no começo. Casualmente, ou talvez não tanto, naquele país estão oficialmente em guerra, ainda que mediando um armistício desde 1953 com a Coreia do Norte. Os métodos policiais utilizados para o controle dos “infectados” estão lá para lembrar disso.

Na atualidade, da burocracia da Organização Mundial da Saúde (OMS) até o New York Times defende-se que os testes massivos são chave para um combate efetivo do vírus. Porém, os testes são artigos de luxo que não aparecem.

Longe do discurso bélico com o qual todos os governos buscam justificar medidas dacronianas com a população, o que realmente fica exposto é o caráter de classe dos governos e suas instituições.

Em 1940, para preparar a entrada dos EUA na Segunda Guerra Mundial, Roosevelt ordenou a produção de 185 mil aviões em dois anos (em 1939 eram produzidos apenas 3 mil por ano) e conta que os assessores de Hitler opinaram que era propaganda. Para 1945, os EUA haviam produzido 300 mil aviões e quantidades siderais de equipamento militar, isso sem mencionar o “Projeto Manhattan” que foi concluído com a criação da bomba atômica.

80 anos depois parece que não podem ser produzidos em massa milhões de testes para diagnosticar o coronavírus, que existem problemas até para abastecer os trabalhadores de saúde com máscaras de proteção e que não podem ser massivamente fabricados respiradores para cobrir toda a demanda mundial, quando em 2016, por exemplo, no mundo foram produzidos mais de 6 milhões de carros por mês.

Agora, apenas depois de meses de pandemia, em países como a Itália, os EUA ou a Grã Bretanha parecem ter “descoberto”, por exemplo, que as montadoras de automóveis teriam que fabricar respiradores artificiais.

O que houve durante as últimas décadas foi uma “guerra” contra os sistemas de saúde pública. Agora, em vez de uma articulação rápida dos meios necessários para enfrentar a crise sanitária e suas consequências nas condições de vida das grandes maiorias, os governos se dispõem a outorgar resgates massivos aos capitalistas. Nesta semana nos EUA, republicanos e democratas assinaram o “maior resgate da história”, mais que o dobro em comparação ao de Obama em 2008. São 2,2 bilhões de dólares que serão divididos majoritariamente entre as grandes corporações e Wall Street, enquanto os trabalhadores receberão aumentos temporários dos montantes do seguro desemprego e um pagamento único por parte do Estado de 1200 dólares por adulto e 500 por filho quando os custos do tratamento do coronavírus, em um país onde a saúde está completamente mercantilizadas, são muitas vezes estas cifras e o desemprego disparou com milhões de demissões. Parafraseando Clausewitz, existe sim uma “guerra contra o coronavírus” como dizem, esta parece muito uma continuidade da política de descarregar a crise nos trabalhadores por outros meios cada vez mais bonapartistas.

Mas tampouco é tão fácil, não se trata de “mais uma crise”. A tensão entre os polos da “quarentena geral” e a “imunização comunitária” expressa de maneira distorcida a contradição imediata que existe entre as respostas políticas dos regimes burgueses para se sustentarem em cenários de crises orgânicas ou elementos delas, em alguns casos atravessadas por importantes processos da luta de classes recentes, e as necessidades econômicas de proteger os lucros capitalistas a qualquer custo no contexto da crise.

O “essencial” depende da classe a partir de onde se enxergue

Enquanto não exista um fator favorável como poderia ser uma medicação efetiva, uma vacina disponível, ou mudanças na própria evolução do vírus, etc., será difícil se sustentar para a maioria dos governos apelando para a “imunização comunitária” e assimilar o risco das consequências. Assim, diante do desmantelamento da saúde pública, as quarentenas gerais cumprem, além de um papel de contenção básica a pandemia (na maioria dos casos sem sequer testes massivos para saber a extensão e distribuição do vírus), o papel político de medidas de efeito para cobrir as consequências das próprias políticas e a inação atual, e por sua vez buscar o fortalecimento do poder do Estado capitalista frente à crise (ofensiva policial-militar, limitação dos direitos democráticos, concentração do poder no Executivo). A contradição é que essas medidas de paralisação afetam imediatamente os lucros de muitos grandes capitalistas.

Disso vem as diferentes respostas. Como o caso de Bolsonaro no Brasil e outros governos que buscam minimizar o problema sanitário para manter o funcionamento capitalista normal da economia. Linha que tiveram a maioria no começo para logo depois retroceder; Boris Johnson na Grã Bretanha expressou talvez o giro mais paradigmáticos. Até casos ‘combinados’ como o de Piñera no Chile, que decretou o “estado de catástrofe” para mobilizar o exército mas dando ampla continuidade à economia. Mas na Europa, atual epicentro da pandemia em número de mortes, países como a Itália, o Estado Espanhol ou a França, onde a combinação entre degradação dos sistemas de saúde e a inação se tornaram insustentáveis, os governos decretaram a quarentena, enquanto a burguesia briga, além de pelos “resgates” estatais, por garantir a possibilidade de seguir explorando seus trabalhadores.

Uma batalha é travada ao redor do que é uma “atividade essencial”. Uma pergunta, à qual um setor importante da classe trabalhadora se vê obrigado a responder, e que se refere em algum nível a um problema de planificação econômica frente à crise sanitária. Claro que a resposta varia enormemente segundo o critério adotado. Sob o princípio norteador do lucro capitalista, por exemplo, na Segunda Guerra Mundial as grandes corporações norteamericanas como Du Pont, General Electric, Westinghouse, Singer, Kodak, ITT, JP Morgan não tiveram inconveniente algum em prestar seus serviços ao Terceiro Reich, tampouco ESSO em abastecê-lo com petróleo, ou as fábricas de Ford e General Motors em produzir para Hitler [1]. Eram auto-consideradas “atividades essenciais” que deveriam continuar maximizando lucros nos marcos do massacre generalizado.

Partindo deste mesmo critério, na Itália, onde atualmente é registrado o maior número de mortos e a população está em um estado de sítio virtual, a Cofindustria (confederação patronal) considerou pertinente alterar a declaração do governo de Conte que tinha falado de frear todas as “atividades não essenciais”, e adicionar exceções para “setores de importância estratégica para a economia”. Para assim incluir a fabricação de armamentos, aeronáutica, eletrodomésticos, indústria de pneus, grandes porções do setor têxtil, a construção civil e as obras públicas, assim como boa parte do setor metal mecânico, metalurgia e siderurgia. Sem, por outro lado, se importar com garantir condições de segurança sanitária necessárias. O encorajamento patronal corresponde com a ação do “Estado ampliado” que conta com a cumplicidade das burocracias sindicais CGIL, CISL y UIL, enquanto o discurso oficial de “todos em casa” busca invisibilizar que no meio desta situação crítica 10 milhões de trabalhadores mantém o funcionamento da sociedade.

O novo é a resposta dos trabalhadores, que havia começado nas últimas semanas com “greves selvagens” em setores metalurgicos e de logística, mas que deu um salto na última quarta-feira (25) com a paralisação geral impulsionada especialmente pelo USB, um dos “sindicatos de base” italianos, junto aos metalúrgicos do FIOM-FIM-UILM da Lombardía e do Lacio. Amplos setores de trabalhadores se somaram, naquelas regiões a greve teve uma participação de entre 60 e 90%. Também pararam setores da indústria do papel, têxtil e química. Foi sintomático o chamado assinado por mais de 400 enfermeiras convidando a se somar à paralisação todos aqueles setores não essenciais e aderindo com um minuto simbólico à greve. A “Comissão de Garantia de Direito de Greve” impugnu a proclamação de greve, alegando cinicamente razões de segurança relacionadas com a pandemia e reservando-se o direito de impor sanções.

Os grandes meios capitalistas fizeram tudo que fosse possível para invisibilizar a ação operária, quando no sul empobrecido começam a existir saques e os trabalhadores “informais” podem apenas subsistir. No entanto, como sinaliza Giacomo Turci na La Voce delle Lotte (parte da Rede Internacional La Izquierda Diario), a greve começa a romper a “unidade nacional” reacionária que impera na Itália. Atrás da qual se pretende ocultar, como nos mais diversos países, que enquanto são trabalhadoras e trabalhadores aqueles que estão à frente do combate contra a pandemia, assim com garantindo a produacumulando lucros nas atividades “essenciais”, em muitas outras pressionando para seguir explorando seus trabalhadores como puderem, demitindo, condenando os setores mais pobres a passarem fome, enquanto garantem para si “resgates” e subsídios estatais.

Controle operário e "readequação" ou "conversão econômica”

A greve na Itália, que acontece em meio à quarentena e à militarização do país, provavelmente seja uma primeira prévia do cenário renovado da luta de classes que irá se reconfigurando, não somente pela crise sanitária mas pela profunda crise econômica que os capitalistas já estão descarregando na classe trabalhadora com milhões de demissões como se pode ver, por exemplo, nos níveis recorde que alcançam os pedidos de seguro desemprego nos EUA ou o milhão de demissões e 1,5 milhões de suspensões no Estado Espanhol. Ao redor das quarentenas e das lutas em torno das “atividades essenciais”, tanto no que faz garantir as condições de segurança e higiene nos locais de trabalho, quanto a negativa de outros setores para aceitar o critério de “essencialidade” (lucros) dos capitalistas e a defesa de readequar indústrias para enfrentar a crise sanitária, começa a ser colocado na mesa o problema mais amplo (e fundamental de cara com a crise) sobre quem organiza a produção e sob quais critérios.

Um exemplo significativo em outro dos epicentros do surto do coronavírus, acontece em torno da gigante aeronáutica francesa Airbus. Há duas semanas, em uma das suas terceirizadas, trabalhadores se organizaram para forçar o fechamento por não existirem condições mínimas de segurança (um conflito similar está se desenvolvendo na Airbus do Estado Espanhol). Logo depois, a empresa e o governo Macron começaram a pressionar para voltarem ao trabalho. Com sinaliza Gaëtan Gracia, delegado sindical da CGT Talleres Haute-Garonne: “Enquanto faltam máscaras para os trabalhadores da saúde, não apenas nos hospitais, mas também nos serviços das cidades, nas ambulâncias, etc. nos perguntamos: por que foi fácil para a Airbus conseguir 20.000 máscaras?”. Assim, os trabalhadores de vários sindicatos exigiram como sua resposta que “todas estas máscaras devem ser entregues aos médicos com caráter de urgência” e logo sejam garantidos para eles. E ao mesmo tempo defenderam converter a produção da indústria aeronáutica para a produção respiradores.

Se existe algo que se manifestou nessa crise é que é a classe trabalhadora que ocupa todas as posições estratégicas para a produção e reprodução da sociedade. Se, como temos desenvolvido em outros artigos, em termos de estratégia revolucionária estas posições são definidoras tanto pelo seu “poder de fogo” para paralisar o funcionamento da sociedade, assim como também quanto seu lugar privilegiado a partir do qual aglutinar o povo explorado e oprimido, também o são do ponto de vista da possibilidade de reorganização da sociedade sob o critério da satisfação das necessidades das grandes maiorias, alternativo e oposto, ao dos lucros capitalistas. Como explicava Trotsky em uma entrevista para E. A. Rossa sobre a Revolução Russa:

… controlaremos que a fábrica esteja dirigida não do ponto de vista dos lucros privados, mas do ponto de vista do bem-estar social democraticamente entendido. Por exemplo, não permitiremos que o capitalista feche sua fábrica para fazer com que os trabalhadores passem fome até a submissão porque não lhe está rendendo lucros. Se está fabricando um produto economicamente necessário, deve manter-se funcionando. Se o capitalista a abandona, a perderá e será colocada sob responsabilidade de um diretório eleito pelos trabalhadores.

Como cartão postal da atual crise, é todo um símbolo que enquanto Paolo Rocca, o principal burguês da argentina, anuncia a demissão de 1450 trabalhadores em plena quarentena, fábricas sob gestão operária que vem de importantes histórias de luta contra as demissões e fechamentos patronais, já tenham se proposto produzir insumos básicos para combater o surto do coronavírus. O caso dos trabalhadores da R. R. Donnelley (atual Madygraf), que demonstraram que podem produzir desinfetante de álcool e máscaras sanitárias, junto a cientistas e estudantes universitários para que sejam distribuídos nos bairros mais vulneráveis ou hospitais, ou as trabalhadoras têxteis de Traful Newen que começaram a produzir máscaras em grandes quantidades colocando-as à serviço do sistema de saúde. A questão de quem organiza a produção e sob quais critérios se fará cada vez mais aguda com o desenvolvimento da crise, tanto frente à atual crise sanitária como frente às demissões e o fechamento de empresas, e com isso a luta pelo controle operário da produção.

Perspectivas

Atrás da “unidade nacional” que impera em boa parte dos países do mundo, sob o discurso bélico contra o coronavírus pretende-se ocultar a guerra que tem levado adiante, e leva adiante, o capitalismo durante as últimas décadas contra a saúde pública e as condições de vida das grandes maiorias. Está acontecendo uma nova onda de “resgates” massivos aos capitalistas enquanto estes descarregam a crise nos ombros do povo trabalhador. Buscam fortalecer as tendências nacionalistas e bonapartistas frente à agudização da crise. Paralelamente pretendem invisibilizar os setores da classe trabalhadora que são os que verdadeiramente estão na primeira linha frente à crise sanitária, nos hospitais e também nas fábricas, no transporte, etc., assim como as lutas que começam a protagonizar questionando o espírito de “unidade nacional”. Ou os setores precarizados e os que são demitidos no meio da quarentena, que para milhões é um “luxo” que a aglomeração, a pobreza, a falta de serviços básicos impede de cumprir.

Também pretendem ocultar que países como a Venezuela, o Irã ou Cuba estão esmagados por sanções imperialistas no meio da pandemia.
Neste cenário, é fundamental visibilizar estas realidades que os regimes e os grandes meios de comunicação pretendem esconder atrás da “unidade nacional” e chegar a milhões com um programa transicional independente e internacionalista frente à crise. Expor até o final a irracionalidade deste sistema capitalista em decadência, que vem de estar atravessado por um amplo ciclo da lua de classe do qual tudo indica que são preparados novos capítulos, e que coloca cada vez com mais urgência a necessidade de erguer uma nova ordem social que não seja regida pelos lucros mas sim pelas necessidades das grandes maiorias. A partir dessa perspectiva é que fazemos este semanário de teoria e política, e desenvolvemos a Rede Internacional La Izquierda Diario (LID) com sites em 12 países e 8 idiomas, e atualmente estamos erguendo o LID Multimídia. Ferramentas com as quais não contavam os revolucionários no século passado e nós podemos contar para chegar com estas ideias a milhões, como o está demonstrando a crise atual, e fortalecer a organização de partidos revolucionários em nível nacional e internacional que serão indispensáveis para, ao redor dos combates que vem, lutar para acabar com a barbárie capitalista e fazer realidade a perspectiva da revolução socialista no século XXI.

[1] Pauwels, Jacques, The Myth of the Good War: America in the Second World War, Toronto, James Lorime r& Company Ltd. Publishers, 2015.

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Matías Maiello

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