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Palestinos se mobilizam contra a anexação da Cisjordânia: “vidas palestinas importam”

O Estado de Israel na voz de Benjamin Netanyahu anunciou seus intentos de ampliar ainda mais sua ofensiva colonialista contra o povo palestino. Netanyahu havia marcado para este 1 de julho a anexação de parte da Cisjordânia. Apesar de não ter conseguido inicia-la, trata-se de mais uma demonstração da disposição de Netanyahu em atacar os direitos básicos do povo palestino.

Simone Ishibashi

Rio de Janeiro

quarta-feira 1º de julho| Edição do dia

Foto: Jornal Observador

Desde a sua fundação em 1948 o Estado de Israel significa para o povo palestino assassinato, repressão, e opressão colonial. Desde então a expansão territorial do Estado de Israel não parou de cessar, com a anexação de Jerusalém Oriental em 1967 e as Colinas de Golã em 1981. Desde a assinatura dos Acordos de Oslo em 1993, que prometia aos palestinos a ficção de dois Estados na pequena área da Faixa de Gaza, as colônias judaicas da Cisjordânia consideradas ilegais até mesmo pelos organismos internacionais imperialistas, aumentou mais de três vezes.

Isso obrigou milhões de palestinos a se tornarem refugiados, ou a viverem em condições sanitárias precárias, e sob o assassinato e controle permanente na Faixa de Gaza, que corresponde a 360 km quadrados, uma ínfima parcela do território histórico da Palestina. Em meio à crise da Covid-19 o bloqueio imposto pelo Estado de Israel recrudesceu, e tem ameaçado ainda mais as vidas dos palestinos em uma área que possui uma das maiores densidades demográficas do mundo.

Como se não bastasse essa inaceitável situação à que os palestinos são subjugados historicamente, Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelense e líder do partido de direita Likud, anunciou que anexaria ainda mais territórios palestinos. Tratam-se de áreas que já vinham sendo ocupadas por colonos israelenses. Há anos Netanyahu alenta a expansão responsável por expulsar os palestinos da área em que hoje estão 132 assentamentos, que contam com 400 mil ocupantes israelenses. O plano de anexação que havia sido anunciado para este 1 de julho foi pactuado por Netanyahu e Benny Gantz, ex-oponente do Likud e líder do partido Azul e Branco, com quem compartilha um governo de coalizão, que deveria ainda coordenar-se com Trump.

Trump vem sendo um dos mais abertos apoiadores do expansionismo colonialista israelense contra os palestinos. No entanto, não se pronunciou no dia marcado para a anexação graças aos problemas domésticos que enfrenta, fazendo com que Netanyahu a suspendesse. O direitista líder do Likud teme que o adiamento da carta branca de Trump às anexações possa terminar tendo o mesmo destino que outras infames promessas, como a transferência da embaixada estadunidense a Jerusalém, que até o momento não ocorreram. Com a crise aberta para Trump em meio à onda de protestos antirracistas que varreram os Estados Unidos, e o colapso sanitário pelo coronavírus, as perspectivas para os intentos expansionistas de Netanyahu seguem ainda mais dependentes do resultado das eleições estadunidenses.

E no plano interno Netanyahu também está imerso em crises. Se decidir implementar o plano unilateralmente, sem a resposta de Benny Gantz que não quer fazê-lo sem envolvimentos dos Estados Unidos, pode romper o governo de coalizão, precipitando a convocação de novas eleições. O premiê do Likud é investigado em diversos escândalos, dentre os quais um em que Netanyahu é acusado de negociar com o jornal mais importante de Israel, Yedioh Ahronoth, cobertura positiva em troca de boicotar um jornal concorrente.

Os planos de anexação de Netanyahu também encontram resistência interna. No dia 06 de julho milhares de pessoas protestaram em Israel contra a ofensiva sobre a Cisjordânia, mesmo em meio à crise sanitária. Uma pesquisa aponta que 44% dos israelenses são contrários ao plano, e apenas uma ínfima minoria de 4% opinam que o plano seria uma prioridade no momento atual. E durante todo o dia os palestinos da Faixa de Gaza, localizada a 50 km da Cisjordânia, milhares de palestinos protestaram. Nas ruas os manifestantes levavam cartazes com os dizeres “Não a Anexação” e “Vidas Palestinas Importam” em alusão ao potente movimento antirracista que vem questionando a polícia e a morte dos negros nos Estados Unidos.

É fundamental apoiar a causa palestina contra o colonialismo israelense. Que cessem imediatamente os bloqueios e cercos assassinos à Faixa de Gaza pelo Estado de Israel, que condenam os palestinos à morte, e cujos efeitos são ainda mais brutais em meio à pandemia do coronavírus. Que para além de nenhuma anexação haja a garantia imediata do direito de retorno de todos os milhões de refugiados palestinos, para que possam reaver seu direito à unidade territorial em toda a área da Palestina histórica. A luta do povo palestino contra os intentos colonialistas e imperialistas, para que dessa forma possa desenvolver sua mobilização e instituir um Estado em que trabalhadores palestinos e judeus possam novamente conviver juntos em uma Palestina socialista, laica e não racista.




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