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ARGENTINA

Argentina: Palavras cruzadas

Macri defendeu literalmente a política de ajuste. Moyano, duro em um discurso moderado nas ações. Despedidos e inflação, contexto de luta, em um mal momento para o governo.

quarta-feira 4 de maio de 2016| Edição do dia

A semana política começou com fortes impasse entre Mauricio Macri e Hugo Moyano. Não é casual que assim ocorra. A luta verbal com o tom mais alto vem a mostrar as tensões sociais que recorrem ao país no marco da continuidade do ajuste e trás a importante concentração operária da última sexta.

Capando macacos

"Macri entende menos de política que eu de capar macacos" foi a frase de Moyano quando a segunda rasgou. "Está mal assessorado ou se leva diretamente por suas intuições" completou.

As declarações fortes diante os meios são um contrapeso as palavras mais moderadas que disse frente a mais de 100.000 trabalhadores. Táticas de uma negociação com você tem algum distante parecido com os métodos vandoristas, porém cuja finalidade estratégica é negociar as condições de um ajuste que o mesmo Moyano reconhece como "necessário".

Mais tarde chegou o turno de Macri, quem voltou a apelar para a "herança recebida" para justificar o ajuste. não se privou de atacar a oposição, fazendo referência a quem os acusam de beneficiar um setor da sociedade com a eliminação de retenções. Afirmou "não entendo quando alguns dizem que é para beneficiar um setor. Será ignorância ou é má fé?".

A escalada verbal responde, por um lado, aos limites que tem o governo para administrar o ajuste nos marcos da conjuntura econômica. Porém também ao descontetamento social que as conduções sindicais não podem, simplesmente ignorar.

O ajuste em debate

No domingo pela noite a mensagem contra os demitidos chegou as telas do Canal 13, ao programa de Mirtha Legrand. A condutora - reconhecida por suas posições reacionárias em quase todos os terrenos - pediu para os empresários e governo "manterem os postos de trabalho".

As discussões que atravessam o Congresso Nacional também evidenciam que as consequências do ajuste são um tema de debate de escala nacional. Neste marco, esta segunda, a reunião entre Miguel Ángel Pichetto e Sergio Massa terminou com o compromisso para o segundo apoiar a norma anti-demissões que saiu do senado.

Em termos numéricos, com o voto deste bloqueio, a lei estaria próxima de ser aprovada. A única vantagem para o governo são, neste caso, as divisões internas da Frente Renovadora, onde o setor de empresários como Ignacio de Mendiguren luta contra a norma.

Aos despedidos se somam que esta segunda se conheceu a informação de diversas consultoras econômicas, que diagnosticaram para i mês que se passou, a inflação mais alta desde 2002, quando se saiu da convertabilidade.

As palavras e os feitos

Moyano não foi o único a falar contra o ajuste essa segunda. Juan Carlos Schmid (Dragado e Balizamiento), que soa como possível nome da "futura unidade" da CGT, também foi crítico do governo e afirmou que "não estamos dispostos a ser o pato de casamento" em relação aos trabalhadores.

Sem embargo, a verborragia não se condiz com os planos de ação ao futuro. O ato massivo da sexta passada esteve marcado por um tom de pressão para o oficialismo. Moyano foi ilustrado ontem dizendo que espera que "o governo começe a dar respotas".

A escalada verbal desta segunda, revela os limites do governo na conjuntura a hora de gestionar o ajuste. As tão anunciadas inversões, produto do acordo com o fundo abutre, mas ainda não fazem sua entrada no palco. A medida que impulsiona o governo aprofundam o caráter recessivo da situação. Neste marco, a promessa de que "tudo irá melhorar no segundo semestre" mas aparece como de difícil concretização.

Para os dirigentes que na sexta fizeram uma massiva mobilização se trata de não agitar as águas. Se propõem a usar o descontentamento social existente para gerar melhores condições diante uma negociação com o governo.

Depois da massiva concentração da sexta buscaram evitar dar continuidade nas ruas. Sem embargo, o irredutível da posição governamental poderia empurra-las mais distante de suas intenções e passar a um maior confronto se, por exemplo, Macri decide vetar a lei contra as demissões.

Precisamente, a perspectiva de enfrentar seriamente o ajuste é a que plantaram a esquerda e o sindicalismo combativo na mobilização da última sexta, quando se mobilizarão em uma coluna independente, exigindo as direções sindicais uma paralização nacional e um plano de luta para enfrentar de maneira efetiva as demissões e a degradação do salário frente a inflação.




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