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Países europeus querem mais mortes no Mediterrâneo ao impedir operação de navio humanitário

Desde 2016, navio já realizou o resgate de mais de 30 mil imigrantes e refugiados no Mar Mediterrâneo na rota desde a costa da Líbia. Estima-se que somente em 2018 mais de 2 mil pessoas morreram nas travessias do Mediterrâneo.

sexta-feira 7 de dezembro| Edição do dia

O navio “Aquarius”, atracado desde o começo de outubro no porto de Marselha, está impedido de operar. Primeiro, por estar a espera de uma nova bandeira que o autorize a navegar, após ter perdido os registros de Gibraltar e Panamá e, mais recentemente, devido ao embargo do governo italiano por “tratamento ilegal de resíduos”.

No entanto, para o “Aquarius” não é novidade o tratamento dos governos europeus que, em agosto, deixaram o navio à deriva, sem autorização para atracar nos portos da Itália, Espanha e Malta. Com a declaração no Twitter bastante direta do Ministro do Interior da Itália dizendo: “Podem ir aonde quiserem, mas não na Itália!”

O impedimento à navegação do “Aquarius”, por um conjunto de manobras de diversos países europeus, deve condenar à morte outros milhares que tentam fazer em embarcações precárias a travessia do Mediterrâneo em busca, na maioria dos casos, de mera sobrevivência. Do contrário, porque se arriscariam a virar mais estatísticas no fundo do mar, com a Europa lhe virando as costas?

Trata-se de mais um grau no aprofundamento da crise humanitária encabeçado pelo recrudescimento dos governos europeus em seus giros à direita. Os mesmos governos europeus que se beneficiam da espoliação crua dos países africanos e do Oriente Médio e seus recursos, mas blindam suas fronteiras com suas políticas racistas e xenófobas a serviço do capital, dificultando e perseguindo aqueles que conseguem atravessar. Assim, compactuam para transformar o Mediterrâneo numa “vala comum” da penúria de milhares de imigrantes e refugiados.




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