CAPITALISMO

Pagar para respirar: Poluição na Índia chega em níveis brutais e empresas venderão oxigênio em "bares"

Com poluição generalizada em Nova Delhi, na Índia, empresas criam "bares de oxigênio": os clientes podem pagar para respirar oxigênio por uma cânula nasal. Uma inalação de 15 minutos de oxigênio 95% puro poderá custar até 29,00. A barbárie capitalista que lucra até mesmo com uma necessidade vital.

terça-feira 19 de novembro de 2019| Edição do dia

Nova Delhi é a Capital da Índia, com 21,75 milhões de pessoas - mais do que o dobro de São Paulo e quase o triplo da população de Nova York. No mês de setembro, choveram apenas 6 dias. Em Outubro e Novembro não houve chuvas. É por isso que a cidadeé tomada por uma "nuvem" densa e cinza.

Nova Delhi mostra que as consequências da exploração capitalista não demoram a chegar: na cidade, várias pessoas usam máscaras ou panos nos rostos, para poderem respirar, embora grande parte da população não tenha como comprá-las.

Na lista das cidades mais poluídas do mundo, da Forbes, Nova Delhi supera Pequim. A confirmação oficial de que a capital indiana está no topo da lista foi dada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

A situação de Nova Delhi é agravada pelos meses de inverno, com pouco vento, e pelas queimadas feitas pelos fazendeiros, o que faz com que uma densa névoa de poluição ocupe toda a cidade.

Muitos indianos exigem medidas do governo na limpeza do ar. Esse mês várias pessoas se reuniram para tentar limpar o rio Yamuna, que hoje se encontra como grande esgoto a céu aberto (vale comentar que diversas indústrias lançam seus dejetos ali, e o governo segue sem tomar medidas).

A medida tomada pelo governo de Nova Delhi, neste mês, foi fazer um rodízio de carros civis, ignorando deliberadamente toda a poluição que as indústrias nacionais e imperialistas lançam nos ares e nas águas da capital da Índia. Como seria esperado, foram revelados dados de que essa medida não mudou a qualidade do ar; a pesquisa foi do Comitê de Controle de Poluição de Delhi (DPCC, na sigla em inglês).

Os indianos que estão preocupados com o ar tem suas opções limitadas a comprar plantas que purificam ambientes, umidificadores de ar, tendo inclusive que selar as frestas de suas casas com toalhas, para evitar que a poluição entre. Os indianos em condição de pobreza não tem outra escolha que não seja dormir em meio à névoa de poluição.

Os bares de oxigênio

A ideia surgiu na década de 90, no Japão, quando o país se encontrou diante do desafio de baixar suas emissões de dióxido de carbono, que já se mostravam perigosas. E é justamente em Nova Delhi, com a atual condição do ar, que apostam no mercado do ar pago. Enquanto já existe uma start-up canadense se propondo a ver ar puro engarrafado, vemos na Índia a proposta dos “Oxy Bars”.

Na Oxy Pure, comércio aberto no shopping Select Citywalk (um dos maiores da capital) os clientes podem pagar para respirar oxigênio por uma cânula nasal. A proposta é vender uma inalação de 15 minutos de oxigênio 95% puro por um valor que varia de 299 rúpias indianas (aproximadamente R$ 17,50) a 499 rúpias indianas (aprox. R$ 29,00), de acordo com o aroma (dentre as possibilidades eucalipto, menta e canela). Não existem registros médicos de que isso seja realmente benéfico à saúde.

O dono da loja, Aryavir Kumar, já anunciou que pretende abrir filiais em outras cidades indianas que sofrem com a poluição. Quando as pessoas o questionam sobre ter que pagar pelo ar, ele responde “Você também não tem que pagar por uma garrafa de água?”.

Isso traz novamente à tona o discurso de Greta Thunberg, na Cúpula da ONU na semana da greve do clima: “Pessoas estão sofrendo, pessoas estão morrendo. Os ecossistemas estão colapsando e estamos à porta de uma extinção em massa, e a única coisa que vocês falam é de dinheiro e contos de fadas sobre crescimento econômico infinito, como ousam?” disse a jovem ativista.

Isso mostra como os capitalistas não apenas não têm a intenção de trocar seus lucros pela saúde da população, nem em defesa do meio ambiente.

Setores imperialistas como a ONU e seus fóruns que não se comprometem e nem resolvem nada são impotentes na hora de fazer frente à crise da mudança climática. Não iremos conseguir nada dos parlamentos e governos sem ganharmos milhões de trabalhadores e jovens para esta enorme luta. Nossos inimigos, como Barrick, Monsanto e Chevron, grandes aliados de Macri e governadores, são muito poderosos.

O movimento da juventude, junto à comunidade científica que denuncia tais fatos há anos, mostraram toda sua força se unindo em uma frente anticapitalista desde cada escola e universidade junto a povos originários, o poderoso movimento de mulheres e a classe trabalhadora para dar uma saída de fundo a esta crise. É necessário questionar a matriz energética atual, proibindo o fracking e outras técnicas extrativistas, para avançar no desenvolvimento de energias limpas e renováveis, e que a classe trabalhadora lute por essas demandas em seus sindicatos.




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