Sociedade

NEGLIGÊNCIA E MORTE COM COVID-19

Paciente morre de COVID-19 quatro dias após ser liberado por hospital para ir para casa

Caso confirmado de coronavírus acaba em morte na manhã desta quarta-feira(25/03), quatro dias antes o paciente havia sido liberado do hospital, sem o resultado do teste. Segundo justificativa, o paciente não apresentava sintomas graves.

quinta-feira 26 de março| Edição do dia

Vitorio Negri Neto, de 72 anos, no dia 19 (quinta-feira) foi internado no Hospital Vitória, em Anália Franco, na zona leste de São Paulo após apresentar um dos primeiros sintomas que podem ser apresentados pela infecção do vírus: gripe forte. Na ocasião foi feito o teste para a verificação de contaminação pelo COVID-19, porém, quando o resultado confirmando a contaminação saiu (na segunda-feira: 23/03), o paciente já havia sido liberado.

Segundo o hospital, o fato de Negri não ter nenhuma doença crônica, por sua febre ter cessado e não ter tido falta de ar justificou sua liberação para retornar a sua casa. Quatro dias após ser liberado e dois dias após sair o diagnóstico, na manhã de quarta-feira (25/03), Vitorio acordou delirando, teve uma parada cardíaca, não resistiu e morreu em sua residência.

Em posicionamento à Folha, o Hospital afirmou que somente os pacientes considerados graves, que apresentam comprometimento respiratório, devem ser mantidos em internação hospitalar, e que o isolamento domiciliar é uma medida de saúde pública para as formas leves e moderadas da doença.

A gravidade da atual pandemia vem se expressando como resultado de anos de aprofundamento de políticas neoliberais aplicadas para permitir o enriquecimento dos capitalistas, fazendo com que mundialmente, e principalmente no Brasil, a população, principalmente os pobres, sofra e não consiga contar com um sistema de saúde capaz de assegurar suas vidas diante da existência do coronavírus.

Os governos, ainda que venham se confrontando em seus discursos, evidenciam como são representantes desses mesmos interesses, em que Doria, Witzel, Bolsonaro e demais demonstram, através de suas limitadas medidas que visam antes preservar os lucros do que as vidas, que nossa preservação não é prioridade diante do pagamento da dívida pública, dos interesses gananciosos das redes farmacêuticas, da salvação dos bancos e patrões.

Isso fica claro ao não colocarem um plano emergencial diante da crise sanitária para que a população não seja prejudicada, permitindo que mortes como a de Vitorio Negri, em que o Hospital, seguindo ordem do Ministro da Saúde (Luiz Henrique Mandetta) só disponibiliza internação quando houver sintomas graves da doença.

Possivelmente, se o paciente permanecesse no hospital desde o momento em que foi internado, com o devido tratamento, após a confirmação do diagnóstico da doença e em seguida com as possíveis medidas e tratamento por equipe especializada, tal morte seria evitada. E as grandes possibilidades de contágio decorrentes de seu retorno para casa teriam sido restringidas.

Exigimos medidas elementares e essenciais para o controle da pandemia, como testes para todos, que os hospitais privados se tornem parte de um sistema 100% estatal controlado pelos trabalhadores, e assim sejam asseguradas condições de diagnóstico seguido de tratamento eficaz para qualquer doença. O fim do pagamento da dívida pública, a taxação das grandes fortunas, a reconversão da produção para a produção de respiradores e insumos para os testes são as primeiras medidas que deveriam ser tomadas nesse sentido, impedindo o grande número de mortes que só irão aumentar se depender dos governos capitalistas.




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