CAMPINAS

PUCCamp: assembleias e comitês de estudantes contra Bolsonaro, o golpismo e as reformas

Às vésperas do 2º turno e frente as ameaças contra os direitos democráticos de organização, das mulheres, dos negros, LGBTs, além de um cenário cotidiano em que já foram relatadas diversos casos de agressões e inclusive mortes fazendo alusão a B17 não podemos deixar a desesperança e o medo tomarem nosso cotidiano. Precisamos desde já nos organizar e agir coletivamente para expandir o movimento que já existe contra o avanço da extrema-direita.

terça-feira 23 de outubro| Edição do dia

As declarações de toda equipe de Bolsonaro também mostram que sua eleição trará um avanço dos ataques do governo Temer sem precedentes, mas que ainda terão que se concretizar em com a possibilidade de resistência dos trabalhadores e diversos setores: Reforma da Previdência, nova PEC dos gastos, Carteira de Trabalho “Verde e Amarela” são alguns dos exemplos de retirada de direitos e gastos sociais em prol da garantia do pagamento da fraudulenta dívida pública.

Na semana passada a UNICAMP já passou por uma série de movimentações em diferentes faculdades, sendo que a organização de professores, funcionários e estudantes garantiu um grande ato pelas ruas de Barão Geraldo e a manutenção, nessa semana, de diversas atividades. Isso foi garantido pelas diversas assembleias ocorridas pelo campus e que contaram com todos os setores da universidade se posicionando pelo #elenão, em memória do Mestre Moa do Katendê, também relembrando Marielle e levantando a pauta da universidade pública.

Desde o começo do 2º turno a CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil) veio a público se posicionar em “defesa da democracia”, conforme nota pública veiculada a partir da visita do candidato Fernando Haddad a sede da Confederação. Até os bispos sabem que o que está em jogo não são somente um plano de governo, é o futuro do país, inclusive das poucas garantias democráticas que tivemos com a Constituição de 1988. Indiretamente os bispos reconhecem que Bolsonaro faz alusão a Ditadura Militar, período em que nosso direito ao sufrágio universal era limitado, mas, principalmente, a organização dos estudantes, dos trabalhadores, dos setores oprimidos era violentamente perseguida por instituições como o DOI-CODI, chefiado pelo Coronel Carlos Augusto Brilhante Ustra, recentemente absolvido da acusação de tortura pelo TJ-SP

É importante lembrarmos a história que toda a comunidade da PUCC construiu contra a Ditadura Militar, em recente matéria no Correio Popular o jornal fez alusão a um ato ocorrido em 1968 que os estudantes da PUCC denunciavam “Ditadura Assassina”, cerca de 300 estudantes marcharam pelas ruas do centro em memória dos primeiros mortos da Ditadura. É o momento para retomarmos essa história em defesa dos direitos sociais dos trabalhadores e contra as arbitrariedades cometidas pelo nosso Judiciário.

Muitos votantes de Bolsonaro sequer tem clareza de sua disposição de privatizar setores estratégicos, o que só aumentará as contas de água, luz e combustível. Não defendem os privilégios que o Judiciário possui para decidir praticamente tudo em nosso país. Podemos e devemos desde já mostrar nossa posição enquanto estudantes para fazer frente a ofensiva da mídia, das redes sociais e do Judiciário para que Bolsonaro seja eleito e que posteriormente passe as reformas.
Na última semana a PUC-SP emitiu nota em defesa da democracia e repudiar todas as manifestações de ódio. Os estudantes seguiram o posicionamento e decidiram por constituir comitês de organização da luta contra a extrema-direita, pela auto-defesa dos estudantes, em defesa dos setores oprimidos (veja aqui ).

Nós, do Esquerda Diário e da Juventude Faísca, presentes no curso de Direito, achamos fundamental que tenhamos uma assembleia antes da votação do 2º turno para que possamos nos posicionar em defesa dos direitos democráticos e sociais, contra as arbitrariedades jurídicas que pautaram todo o processo eleitoral e em repúdio a escalada de violência que tem nos assassinatos das figuras de Marielle e Mestre Moa sua pior expressão. Essa posição não se resume a um posicionamento meramente para a votação dia 28 de outubro, mas a preparação que devemos ter desde já para os futuros ataques às nossas condições de vida, de trabalho e de liberdade que só podemos garantir nos organizando em comitês para que todos os estudantes possam opinar, denunciar abusos, e nos somarmos as lutas, atos e manifestações.




Tópicos relacionados

Comitês contra Bolsonaro   /    Bolsonaro   /    Ditadura militar

Comentários

Comentar