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ELEIÇÕES 2018

O PT quer transformar nosso ódio a Bolsonaro em pacto com os golpistas

Nós do MRT e do Esquerda Diário, embora não votemos em nenhuma candidatura do PT nem em Lula quando ainda disputava, denunciamos veementemente o avanço reacionário da Lava Jato e do judiciário, apoiado nas declarações golpistas do Alto Comando do Exército, para eliminar qualquer vestígio de soberania popular nesta democracia degradada dos capitalistas. Agora, denunciamos a tentativa de pacto de unificação com a direita, oferecida por Haddad apoiado por Lula, para reconstruir o regime golpista ainda mais à direita num eventual governo do PT.

segunda-feira 24 de setembro| Edição do dia

Estas eleições se encontram manipuladas pelo autoritarismo judiciário, e a crescente tutela das Forças Armadas, em prol da continuidade do golpe institucional, um de cujos principais efeitos foi o impedimento da população votar em quem quisesse, com o veto arbitrário à candidatura de Lula.

A extrema direita destila seu ódio contra os trabalhadores, as mulheres, os negros e os LGBTs. Através de Bolsonaro e Hamilton Mourão, defendem um programa de escravização dos trabalhadores ao capital estrangeiro, e inclusive um nova Constituinte escrita por "notáveis", sem participação dos "eleitos do povo".

Nós do Esquerda Diário, embora não votemos em nenhuma candidatura do PT nem em Lula quando ainda disputava, denunciamos veementemente o avanço reacionário da Lava Jato e do judiciário, apoiado nas declarações golpistas do Alto Comando do Exército, para eliminar qualquer vestígio de soberania popular nesta democracia degradada dos capitalistas.

Diante desse cenário, a candidatura do PT, com Fernando Haddad apoiado por Lula, está oferecendo abertamente um pacto de unificação com os golpistas que foram impulsionadores do impeachment, como o PSDB ("estamos em diálogo permanente com aqueles que fazem autocrítica", disse Haddad sobre o PSDB, depois da entrevista de Tasso Jereissati), o MDB e setores do Centrão, ou seja, os fossos onde desaguam toda a imundície direitista do regime de 88. De fato, o PT se propõe reescrever à direita este regime carcomido, junto àqueles que foram a base do governo Temer.

Essa tentativa de pacto é necessariamente precária e instável, já que a extrema direita manterá sua força independente do resultado da eleição, e a pressão por ajustes duros exercida pelo judiciário golpista e as Forças Armadas darão lugar a um choque rápido de um eventual governo do PT com sua base eleitoral. No horizonte se encontram cenários convulsivos da luta de classes.

Haddad não poupou esforços para dizer na última semana que estava comprometido com os ajustes e com a reforma da previdência, chegando a ganhar piscadelas das bíblias do mercado financeiro internacional, como o The Economist e o Financial Times.

Veja aqui: Finanças elegem entre os ataques de Bolsonaro e os de Haddad

Veja também: PT e Haddad deixam claro que se eleitos vão governar com golpistas e a direita

Denunciamos esse tentativa de pacto nacional que oferece o PT em busca de reconciliação com os escravistas que deram o golpe, legitimando um sistema político tutelado pelo judiciário e pelos militares, e se adaptando aos interesses do mercado financeiro internacional e dos capitalistas nacionais de descarregar a crise econômica sobre as costas dos trabalhadores e do povo.

O PT quer transformar nosso ódio contra Bolsonaro, o autoritarismo judicial e a politização das Forças Armadas em um pacto de unificação com os golpistas. Não podemos permitir isso.

Isso significa que, ao contrário do que os petistas tentam nos fazer acreditar, um eventual triunfo de Haddad não será nenhuma derrota do golpe institucional. Os juízes e os militares estão aí para continuá-lo, apoiados por cerca de um terço dos eleitores (por agora, como mínimo), pelos "golpes de mercado", e pela Rede Globo.

Em primeiro lugar, militares e juízes já mostraram que estão dispostos a rasgar a Constituição para impor essa saída de qualquer forma. Ou seja, nessa suposta "democracia" nem mesmo o poder máximo de decisão que é constitucionalmente delegado ao povo, que é o de ir votar em seus governantes a cada dois ou quatro anos, não vale mais nada na prática. Não aceitarão um governo que não seja marionete em suas mãos.

Em segundo lugar, ainda que Bolsonaro perca as eleições, 28% da população (sua base eleitoral) seguirá pressionando pelo programa de ataques que Bolsonaro advoga; será uma base de direita que condicionaria um eventual governo do PT.

Em terceiro lugar, para além dessa nova extrema direita, a velha direita ou centro direita tradicional (Alckmin-PSDB-DEM e os partidos do chamado "Centrão", Meirelles e o MDB de Temer), que perdeu seus eleitores para Bolsonaro, não é menos golpista e escravista que Bolsonaro. Se hoje parte desses setores derrotados, ao verem as possibilidades de triunfo de Haddad no segundo turno, se oferecem à construção de um pacto de reconciliação para vencer Bolsonaro e constituir alguma governabilidade em um eventual novo governo do PT, trata-se de um apoio oposto em 180° às esperanças dos eleitores que votando no PT pretendem derrotar o golpe institucional e recuperar suas condições de vida perdidas nos últimos anos.

O PT leva adiante a máxima de Max Weber de que "lidar com demônios faz parte das obrigações daquele que tem a política como vocação". A indecência da máxima traduzida para o cenário brasileiro é que, ironicamente, em nome de "defender a democracia", o PT quer um pacto com os golpistas não bolsonaristas e as finanças – necessariamente precário e cheio de instabilidade política, pelos motivos acima.

O jornal golpista O Globo chega a dizer em editorial que seria um "estelionato eleitoral" se Haddad não aplicasse os ajustes que agora já promete em campanha. Dilma Rousseff prometeu na campanha de 2014 não atacar a população trabalhadora "nem que a vaca tussa". E a vaca tossiu depressa. Haddad, apoiado por Lula, já se entrega aos abraços dos mercados que exigem ajustes duros.

Já vivemos a experiência do que foi o segundo mandato de Dilma, que no dia seguinte às eleições jogou no lixo todo o discurso “de esquerda” que tinha feito na campanha eleitoral, colocou um banqueiro ultraneoliberal no Ministério da Fazenda (Levy) e atacou o direito ao seguro desemprego num momento de enorme recessão e desemprego em massa, cortou R$6 bilhões dos orçamentos na saúde e na educação e avançou na privatização da Petrobrás para seguir pagando fielmente a dívida pública aos banqueiros milionários e para ganhar o apoio de setores do capital financeiro internacional.

Essa política desmoralizou os trabalhadores e abriu espaço para os golpistas, e sua repetição levará ao mesmo caminho.

A força que a nova extrema direita vai manter depois das eleições, seja qual for o resultado, e os pactos que os petistas já estão começando a construir para ganhar e depois constituir um mínimo de governabilidade, são um prova evidente de que o golpe institucional não se vai derrotar com votos, como o PT pretende que se acredite.

Essa realidade já anuncia claramente que um eventual novo governo do PT se encontrará desde seus primeiros dias em uma encruzilhada da qual não vai poder sair: ou aceita ser uma marionete do golpe institucional para seguir implementando ataques e ajustes, descarregando a crise sobre as costas dos trabalhadores e do povo, num patamar muito maior do que Dilma tinha começado a fazer em seu segundo mandato; ou vai ser novamente "removido" com novos golpes judiciais e parlamentares, para que seja colocado em seu lugar outros que sigam exercendo o mesmo papel que Temer aceitou cumprir.

E se o PT, tanto nos tempos de bonança da década de 2000 quanto pós golpe institucional, utilizou sua influência sobre a burocracia sindical da CUT e da CTB para frear a luta dos trabalhadores, fragmentá-los e derrotá-los, fica claro que num eventual governo, integrado ao regime golpista, não oferecerá resistência alguma aos "poderes fáticos" do país.

Não serviu para organizar nenhuma resistência através de um plano de greves e manifestações de massas que se contrapusessem de forma minimamente séria ao golpismo institucional. Pior: o PT jogou no lixo a enorme oportunidade gerada pelas contundentes greves gerais contra a reforma da previdência no primeiro semestre de 2017.

Por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana contra o pacto com o golpe

Assim, é com essa direita golpista e escravista que ficou sem base eleitoral que o PT busca se aliar já no segundo turno e construir governabilidade em um eventual triunfo. Uma direita que poderia tranquilamente também integrar a base de um governo Bolsonaro caso esse ganhe, assim como integrou a base de Temer, e que será tão "fiel" quanto maiores forem os benefícios "fisiológicos" que o governo de turno esteja disposto a dar-lhe, e que serão, na base aliada de um eventual novo mandato do PT, os representantes oficiais da extorsão e da chantagem dos juízes e dos militares sobre o governo.

Qualquer semelhança com o que foi a base de governo dos anteriores mandatos do PT não é mera coincidência (com a diferença de que poderia incluir até mesmo o PSDB; e de que a oposição agora é um pouco mais violenta). A lição que Lula aprendeu de Fernando Henrique Cardoso segue correndo nas veias do PT: "É impossível governar o país sem o PMDB". Mas agora é aprofundada, num novo cenário histórico: segundo o PT, atendendo ao regime, é impossível governar o país dos capitalistas sem os golpistas. É a consequência necessária da decisão estratégica de administrar um Estado arquitetado para que as oligarquias mais reacionárias tenham poder de veto e disciplinamento permanente sobre a vontade popular expressa, mesmo de forma muito limitada e distorcida, pelo sufrágio universal.

Nenhum combate à extrema direita nefasta representada por Bolsonaro, ou o autoritarismo judiciário apoiado pelo Alto Comando das Forças Armadas, pode ser feito de mãos dadas com o capital financeiro e os golpistas. Não podemos derrotar a extrema direita odiosa pelo voto.

Contra esse pacto que o PT oferece aos golpistas não bolsonaristas e aos mercados, a única forma de seguir lutando contra o golpe institucional, é exigir dos sindicatos e organizações populares que lutem por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana.

Uma Assembleia que possa votar livremente pelo não pagamento da dívida pública; pela reestatização sob gestão dos trabalhadores e controle popular de todas grandes empresas estratégicas como a Petrobras, a Eletrobras, os serviços de água e transporte, que passem a ter licitações públicas transparentes e controladas pela população; pela anulação de todas as leis reacionárias votadas pelos governos anteriores e a aprovação do aborto legal, seguro e gratuito; pela eleição por voto direto de todos os juízes e políticos, que passem a ganhar como uma professora e sejam revogáveis se traírem o mandato popular. Que todos os casos de corrupção sejam julgados por júri popular, assim como a abolição do Senado e a unificação em Câmara Única do Legislativo e do Executivo.

Somente a luta independente dos trabalhadores pode enfrentar o golpe, pois os de cima como o PT estão conciliando com os golpistas e capitalistas.

Essa é uma proposta emergencial que fazemos, pois cremos que no marco de uma luta como essa, estas consignas ditas "utópicas" nos marcos da "democracia capitalista" se tornarão amplamente populares, e consideráveis setores da classe trabalhadora perceberão que o poder real na sociedade capitalista não está no voto que damos a cada dois anos, mas sim no poder econômico e militar da burguesia, que condiciona qualquer governo de “mal menor” (não apenas Haddad, mas também Ciro Gomes) e que tem inúmeros mecanismos para impedir que qualquer medida realmente favorável aos interesses da maioria da população seja executada.

Será uma experiência que permitirá avançar na compreensão da necessidade de lutar por um governo dos trabalhadores que rompa com o capitalismo, exproprie a burguesia e socialize os meios de produção sob controle democrático dos próprios trabalhadores, que é a perspectiva estratégica pela qual nós socialistas revolucionários lutamos.

Veja também: [VÍDEO] Assista aos programas eleitorais do MRT, uma campanha anticapitalista nestas eleições manipuladas

Para essa batalha colocamos todas as energias do Esquerda Diário, que alcança mais de 1 milhão de leitores por mês, e as candidaturas anticapitalistas do MRT em distintas cidades do país, a serviço da construção de uma alternativa política dos trabalhadores à esquerda do PT, que supere sua estratégia de conciliação e enfrentar seriamente os golpistas e os capitalistas.




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