Política

DERROTA DO PT

PT reconhece derrota eleitoral mas segue sem um plano para barrar os ataques do governo

Após o cenário de resultados fracassados nas eleições municipais, a direção do partido lança uma nota reconhecendo a derrota. Na nota oficial da Comissão Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), a direção discute como o partido sofreu “uma derrota profunda no campo democrático-popular”.

Cássia Silva

Coordenadora do CACH - Unicamp

sexta-feira 7 de outubro| Edição do dia

Em abril desse mesmo ano de 2016, 57 deputados federais do PT, levados por uma onda da oposição de Tarso Genro ao bloco de Lula, discutiam a desfiliação da ala do partido. Após o cenário de resultados fracassados nas eleições municipais, a direção do partido lança uma nota reconhecendo a derrota.

Como noticiado no Esquerda Diário, o PT apresentou nessas eleições os resultados de sua falência, com a perda da prefeitura da maior capital do país já no 1º turno para o candidato do PSDB, João Dória, um empresário escolhido a dedo para gerir os negócios dos ricos, poderosos paulistanos e influentes no Brasil como um todo. Em Minas Gerais, nas eleições de 2012, o partido elegeu 114 prefeitos, enquanto que em 2016 as prefeituras conquistadas foram 37 no 1º turno, como foi mostrado aqui.

Os resultados das eleições municipais têm mostrado um fortalecimento da direita, em importantes centros políticos do país, como a vitória também no primeiro turno de Jonas Donizetti, do PSB, em Campinas. Isso mesmo diante da crise de representatividade do governo que, com o descontentamento da população diante dos 13 anos de PT, a direita, apesar de se sair vitoriosa em comparação aos petistas e aparentemente ocupar o espaço deixado pelo PT, ainda não consegue se reorganizar para bombar nas eleições totalmente, como vemos com a crise interna vivida pelo PSDB, por exemplo.

No entanto, mesmo com a declaração da derrota na nota oficial e reconhecimento da crise interna do partido, o PT joga no campo parlamentar a solução para o cenário do pulverizado fortalecimento da direita e o combate às medidas do governo golpista de Temer, como a Reforma do Ensino Médio e a PEC 241 de cortes de verbas uma vez que já tenha usado dessa tática na luta contra o golpe, sem mobilizar a base de mais de 20 milhões de trabalhadores que organiza pela Central Única dos Trabalhadores (CUT).

No item 14 da nota, conclamam “a militância a cerrar fileiras em torno das sete candidaturas petistas neste segundo turno: Recife, Juiz de Fora, Santo André, Mauá, Vitória da Conquista, Santa Maria e Anápolis. É decisivo envidar esforços para unir o eleitorado democrático e popular, abrindo nossas campanhas para todos e todas que desejarem compartilhar dessa empreitada”.

E, como se não bastasse a vergonha eleitoreira e não ter travado luta contra o golpe institucional, a direção termina a nota com a proposta de eleições por Diretas Já e reforma política para lutar contra os golpistas, que já sabemos que são chamados que não correspondem aos anseios da população, ao descontentamento crescente com a ordem social burguesa e seu regime político, só mudam os jogadores, mas de fato não mudam o jogo.

Não vamos deixar que a direita ocupe esse espaço que o PT abriu, vamos construir lutas contra todos os ataques do governo golpista e barrar ideias que nos levem à conciliação de classes e acordos com setores da burguesia. Como disseram as candidaturas do MRT nas eleições municipais, vamos continuar travando batalhas que questionem os privilégios dos políticos e que impeçam que a crise seja descarregada em nossas costas. Contra a Reforma do Ensino Médio, contra a PEC 241, contra a retirada de direitos vamos às greves e lutar por uma Assembleia Constituinte imposta pela luta, mudar as regras do jogo e tomar as rédeas da situação para as mãos da juventude e da classe trabalhadora.




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