REFORMA TRABALHISTA

PT propõe Estatuto do Trabalho que mantém o pior da Reforma Trabalhista

Projeto eleitoral do partido para Lula ou qualquer candidato promete revogar a Reforma Trabalhista do governo golpista de Temer, mas propõe os principais ataques dessa mesma reforma: fortalecimento das negociações entre patrões e trabalhadores acima dos acordos coletivos e legislados; flexibilização da jornada de trabalho.

segunda-feira 30 de julho| Edição do dia

Escancarando que visa um projeto de país que não rompa com as demandas mais cruéis do empresariado, que já vinham sendo aplicadas no governo Dilma e que foram acentuadas pelos golpistas, o Partido dos Trabalhadores (PT) lançou recentemente um documento chamado “Estatuto do Trabalho” com a sua proposta de política trabalhista para os próximos 4 anos.

Um dos principais pontos da reforma trabalhista do PMDB de Temer, a possibilidade de que negociações se sobreponham à legislação é mantido pelos petistas, que pretendem "fortalecer as negociações" e "modernizar as relações trabalhistas", mesma forma usada por Temer para falar em: flexibilização do trabalho, dos direitos trabalhistas, divisas entre os trabalhadores.

Apesar da pretensão de revogar a reforma trabalhista, o PT nesse Estatuto busca tranquilizar os setores patronais, que demandam a precarização da legislação trabalhista e a abertura de maiores possibilidades de exploração dos trabalhadores. Fingem reverter os ajustes golpistas, pintando de esquerda o seu mesmo programa. O documento será divulgado publicamente nos próximos dias e constará na proposta de governo de Lula ou de Haddad, caso Lula não possa concorrer em Outubro.

Essa é mais uma amostra da incapacidade que um governo de conciliação de classes, como os petistas, tem para se colocar contra os ataques dos golpistas e patrões, na defesa dos interesses legítimos da classe trabalhadora. Soma-se a isso a submissão das políticas petistas à lei de "responsabilidade" fiscal e o fiel pagamento da inacabável dívida pública, que escraviza o Estado frente ao interesse do mercado financeiro e do imperialismo. Frente às manifestações de massas na Argentina, pela legalização do aborto, também vale lembrar que o tema foi amplamente ignorado até mesmo durante a gestão de uma mulher, Dilma, visto que o PT necessitava da podre bancada evangélica, do apoio da Igreja Católica e de outros setores reacionários para governar.

Esses são exemplos que evidenciam que a saída concreta para nossos problemas não está em um ou outro candidato demagógico, mas nos métodos da classe trabalhadora, em mobilizações como o 28 de abril de 2017, como o exemplo das mulheres argentinas, na aliança entre os setores mais oprimidos e que efetivamente movem o mundo.




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