Opinião

LULA E O PT

PT promete "acreditar na Justiça" e não faz nada para defender direito de milhões votarem em quem quiser

terça-feira 6 de fevereiro| Edição do dia

Imediatamente após o julgamento em que três desembargadores condenaram arbitrariamente Lula e usurparam o direito democrático elementar da população votar em quem quiser, estava claro que o avanço do autoritarismo judiciário e do Estado só poderia ser barrado com os métodos da luta de classes.

Estava na ordem do dia ligar o econômico ao político - como a própria realidade se encarrega de fazer - e organizar imediatamente uma greve geral que paralisasse os principais centros econômicos do país contra a reforma da previdência - e a abolição da reforma trabalhista - e em defesa do direito da população decidir em quem votar. A CUT e a CTB, centrais sindicais ligadas ao PT e ao PCdoB respectivamente, deveriam parar de se rastejar atrás da agenda parlamentar e preparar um plano de luta ativo para bloquear as contrarreformas e o ataque aos direitos democráticos das massas, começando por uma greve geral, como defendemos no Esquerda Diário em exigência às centrais.

Já no dia 27/1, o PT disse estar em "permanente estado de mobilização" para manter a candidatura de Lula em 2018. Entretanto, sem nenhuma surpresa o que acontece é o oposto: fazendo jus a seu papel de "garantidor da institucionalidade burguesa", frente ao avanço do autoritarismo judiciário o PT assumiu que "diminuirá o tom" contra a Corte Suprema para tentar algum acordo com o STF a fim de preservar Lula.

Essa submissão genuína à institucionalidade burguesa por parte do PT já estava inscrita na entrevista de sua presidente, Gleisi Hoffmann, para a Folha de S. Paulo. A mesma Gleisi que havia prometido aos mercados financeiros uma nova "Carta ao Povo" que previa uma reforma da previdência "light" pelo PT disse que "o STF não permitirá nenhuma violência a Lula". Nos últimos dias, a página oficial de Lula no Twitter se esforçou por intensificar o timbre de conciliação com o Judiciário golpista

A submissão é tão patente que Lula e a cúpula do PT literalmente declaram que seguirão "acreditando na Justiça". A ameaça feita pela presidente do Supremo, Cármen Lúcia, para que o PT moderasse o tom das escassas críticas que fazia teve efeito.

Enquanto o PT exercita até que ponto pode ser flexível a espinha de um partido diante do autoritarismo judiciário, Temer gasta rios de dinheiro público para comprar deputados e meios de comunicação para avançar a votação da reforma da previdência. Uma reforma que - como dissemos aqui - busca preservar todos os privilégios milionários de juízes e políticos, às custas de atacar a aposentadoria de milhões de trabalhadores.

Sendo um pilar do regime da "Nova República" instalado em 1988 e uma das principais válvulas de contenção da luta de classes para que os capitalistas lucrassem "como nunca" na década de 2000, o PT deixa especificamente claro que sua defesa é a da governabilidade burguesa, não a dos direitos civis básicos mesmo em uma democracia degradada. Segue "acreditando" na Justiça que fortaleceu durante todos os seus mandatos (Supremo Tribunal Federal, MPF, PF, Procuradoria-Geral da República) e que está na vanguarda da continuidade do golpe institucional aplicado em 2016.

Não à toa as centrais sindicais, como a CUT e a CTB, estão dando shows de performance cadavérica quanto à preparação da "Jornada Nacional de Lutas" para o dia 19/2. Não organizam nada nos locais de trabalho. Dão todo o tempo do mundo para que o governo Temer entre num acordo para, como disse o presidente do Bradesco, "começar votar pelo menos alguma coisa da reforma da previdência já em 2018". Em uma estrutura operária emblemática do país, o metrô de SP, cujas paralisações têm um peso enorme para a moral de luta nacional, a diretoria do sindicato (dirigido pela CTB) não move um dedo para buscar convencer e organizar os trabalhadores para participar de uma jornada que ela mesma convocou.

É preciso lutar contra os golpistas no Planalto e no Judiciário de maneira independente do PT, tirando lições de sua estratégia trágica de conciliação de classes, para construir desde já uma alternativa política anticapitalista e socialista que possa questionar o conjunto do sistema de exploração e opressão em que vivemos, por um projeto superior de sociedade.

Isso pode ser feito desde já mobilizando os locais de trabalho para que a Jornada convocada para o dia 19/2 seja a mais forte possível. Como disse Felipe Guarnieri, operador de trem da Linha 1-Azul do metrô de SP, "As centrais dizem que "se botar pra votar, o Brasil vai parar", dando tempo para que os parlamentares entrem em acordo para votar a reforma da previdência. Fizeram um chamado para um "Dia Nacional de Lutas" no 19/2; participaremos com tudo da jornada, mas com uma política própria: é urgente que as centrais sindicais, a CUT e a CTB, parem de rastejar atrás da agenda parlamentar e organizem já uma greve geral em todo o país, parte de um plano de luta para barrar a reforma da previdência e defender o direito democrático da população de decidir em quem votar".




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