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UMA URNA, O PLANALTO POR UMA URNA

PT na véspera do impeachment no Senado: medo da radicalização operária e aposta na negociação e urnas

Tentativa de desesperada? Seria possível convencer senadores e deputados para convocar eleições antecipadas?

Leandro Lanfredi

São Paulo | @leandrolanfrdi

sexta-feira 29 de abril de 2016| Edição do dia

Crescentes movimentações políticas estão sendo noticiadas dão conta de iniciativas do PT para que Dilma renuncie ou sem renunciar apresente uma proposta de emenda constitucional que instaure novas e antecipadas eleições presidenciais. Renan e Lula já se reuniram para tratar disso. Todos cálculos de votos no Senado apontam para que este ratifique a votação golpista da Câmara. Diante deste cenário Lula, Dilma e o PT se viram diante de duas escolhas: apontar a que os discursos de greve geral da CUT se tornassem realidade e pela radicalização operária impor a derrota do golpe ou buscar alguma nova negociata com parlamentares de direita.

Sem sucesso na tentativa de compra de parlamentares na Câmara, onde encontrou oposição de diversos partidos que ao mesmo tempo já negociavam cargos com Temer, Lula aposta no que sempre foi sua seara, a tentativa de apaziguar os ânimos e traçar algum caminho de conciliação com a direita ou empresários.

Nome muito próximo a Lula, Jacques Wagner, no gabinete pessoal de Dilma depois de ter renunciado à Casa Civil para que Lula assumisse (o que o STF impediu), tem dado declarações à imprensa que ele seria favorável a esta saída. Hoje Dilma recebeu 6 senadores que defendem esta proposta, entre eles Paim do PT e Randolfe Rodrigues na Rede de Marina Silva e Ex-PSOL.Amanhã Dilma deve se reunir com movimentos sociais próximos ao PT para debater esta proposta, que por hora conta com a oposição da CUT, segundo divulgam diversos meios no país.

Esta proposta de eleição antecipada foi sempre defendida pela ex-candidata da Rede, que lidera as bocas de urna se as eleições fossem realizadas agora. Também ganhou eco esta proposta nos editoriais da Folha de São Paulo, e, recentemente da imperialista The Economist.

Sem confiar na radicalização de trabalhadores e jovens que se indignaram com o reacionarismo na Câmara, que notam as claras medidas de ajustes mais duros e rápidos que o PT já vinha aplicando sendo prometidos por Temer, o PT aposta, novamente em tentar convencer setores da elite e seus senadores e deputados que seria mais saudável ao país nova eleição, que estas trariam maior estabilidade, menores riscos de luta de classes, como diversas imprensas imperialistas tem advertido. Novas eleições, sob as regras atuais, debaixo de um TSE dirigido pelo arqui-golpista Gilmar Mendes só pode significar garantir um mandato popular mediante o sufrágio de um novo ajustador que não vista as caras golpistas do Temer.

O perigo da ação operária e da juventude para barrar o golpe é que estas ações organizariam forças que não se enfrentariam unicamente com esta tentativa golpista em consumação, mas que despertaria paixões mais difíceis de conter também sobre como lidar com os ajustes que Temer aplicará, que Dilma aplicou e o petismo, e seus aliados, como o PCdoB em Contagem (MG) que recentemente cortou ponto de grevistas no município, seguem aplicando. Não permitiriam o habitual beija-mão de direitistas no parlamento, mas exigiram seu enfrentamento. A derrota do golpe pela luta de classes deixaria sua impronta na situação política, impedindo os habituais conchavos e métodos capitalistas e corruptos de governo que o PT assimilou da elite brasileira. Não querem deixar isso então melhor que a CUT siga falando de greve geral sem nunca marcar data para a mesma e que se intensifiquem negociatas de eleições antecipadas.

Com o PSDB se unindo em apoio a Temer, toda grande mídia gastando sua tinta e editoriais defendendo os ataques que Temer anunciou, como aumentar a idade de aposentadoria, estabelecendo um mínimo, para homens e mulheres de 65anos, a probabilidade de sucesso de chamar eleições antecipadas não parece muito alta. Trata-se de armar um discurso "pela positiva" que pinte o PT de democrático e os golpistas de mais golpístas pois nem eleições aceitariam. É como Ricardo III, na peça homônima de Shakespeare depois de toda uma peça de intrigas, assassinatos e conchavos, assiste a seu braço direito passar para o bando opositor em batalha decisiva. Raivoso ordena a execução do filho deste ex-aliado e isto não é cumprido por suas tropas, que estão derrotadas e se desintegrando. Diante da morte iminente clama "um cavalo, um cavalo, meu reino por um cavalo" para tentar escapar, sem sucesso do destino marcado. Alguma semelhança com o PT e sua relação com o PMDB e a elite política e empresarial do país?

O tempo marcado para o reino das negociatas, intrigas de ministros, lordes, senadores, deputados, já soou. Quem não concluiu isto antes nem mesmo agora, que veja a reprise de 17 de Abril. Porém, diferente de Ricardo, ou de Dilma e Lula, a classe trabalhadora pode apelar a mais que um cavalo eleitoral para fugir dos embates. Pode impor sua força mediante greves, manifestações. O Esquerda Diário insiste nesta perspectiva e batalhará por esta exigência à CUT, UNE, CTB nos atos deste primeiro de maio. A partir de uma força real para barrar o golpe e lutar contra os ajustes, poderíamos fazer muito mais que escolher quem sentará em qual sela deste podre regime de corrupção e ajustes, mas impor uma Assembléia Constituinte Livre e Soberana que desfaça um regime construído sob tutela dos militares, que dá guarida a reacionários no parlamento, que funciona mediante o suborno, e dê uma resposta de fundo a esta crise política e econômica que vivemos: trazendo abaixo todos privilégios de políticos e juízes e faça que os empresários que demitem a torto e direito, e não nós trabalhadores, que paguem pela crise.




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