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PT mantém "oposição responsável", midiática e inofensiva

Desde que entrou em pauta a discussão da Reforma na Educação e a PEC 241 pudemos ver o aprofundamento de uma enorme insatisfação com o governo golpista de Temer, anteriormente já constatada nas manifestações contra o golpe. Esta semana foi aprovado o texto base da PEC 241 na Câmara dos Deputados, e a juventude em luta contra a Reforma da Educação viu ainda mais motivos para seguir lutando contra a retirada de direitos que a PEC vai impor. São batalhas necessárias para barrar os ataques da direita contra nossos direitos, como saúde e educação de qualidade.

Fernanda Peluci

São Paulo

quarta-feira 12 de outubro| Edição do dia

Desde que entrou em pauta a discussão da Reforma na Educação e a PEC 241 pudemos ver o aprofundamento de uma enorme insatisfação com o governo golpista de Temer, anteriormente já constatada nas manifestações contra o golpe. Esta semana foi aprovado o texto base da PEC 241 na Câmara dos Deputados, e a juventude em luta contra a Reforma da Educação viu ainda mais motivos para seguir lutando contra a retirada de direitos que a PEC vai impor. São batalhas necessárias para barrar os ataques da direita contra nossos direitos, como saúde e educação de qualidade.

Mas e o PT nisso tudo?

A CUT, presente em todos os ramos de atividade econômica do país, é hoje a maior central sindical da América Latina, sendo a 5ª maior do mundo. Possui 7,847 milhões de trabalhadores associados, representando 23,981 milhões de trabalhadores na sua base. Em índice publicado em 2012 só a CUT representava mais de 46% dos trabalhadores do Brasil. Já a UNE diz representar 6 milhões de universitários em todo o país.

A enorme influência que o PT (ainda) mantém no país pela via dos movimentos sociais, dirigindo a CUT e CTB no caso das centrais sindicais dos trabalhadores, e a UNE e UJS no caso das milhares de entidades estudantis que estão, em meio a aprovação na Câmara da PEC 241 pelos políticos milionários, privilegiados, absolutamente corruptos, e que em nada serão afetados pelos ajustes do governo Temer, para aparentar oposição à este governo tais entidades fazem somente "ações midiáticas", como a ocupação do escritório da Presidência da República, em SP, na última segunda-feira , sem absolutamente nenhuma articulação pela base dos estudantes, sem sequer um chamado de uma mobilização nacional, descolada de toda a base dos locais de trabalho e de estudo.
Uma medida midiática, burocrática e inofensiva, que não avança nenhuma luta, pois nas estruturas em que estão são silenciosos, calam a boca dos setores de base e não organizam assembleias para que a maioria decida quais seriam os melhores métodos de luta.

Realizam ações como estas mantendo a estratégia de Lula, que é, desde antes do impeachment de Dilma, manter uma "posição responsável e pacífica sem incendiar o país" . Este tipo de aparição midiática e por fora de discussão orgânica com a juventude que a UNE faz é absolutamente ineficaz e inofensiva para enfrentar a direita. É parte de construir uma alternativa dos trabalhadores e da juventude à esquerda do PT combater este tipo de método burocrático que não avança em nada a luta dos trabalhadores e da juventude contra o governo golpista e seus ataques, pois ações isoladas como esta para nada servem de fortalecimento e melhores armas para lutar contra este governo ilegítimo. Somente serve para aparecer na mídia para tentar enganar a população aparentando que estão "fazendo alguma coisa" e "na luta".

A exemplo de sua paralisia, ações burocráticas, e midiáticas temos sua atuação nos dias 22 e 29, dividindo as categorias de servidores públicos e metalúrgicos, ambos severamente atacados pelas medidas ajustadoras do governo Temer, e ainda sim reivindicavam que tal seria uma preparação para greve geral. Como poderia ser se nem mesmo unificaram as categorias, algumas em luta como bancários dirigidos pela própria CUT que estavam em greve naquele momento, e professores que sofrem com os cortes na educação e as medidas de ataque à escola pública.No caso dos metalúrgicos que saíram parcialmente dia 29, lhes foi reservado apenas no período da manhã e com a participação de apenas algumas fábricas, ou seja, o grosso dos trabalhadores que reivindicam nesse momento a permanência em seus postos de trabalho, estiveram de fora da paralisação, e nem mesmo foram puderam expressar suas ideias em assembleias de base que de fato nunca acontecem. Ou seja, a CUT e CTB representam claramente que se colocam como freios para o avanço de uma luta unificada e necessária da classe trabalhadora.

CUT, UNE, CTB seguem até hoje discursando "contra os ajustes", mas seguem não travando uma luta consequente contra a situação política colocada onde querem fazer com que os trabalhadores e a juventude paguem por uma crise que não é sua, menos ainda buscando organizar a classe trabalhadora e a juventude para luta com seus próprios métodos como assembleias democráticas de base, greves, piquetes, manifestações, levantando um verdadeiro plano de lutas que barre os ajustes e as demissões. Torna-se necessário e urgente exigir que estas organizações estudantis dirigidas pelo PT, assim como as centrais sindicais CUT e CTB, rompam com suas paralisia e cumplicidade tidas até agora com o golpe institucional e convoquem assembleias de base para que se discuta pela população os meios mais democráticos de como fortalecer a luta para combater estes ataques, como a PEC 241, para assim sermos vitoriosos contra o governo golpista de Temer.




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