Política

ELEIÇÕES 2018

PT de Minas Gerais quer Dilma candidata a senadora pelo estado em 2018

O PT de Minas Gerais está tentando agendar uma reunião com a ex-presidente ainda na semana que vem. Caso aceite, Dilma precisará trocar o domicílio eleitoral de Porto Alegre para algum lugar de Minas Gerais.

Iaci Maria

Belo Horizonte

terça-feira 19 de setembro| Edição do dia

Segundo o jornal Estado de Minas, Dilma já foi oficialmente procurada pelo PT mineiro para discutir essa proposta e a presidente do PT no estado, Cida de Jesus, declarou que a ex-presidente Dilma tem boa pontuação para concorrer ao cargo.

“Pedimos uma reunião com ela para tratar das eleições em Minas Gerais, estamos aguardando a marcação. Nossa expectativa é de que seja na semana que vem”, disse Cida de Jesus. Para concorrer, no entanto, Dilma precisa mudar o domicílio eleitoral para o estado de MG. De acordo com calendário eleitoral o prazo vai até o dia 2 de outubro, um ano antes da eleição.

Dilma já havia dito que pretende continuar exercendo atividade política. “Não serei candidata a presidente da República (...) Agora, atividade política, nunca vou deixar de fazer (...) Não afasto a possibilidade de me candidatar para esse tipo de cargo: senadora, deputada, esses cargos”, declarou à AFP em fevereiro.

Em 2018 os mineiros deverão escolher 2 dos 3 senadores que cada estado pode eleger, já que chega ao fim o mandato de Aécio Neves (PSDB) e de seu parceiro de todas as horas Zezé Perrella (PMDB). Antônio Anastasia (PSDB), eleito em 2014, continua no cargo até 2023, segundo o absurdo mandato de 8 anos dos senadores. Assim, a atual composição parlamentar de Minas no Senado é de 100% de base golpista de Temer.

Seria essa proposta do PT mineiro a mostra de que não possuem no estado nenhum nome forte que seja capaz de desbancar Aécio e Perrella? Sem dúvidas é uma tentativa de angariar mais cadeiras no senado e garantir ao menos uma vindo de Minas Gerais, já que atualmente o PT tem o governo do estado, mas nenhum senador. Para isso, buscam fazer uma re-make da disputa Dilma x Aécio de 2014, na versão "cargos mineiros ao Senado Federal", que seria uma proposta que já "mataria dois coelhos em uma cajadada só", já que se conseguem o mesmo resultado de 2014, garantem uma cadeira para o PT e ainda tiram Aécio de jogada.

Porém essa possível tática eleitoral do PT não esconde a derrota estratégica de seu projeto de aliança com a direita, que abriu espaço para os golpistas instalarem um governo que quer impor grandes derrotas aos trabalhadores. Essa estratégia também resultou em novas derrotas eleitorais para o PT, como nas últimas eleições municipais de 2016. Os petistas mineiros olham para 2014 para esconder o fracasso de 2016? Ao fazer isso seguem com a estratégia de imprimir traições aos trabalhadores, uma vez que subordinam as greves e dias de paralisações a seus acordos eleitorais. Priorizando as alianças que permitam fortalecer um pouco um PT que enfrenta derrotas importantes devido sua estratégia de conciliação.

Cabe lembrar também que é de terras mineiras o setor petista que defende que o vice-presidente da golpista FIESP do pato amarelo seja vice na potencial candidatura de Lula à presidência em 2018.

Assim o PT mostra que seus movimentos são todos calculados pensando as eleições de 2018 e quais manobras precisam ser feitas o quanto antes para conseguir mais cargos parlamentares possível. E fazem isso subordinando a luta dos trabalhadores a seus interesses partidários como parte da casta política que se aliou a empresários e liderou grandes esquemas de corrupção no país, não muito diferente de qualquer partido da nata das classes dominantes retrógradas de nosso país.

Para realmente barrar as reformas, é preciso retomar os sindicatos para tomar nas mãos dos trabalhadores os rumos da luta contra os ataques que vem sendo aprovados enquanto partidos como o PT usam a mobilização dos trabalhadores e sua posição no congresso apenas de palanque para promover suas figuras.

Saiba mais: Centrais fazem acordo com FIESP e já esqueceram das reformas: devemos retomar os sindicatos




Tópicos relacionados

Eleições 2018   /    São Paulo (capital)   /    Política

Comentários

Comentar