Opinião

POLÊMICA

PSTU tenta dar aula de parlamentarismo revolucionário pra FIT, não é piada

Daphnae Helena

Metroviária e economista

quarta-feira 25 de outubro| Edição do dia

O PSTU, que há anos vem se assumindo como uma seita sindical que cada vez mais abre mão de disputar politicamente os trabalhadores e, como parte disso, ganhar posições revolucionárias no parlamento burguês - forçados pelo fracasso eleitoral que vem se reiterando a cada eleição, com candidaturas que em sua somatória tem menos votos que o MRT - se esforçou para, depois do triunfo da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores na Argentina (FIT pela sigla em espanhol) fazer um texto sobre as eleições neste país. O leitor poderá se perguntar qual o teor deste texto, se estaria informando aos leitores brasileiros a enorme vitória de uma força anticapitalista e revolucionária na Argentina, que comparativamente com nosso país teve o equivalente a 6 milhões de votos a nível nacional.

Não. O que tem destaque no site do PSTU é uma denúncia de que a FIT e os partidos que a compõe estariam capitulando ao jogo da patronal e do governo. No texto, tentam ensinar o que é o "Congresso Burguês" justo eles (!!!), que fizeram coro com o Congresso Burguês brasileiro no ano passado que votou o golpe institucional, e que ficam tontos até hoje sem saber se gritam "fora todos" ou "voltem todos" com as eleições gerais.

Enquanto isso os "adaptados" do PTS foram os únicos parlamentares no mundo inteiro com exceção do Brasil que denunciou na figura de Myriam Bregman dentro do Congresso o golpe institucional que hoje tem suas consequências dramáticas contra os trabalhadores.

A verdade é que o PSTU, cada vez mais marginalizado com sua política ora golpista, ora de adaptação a burocracia sindical - como foi durante todo o ano ao se negar a fazer qualquer tipo de crítica em especial a Força Sindical - para sobreviver como uma seita precisa falar barbaridades sobre a única voz de independência de classe que existe no parlamento argentino, e que tem no PTS reconhecidamente a esquerda "que está onde tem que estar": nas lutas. Não é a toa que para fazer algum sentido o lunático artigo de polêmica que escreveram o PSTU "esqueceu" de falar da luta da PepsiCo. São tão irrelevantes na Argentina que sequer ficaram sabendo que os operários da PepsiCo se enfrentaram com a polícia, barraram a reforma trabalhista, conquistaram projeção nacional e colocaram de pé um acampamento de resistência na frente do Congresso Nacional? Sabem que Nicolás Del Caño teve 9 balas de borracha no corpo quando estava na luta junto aos trabalhadores de Lear e que obrigou todos os blocos do parlamento a rechaçar a repressão? Esse tipo de prática que fez termos uma votação expressiva não somente no centro do país, na província de Buenos Aires, mas também 18% em Jujuy com um gari indígena e 12% em Mendoza,.

Os argumentos que usam sobre os projetos de leis são ainda mais desastrosos: falam sobre a votação do 2x1 na Argentina - que o PTS votou contrário - e sobre a votação em relação a De Vido, onde o PTS vota contra as medidas bonapartistas do judiciário e combatendo a direita. Neste último caso não espanta: o PSTU sempre adora fazer coro com a direita custe o que custar.




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