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PSTU: justificando a vergonhosa unidade com o agronegócio e a patronal dos transportes

domingo 3 de junho| Edição do dia

Tentando justificar por que se envolveram em mais uma espécie de “unidade de ação” com setores burgueses (ver aqui), prática já corriqueira, e talvez devêssemos dizer predileta, para a LIT/PSTU, se afastam cada vez mais do marxismo na sua rebelião conjunta com bolsonaristas, as patronais do transporte e do agronegócio, com quem o PSTU compartilha o apoio ao golpe institucional.

“É certo que os setores burgueses altos e médios alentaram o conflito e tentaram tirar proveito dele, porém a base da paralisação e dos cortes de estradas foram claramente os autônomos”. A LIT nem se preocupa mais, ao que parece, em refletir sobre o que escrevem. Essa definição já seria suficiente para ver que em nada interessa aos trabalhadores o apoio a tal movimento. A patronal dos transportes e setores do agronegócio conseguiu tirar proveito não só dos caminhoneiros autônomos (cujos líderes são filiados ao PSDB, PSC, PSL e outras siglas da direita), mas da própria esquerda golpista que como a LIT/PSTU se jogaram de forma entusiasmada nesse movimento cujo resultado político foi o fortalecimento da candidatura de Bolsonaro e, economicamente, no acordo com Temer, foi que a população pagasse com impostos a redução do diesel para os patrões. Mais aperto orçamentário e novos impostos para financiar o lucro dos empresários, enquanto a gasolina e o gás de cozinha continuam subindo, foi o resultado a que chegou o protesto dos caminhoneiros. Mas nada disso retira do PSTU o direito de justificar seu papel de quinta roda do caminhão do agronegócio em parceria com Temer, já que a independência de classe chegou aqui no grau zero.

Para a LIT, a distinção entre uma greve operária e um locaute patronal virou um problema semântico. “O MRT e outras organizações têm insistido muito que a mobilização dos caminhoneiros é um ’locaute patronal’ e não uma ’greve’. Para analisar esse debate ’semântico’ (embora com consequências políticas), é necessário analisar socialmente os proprietários de caminhões”. Que os lideres dos autônomos sejam reacionários e ligados a partidos burgueses ou defendam a intervenção militar não importa. Que as patronais alentem o conflito e determinem suas demandas em função dos seus interesses também não importa. São problemas semânticos (com possíveis implicações políticas que a LIT prefere nem comentar)...

Manter "socialista e dos trabalhadores" no nome virou um problema semântico para o PSTU, já que não se importam de estar lado a lado com Bolsonaro e as patronais do transporte e setores do agronegócio.

É só a traição do petismo a greve geral em 2017, seu papel de pilar da estabilidade burguesa e do governo golpista de Temer, seu medo de que a luta de classes possa afastar seus aliados burgueses no pleito de outubro de 2018, que podem explicar como um movimento reacionário conseguiu tamanho apoio popular. Sem perceber, ao apoiar um movimento reacionário e se negar a ver as oscilações às vezes bruscas à direita e à esquerda na situação nacional desde o golpe, tiram a responsabilidade das traições do PT em abrir caminho pra direita. Assim, o PSTU não contente em ser a quinta roda do protesto patronal, acaba fazendo uma das melhores defesas do próprio PT.

O PSTU uma vez mais cai no ridículo de tentar vincular-nos ao petismo. Sermos uma corrente que não se alinha nem com o imperialismo, nem com a patronal, nem com o petismo é um atributo que não pode ser concedido ao PSTU, que decidiu ser definitivamente o porta-voz da direita pró-imperialista no interior da esquerda.

O que o PSTU mostrou com essa "resposta" à nossa polêmica é o desespero, agora na defensiva, "reconhecendo" envergonhadamente os claros fatores reacionários que hegemonizaram uma vez mais o movimento do qual fizeram parte de forma entusiasta. Mas isso não é novidade para o PSTU: estão habituados a jogar no lixo a independência de classe: é só mais um alinhamento com a direita reacionária e seus "movimentos anti-governo", como foi no golpe institucional de 2016, no Egito, na Venezuela, na Ucrânia e uma longa lista de capitulações dessa corrente.




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