Política

QUINTA COLUNA DO GOLPISMO

PSTU: junto a Moro e a direita comemorando prisão de Lula “contra a impunidade”

Fernando Pardal

@fepardal

sexta-feira 6 de abril| Edição do dia

Quando parece que a posição escandalosamente golpista do PSTU não pode se aprofundar ainda mais, eles voltam a demonstrar que já estão completamente alheios a qualquer tipo de critério marxista em sua análise da realidade.

Dessa vez, frente à continuidade do golpe com a condenação de Lula e a ordem de prisão emitida por Sergio Moro, o PSTU bate palmas e manifesta sua aprovação. Nisso, são acompanhados também por outros grupos como a CST (corrente interna do PSOL), que brilham por seu cretinismo golpista.

Em uma nota divulgada em seu site, afirmam que "Não se pode aceitar o argumento do PT, que defende impunidade para Lula acusando a justiça de seletiva", e dizem que Lula "acabou na mesma lama que eles", referindo-se a seus aliados da direita golpista de ontem, que hoje são parte da ofensiva contra Lula ao lado de Sergio Moro. Diga-se de passagem, sem o tópico "O Brasil precisa de uma revolução", no qual agita de forma absolutamente abstrata as suas palavras de ordem em defesa do socialismo, esse texto poderia ser assinado pelo próprio Sérgio Moro ou algum ministro do STF.

A confiança do PSTU no judiciário golpista é tão forte que agora aguardam apenas a "prisão de todos eles", naturalizando o autoritarismo judiciário, cujos métodos liberais reacionários e anti-operários seguem sendo para o PSTU a melhor maneira para acertar as contas com o PT. Existe cretinismo institucional maior que esse?

Frente ao fato de que 11 ministros do STF decidiram em quem milhões de trabalhadores poderão ou não votar, o PSTU só aguarda que a Lava Jato "leve até o final" seu serviço, deixando nas mãos da burocracia sindical da CUT e do PT a defesa democrática do direito de voto. Faz um ótimo serviço para encobrir a estratégia de conciliação de classes do PT.

Mas o PSTU, não contente em continuar negando a existência de um golpe encobrindo sua capitulação a esse ataque histórico com seu palavreado "vermelho", decidiu agora fazer coro com a direita e, até mesmo utilizando seus jargões de "a justiça deve ser feita para todos", como na nota da CSP-Conlutas, agora passou a ser um entusiasta da prisão de Lula e de que esse judiciário corrupto e privilegiado decida em quem o povo pode ou não votar.

Sem sequer conseguir ser coerente com o que fala, o PSTU afirma ao mesmo tempo seu entusiasmo com o judiciário de Moro e do STF, e diz também que "Não temos nenhuma confiança no STF ou na imparcialidade da justiça burguesa". Em sua imaginação, então, talvez seja a classe trabalhadora que está prendendo Lula (?). Ou talvez eles achem que é necessário "disputar" o judiciário, já que dizem que "a saída é exigir a prisão dos demais corruptos".

Exigir de quem, PSTU? De Moro? De Gilmar Mendes? Carmen Lúcia? Sem saber a quem exigir, mas ainda assim exigindo, o PSTU segue aplaudindo o autoritarismo do judiciário e dizendo que "não tem confiança" nele. Mais uma vez, o sujeito histórico para o PSTU é a Lava Jato e o judiciário golpista, e não a classe trabalhadora organizada.

Mais absurdamente, o PSTU justifica a arbitrariedade da prisão de Lula com o argumento de que essas arbitrariedades são regra no Estado e no judiciário, com 290 mil presos que nunca tiveram acesso a nenhum julgamento. Nesse raciocínio "muito profundo", prender Lula sem provas não é uma forma de fortalecer esse Estado e esse judiciário contra o povo negro e pobre. De alguma forma inexplicável, acreditam que, com a condenação ilegal e arbitrária de Lula, estamos um passo mais próximos de acabar com o encaramento em massa, a violência policial, a arbitrariedade judiciária desse Estado.

Como será isso, se eles mesmos admitem que "Tudo isso foi e continua sendo feito de maneira mais intensa pelo governo corrupto do Temer"? Ou seja, que depois do golpe todos os abusos e mecanismos de repressão aos trabalhadores, ao povo negro, aos pobres e à esquerda só se intensificaram. É a mesma lógica de sua posição antes do julgamento do TRF4, quando o PSTU se ajoelhou diante do Estado e nos tranquilizou, dizendo, “não há nada que o Judiciário e a Polícia já não tenham experimentado e utilizado contra a classe trabalhadora”.

Mas espere: depois de sua "exigência" de fim da impunidade, o PSTU tem outra resposta a nos dar. "Não será essa justiça dos ricos que vai acabar com a impunidade. (...) Esses juízes não farão justiça. Essa justiça está, e sempre esteve, a serviço dos banqueiros e grandes empresários." Uma confusão digna de quem foi a quinta roda do golpe institucional. A justiça está a serviço dos banqueiros e grandes empresários... menos quando prende Lula! Aí está a serviço dos trabalhadores!

Qualquer luta séria contra a direita, os golpistas e a burguesia, passa por enfrentar, com os métodos operários, os ataques desse judiciário e desse Estado. Para o ceticismo do PSTU, o melhor segue sendo escorar-se nos expedientes de prisão de Moro e do STF.




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