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POLÊMICA

PSTU impede a participação do Sindicato dos Metroviários nos atos contra o aumento da passagem

Em reunião da diretoria do sindicato, setor majoritário composto pelo PSTU defendeu e aprovou proposta de não participar mais dos atos e atividades convocados pelo MPL contra o aumento. Segue abaixo nota da agrupação Metroviários pela Base, composta pelo MRT e por ativistas independentes, contra essa decisão.

quinta-feira 4 de fevereiro de 2016| Edição do dia

Alterado em 12/12/2016

Metroviários Pela Base

Foi lançado hoje, 2, o Bilhete do Sindicato 524 que informa que o Sindicato dos Metroviários decidiu por não participar mais dos atos e das atividades convocadas pelo Movimento Passe Livre (MPL) contra o aumento da tarifa dos transportes públicos, isolando a categoria metroviária das lutas da Juventude sem debate prévio em assembleia ou outro fórum deliberativo de nossa categoria. Essa grave decisão sobre um tema tão importante e delicado foi tomada em uma reunião de diretoria, espaço inadequado para uma decisão que pode ter repercussões gigantescas na nossa relação com as lutas sociais.

Segundo informes de ativistas da própria direção, havia poucos diretores presentes, sendo a maioria do PSTU, corrente majoritária do Sindicato - o que denuncia o caráter enviesado dessa decisão. A postura do PSTU em abandonar a luta contra o aumento afasta a categoria do MPL e do polo de defesa dos interesses populares que se formou ao seu redor - polo com diversas debilidades e erros, mas ainda assim o mais dinâmico nas lutas populares desde Junho de 2013. O custo dessa decisão será grande, pois a maioria da população, apesar de opor-se aos métodos isolados e anti-democráticos do MPL, é simpática à luta contra o aumento que corrói seu salário e passou a desconfiar ainda mais dos metroviários pelas funções que a chefia vem impondo, como fechar as estações em dias de ato e colocar trabalhadores para embater-se fisicamente com manifestantes. Essa decisão de retirar-se dos atos apenas reforçará os receios dos manifestantes e da população, que crescentemente têm enxergado nos metroviários uma força a serviço do Alckmin, do Haddad e da repressão social.

Essa decisão também reforçará nosso isolamento e dificultará alianças com outras categorias e setores sociais mesmo em lutas que nos afetam diretamente, como o combate à privatização da Linha 5-Lilás - que necessariamente precisa tornar-se uma luta popular, com todo atuação em conjunto de toda a classe trabalhadora e da Juventude para ser vitoriosa. Trata-se também de um retrocesso significativo na própria gestão que a Chapa 2 vinha implementando, colocando o Sindicato dos Metroviários como um sindicato combativo, integrado às lutas sociais, ainda que de forma mais distante do que nós, do MpB, achamos necessário. Com essa decisão, diminui-se o bom exemplo que os metroviários representavam para os trabalhadores de todo o país, enfraquecendo ainda mais a luta dos trabalhadores como um todo.

Na nota lançada o Sindicato "reafirma o apoio à luta contra o aumento das tarifas de Haddad e Alckmin" mas para esse apoio ser verdadeiro é necessário que o Sindicato busque contagiar os metroviários com a luta dos jovens, batalhando para construir uma sólida aliança entre estudantes e trabalhadores. Para isso o sindicato deveria fazer o oposto do que faz agora e ir as bases com uma forte campanha contra o aumento, conscientizando a categoria da sua importância nessa luta e também mostrando que é através da aliança operária-estudantil que poderemos combater os métodos anti-operários e autoritários que parte dos manifestantes vem adotando sob a tutela do MPL, organização que já provou que não pode continuar sendo referência para a organização da juventude.

O PSTU, responsável pela aprovação da proposta, aparenta saber de todas essas contradições, tanto que não quis correr o risco de ter que explicar-se para setores mais amplos da categoria pois houve uma assembleia na quinta passada, 28 de janeiro, e nenhum diretor ou ativista do PSTU fez essa proposta, preferindo decidir isso em reunião de diretoria, que nem mesmo contava com integrantes de todas as outras correntes que integram a diretoria do Sindicato. Agora, resta a dúvida de qual será o posicionamento da ANEL e da juventude do PSTU sobre essa decisão, uma vez que ambos vinham participando regularmente dos atos, defendendo e construindo a luta contra o aumento.

Quem comemora essa decisão é a União Metroviária, setor corporativista e reacionário que vem organizando-se e tinha como uma das principais bandeiras o fim do apoio do Sindicato à luta contra o aumento, dentro dessa lógica corporativista que defende a abstenção da categoria metroviária em lutas sociais que não lhe afete diretamente, inclusive se colocando diretamente contra algumas lutas, como no caso da luta contra o aumento onde defendem abertamente a repressão aos manifestantes.

Esse grupo busca apoiar-se em um compreensível medo da categoria frente à radicalização dos protestos e à chance de enfrentamento com manifestantes, possibilidade que é potencializada pela recusa do Metrô em liberar as catracas na dispersão dos atos. Com a recente decisão do Sindicato, as ideias retrogradas desse grupo passam a encontrar um novo respaldo na categoria, uma vez que a diretoria, de iniciativa própria, os atendeu mesmo sem que eles tivessem feito representar-se em uma assembleia, cedendo de antemão aos interesses corporativistas desse grupo.

Nós, do MpB, não somos inocentes e sabemos que o repúdio ao MPL encontra respaldo na categoria e pode inclusive ser aprovado em uma assembleia. Ainda assim, defendemos que essa decisão seja tomada no fórum mais legitimo da categoria, que a assembleia geral, na qual a discussão pode ser feita às claras, com todas as posições políticas sendo representadas e debatendo entre si, proporcionando uma decisão consciente da categoria e não uma discussão enviesada e sem aprofundamento que vem acontecendo, muito por culpa da direção do Sindicato, cuja tônica do debate está em "Metroviários versus Manifestantes", discussão que não levará a lugar algum.

ERRATA: Na primeira versão, afirmamos que a reunião foi trocada de horário de última hora, fato que foi questionado pelos diretores do PSTU, que mostraram documentos afirmando que a reunião já havia sido previamente marcada nesse horário. Alteramos por hacer conflito de versões mas isso em nada muda nossa análise e nossas críticas acerca da decisão de não participar mais dos atos contra a tarifa.




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