Política

ELEIÇÕES SOROCABA

PSOL e DEM disputam a prefeitura de Sorocaba neste segundo turno

Um pouco sobre a trajetória das eleições em Sorocaba, onde os olhares da esquerda se voltam para a disputa entre PSOL e DEM.

Tatiane Lopes

Unicamp, Campinas

domingo 30 de outubro| Edição do dia

Os 458.336 eleitores sorocabanos voltam às urnas hoje para decidir em segundo turno quem será o novo prefeito da cidade. Depois de 20 anos de governo do PSDB, os sorocabanos decidem entre José Crespo, do Democratas (DEM) e Raul Marcelo, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

Os candidatos José Crespo e Raul Marcelo receberam, no primeiro turno, 133.767 votos (45,18%) e 74.001 (25%), respectivamente. Neste segundo turno os 144 locais de votação estão sediando as 1.299 seções eleitorais do município estão abertos desde as 8h e vão até às 17h. Segundo previsão da justiça eleitoral, no máximo até às 20h os sorocabanos já terão os resultados da eleição.

A última pesquisa eleitoral divulgada na noite de ontem (29) aponta José Crespo (DEM) com 56% dos votos válidos, diante de 44% dos votos válidos para Raul Marcelo (PSOL). A pesquisa feita pelo Ibope foi encomendada pela TV Tem, afiliada da Rede Globo na região e foram escutados 602 eleitores nos dias 28 e 29 em Sorocaba. A pesquisa também mostra os 10% de nulos, mais 4% que não souberam opinar.

Na pesquisa anterior, Crespo tinha 52% e Raul Marcelo 48%. A divulgação de pesquisa para votos válidos é igual procedimento usado pela Justiça Eleitoral na hora de divulgar o resultado oficial da eleição.

José Crespo, atualmente filiado ao DEM, mas que também já concorreu a cargos políticos pelo PPR e PFL, um legitimo herdeiro político da ditadura, concorre hoje a prefeitura de Sorocaba pela quinta vez, tendo perdido todas as vezes para candidatos do PSDB, os quais, um deles, hoje do PMDB, se destaca em apoio a sua candidatura, Renato Amary, um magnata da construção civil da cidade que sendo um dos principais empresário de São Paulo, em 2002, teve divulgado que seu patrimônio pessoal acumulava cerca de 60 milhões de reais, mas à Justiça Eleitoral, Amary declarou R$1 milhão em 2006 e 200 mil reais em 2012.

Crespo, que atuou na câmara municipal como vereador de Sorocaba contra a liberdade de ensino e debate de gênero e sexualidade nas escolas e chegou a dar declarações absurdamente homofóbicas nas redes sociais como “os GLBTTTT, como se autodenominam, merecem ser respeitados e gozar de todos os direitos civis, mas são pessoas anormais (divergem dos padrões cristão de normalidade) e, num país cristão como o Brasil, não deve ditar as regras de comportamento social”, é também figura importante da engrenagem golpista da região, atualmente aliado a mais de treze partidos, alguns como PMDB, PP e PSD. O democrata e a direita mais conservadora do país vem fazendo uma campa cheia de calúnias, com o apoio de Bolsonaro, que chegam a dizer que o PSOL quer ensinar sexo para as crianças serem homossexuais nas escolas. Essas calúnias são nacionais, também contra Freixo no Rio de Janeiro e Edmilson em Belém.

Raul Marcelo do PSOL saiu sozinho nessas eleições e mesmo com a verdadeira censura eleitoral contra a esquerda conseguiu ir ao segundo turno, onde tem tempo de TV igual ao adversário e vem fazendo uma campanha para agradar a todos, como se isso fosse realmente possível, ou servisse para a esquerda tirar as lições dos anos de conciliação do PT com a direita e empresários que pavimentou o caminho do golpe que vivemos. Se Raul Marcelo dedicasse mais do seu tempo político para denunciar os ataques do governo golpista que tem um representante direto em seu próprio adversário, chamar a mobilização dos trabalhadores e jovens para barrar a PEC do congelamento de gastos, a Reforma da Previdência, Trabalhista e os ataques do judiciário, como os secundaristas vêm dando exemplo lutando e ocupando as escolas, e menos para mostrar sua família nuclear e agradecer a Deus por sua carreira política, certamente estaríamos diante de uma grande chance da esquerda tirar lições e dar exemplos em Sorocaba, mas não é o caso. A trajetória e decadência do PT exigem da esquerda a superação desses métodos de adaptação para governar, os rumos do PSOL dependem muitos dos resultados dessas eleições municipais.




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