Política

PSDB reforça atritos com governo Temer visando eleições

terça-feira 16 de agosto| Edição do dia

Com o Impeachment de Dilma encaminhado para ser confirmado nos trâmites legais no final do mês, o PSDB vê oportunidade de limpar seu caminho para garantir que chegará forte em para as eleições de 2018 e já assume a postura esperada de criticas ao governo Temer, de quem foi base forte e entusiasta da aplicação do golpe institucional. Tal postura de apoio já era indicada pelos tucanos desde o dia seguinte da confirmação do afastamento de Dilma.

Uma possível continuidade de Temer em 2018 sob a égide dos ajustes radicais é quase impossível do ponto de vista de que tal reeleição acirraria ainda mais a insatisfação povo que teria como perspectiva mais quatro anos perdendo direitos. Dessa forma, se Temer resolve se reeleger teria que fazê-lo mudando a postura de desgaste e impopularidade por ataques aos direitos dos trabalhadores que tem sido sua marca até agora e tem se esforçado para passar aos setores da burguesia a mensagem de que não é isso que procura e não pretende se reeleger. No que se refere ao presidente interino/golpista, a burguesia parece já ter desenhado o destino de Temer, neste caso, ser o agente principal dos ajustes fiscais.

A estratégia dos tucanos passa a ser a de desgastar o governo de Temer e, de quebra, uma de suas principais figuras, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Meirelles é ligado ao PSD de Kassab, Ministro de ciências, tecnologia e comunicações de Temer e é cotado por Gilberto Kassab para ser candidato pela legenda, o que o tornaria um possível adversário no pleito de 2018. Desgastar Meirelles é interessante para todos os setores do dividido PSDB, pra quem a não participação de Temer e de Meirelles significaria (para cada um de um jeito) maiores chances de hegemonizar a opinião pública na corrida eleitoral

Recentemente, a política econômica do governo interino foi criticada pelo Instituto Teotônio Vilela, famoso por dar a "linha teórica" de atuação do PSDB, segundo a carta escrita pelo instituto: "O que o governo fez até aqui, não foi o suficiente", já que apenas "fez anúncios" de suas medidas e que o governo temer ainda carece de "uma política vigorosa de controle dos gastos públicos".

Também ao seu estilo, o PSDB continuou a forçar o atrito com o governo por este não incluir na renegociação das dívidas dos estados o texto que consideram "desgastante, porém necessário" que impedia os estados de conceder reajustes salariais aos servidores pelos próximos 2 anos.

As intenções dos PSDBistas, pra além de cobrar mais ataques aos direitos trabalhistas e abrir ainda mais espaço para as privatizações conforme a agenda neoliberal tradicional deste partido, busca ainda eliminar possíveis adversários eleitorais para tentar surgir como única saída possível para hegemonizar uma situação de crise econômica e política. Fazem isso ainda contando com os caminhos que a operação Lava Jato continua a manipular nas alturas do judiciário e que parecem, cada vez mais, indicar o fortalecimento da legenda tucana.




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