Política

PSDB ABANDONA O BARCO DO GOLPISTA TEMER?

PSDB decide em votação se abandona governo Temer, Doria cancelou a agenda para comparecer

Com pelo menos 100 participantes na sede do diretório estadual do PSDB, uma reunião extrapolou a participação restrita a membros da executiva e vai votar entre vereadores, prefeitos e outras lideranças se apoia a permanência ou o desembarque da legenda tucana do governo Michel Temer (PMDB).

segunda-feira 5 de junho| Edição do dia

Antes da votação, lideranças tucanas estão usando a palavra para defender suas posições. O vereador Mario Covas Neto, presidente do PSDB da capital, e o deputado Barros Munhoz, líder do governo na Assembleia, seguiram a orientação do governador Geraldo Alckmin e defenderam permanência do PSDB no governo.

Já outros oradores disseram que não é possível continuar no governo diante das denúncias trazidas pelas delações dos donos da JBS. O prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando, classificou o encontro de Temer com o empresário Joesley Batista como um encontro "de um religioso com uma prostituta".

O fim do apoio a Temer também foi defendido pelo presidente da Assembleia Legislativa, Cauê Macris, um dos integrantes das chamadas "cabeças pretas" do PSDB, ala jovem do partido que pressiona pela saída da legenda no governo. "Eu defendo que o PSDB tenha uma postura independente e que vote aquilo que é bom para o País", declarou.

O deputado federal Miguel Haddad afirmou que o partido precisa ter "coerência" e não ser "oportunista", destacando que é preciso aguardar o julgamento da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Enquanto isso, o governador Geraldo Alckmin está reunido com o deputado Fernando Capez no Palácio dos Bandeirantes. Alckmin tenta conter um evento de apoio oficial dos paulistas pelo desembarque do governo.

O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), cancelou sua agenda noturna para ir ao encontro do PSDB estadual que decide se o diretório do partido no Estado de São Paulo vai apoiar a permanência ou o desembarque da legenda tucana do governo de Michel Temer (PMDB). O encontro está ocorrendo nesta noite na sede da executiva estadual e já conta com aproximadamente 200 pessoas, entre prefeitos, vereadores e outras lideranças. Mais cedo, Doria afirmou que a decisão não poderia ser tomada antes do julgamento da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), seguindo orientação do governador Geraldo Alckmin.

Antes de votarem sobre a deliberação, lideranças assumem o microfone para defender suas posições, que por enquanto estão divididas. Publicamente, os tucanos já reconhecem que a legenda está divida entre os "cabeças brancas", que defendem que o partido continue no governo e espere o julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE, e os chamados "cabeças pretas", ala jovem da legenda que pressiona pelo desembarque do PSDB no governo federal.

Entre os líderes tucanos, o vice-presidente jurídico da Executiva nacional da legenda, deputado federal Carlos Sampaio (PSDB-SP), que aderiu ao movimento "rebelde", defendeu que o PSDB não pode continuar em um governo que "está desacreditado" e que precisa desembarcar para continuar defendendo as reformas. Ele disse ainda acreditar que não há "chance nenhuma" de o TSE cassar a chapa ou de Temer renunciar. Para o deputado, Temer está mais esforçado neste momento a manter-se no cargo do que seguir adiante com as reformas.

O discurso dele motivou algumas lideranças a tomar posição. O prefeito de São Caetano, José Auricchio Júnior, disse que veio para a reunião em dúvida mas que a fala de Sampaio o convenceu.

"Divergência pontual"

O presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Cauê Macris (PSDB), que defendeu o desembarque do PSDB do governo, afirmou a jornalistas que o posicionamento dos "cabeças pretas" causa uma "divergência pontual" com o governador Geraldo Alckmin, mas que respeita o posicionamento de Alckmin por causa de sua "serenidade" e "coerência".

O que está claro é que o PSDB procura qual o melhor caminho para, em meio à crise política que atinge Temer, seguir com a agenda de ataques contra os trabalhadores. Nós temos que utilizar essa divisão entre os "de cima" para melhor preparar com toda a força construindo nossos comitês de base, para golpear com força no dia 30 de junho, quando está marcada a nova greve geral.




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