Política

GOVERNO TEMER

PSB votará contra Temer, PR e PSD vacilam. Temer e seus elos débeis frente ao gigante

O PSB anunciou que votará contra as reformas trabalhista e da previdência. Seu ministro de Minas e Energia colocou o cargo à disposição de Temer. O PSB tem 35 deputados. Crescem dúvidas sobre os rumos de PR e PSD dois outros "elos débeis" de Temer no Congresso, em meio à crescente insatisfação e vontade de lutar contra suas medidas, como deve se expressar na paralisação deste 28 de Abril, que promete ser uma das maiores ações operárias do país em décadas.

Leandro Lanfredi

São Paulo | @leandrolanfrdi

terça-feira 25 de abril de 2017| Edição do dia

A agenda de ataques de Temer, muito mais profundos do que aqueles que Dilma e Lula haviam continuado de FHC, pode estar despertando um gigante que vinha adormecido. Adormecido em boa parte pela ação das centrais sindicais e de Lula para que os trabalhadores não lutassem. Temer, Aécio, a FIESP e as redações dos grandes jornais todos entenderam que era momento de aproveitar a desmoralização nas fileiras petistas produto do golpe institucional, ao qual Lula chamou a não resistir ativamente pois não haveria "que incendiar o país", para retirar direitos dos trabalhadores. A medida tem despertado vontade de lutar e provocado as inamovíveis centrais das mais pelegas às mais burocráticas a agirem, como no dia 15 de março e agora no dia 28, mesmo que com grande trégua.

O posicionamento do PSB, com base eleitoral mais forte no nordeste, onde a rejeição às reformas de Temer é maior, e onde as intenções de votação em Lula também, é um indício de como políticos a soldo de empreiteiras, e suas próprias carreiras e ambições devem levar em consideração o que está se movimentando entre os trabalhadores. Seus cálculos também estão motivados por suas tentativas de reeleição como deputados e senadores em 2018. Ao mesmo tempo, o que prima no PSB são as negociatas deste regime político podre, como por exemplo quando o Senador Romário negociou seu voto no impeachment de Dilma em troca de poder indicar o diretor da estatal Furnas.

A mesma preocupação perpassa o PSD. Partido do ministro Kassab, criado do ventre do DEM para ser um setor fisiologista de direita dentro da base lulista, é quase um arquétipo de oportunismo em forma de partido. De dar inveja ao PMDB de Temer, Renan e companhia. Mas como bons apostadores, que sempre escolhem o cavalo vencedor, também estão em dúvida como votarão, e na dúvida, enquanto não conseguem mais cargos para aplacar suas sedentas gargantas, pedem para Temer adiar a votação da reforma da previdência em ao menos 30 dias. O PSD tem 37 deputados.

Outra preocupação de Temer e de todos ávidos pela retirada de nossos direitos é o PR. Partido do ministro dos transportes, tem 39 deputados e 25 já se pronunciaram contrários à reforma da previdência. O partido ainda não fechou posição, tal como o PSD de Kassab. Temer tem investido diariamente em cafés da manhã e almoço, promessas.

Frente a essas debilidades PMDB, PSDB e PPS têm se apressado em declarar à imprensa que podem fechar questão a favor, expulsando aqueles que votarem contra. Uma bravata, sobretudo em um PMDB notório por ser um consórcio de caciques que age cada um como quiser. As dificuldades que Temer está enfrentando com a reforma da previdência já fizeram o Estadão esconder em seu site seu levantamento do "Placar da Previdência" e levaram as bolsas de valores a operarem em queda.

As promessas de um PSB, deputados PSD ou PR votarem contra os ataques que querem Temer, a FIESP e até mesmo o primeiro-ministro espanhol, não podem nos inspirar certeza. A ação da classe trabalhadora e o medo de sua expressão distorcida em futuras eleições é o que está assustando os deputados. A derrota desses ataques só pode se dar pela ação da classe trabalhadora e não pela confiança de como Kassab, Renan e etc votarão. Nossa resposta começa no 28, e precisa crescer à preparação de uma greve geral que derrube todos esses ataques e o governo golpista de Temer, abrindo caminho a um questionamento profundo a todo esse regime de corrupção e medidas anti-operárias, como poderia-se fazer impondo uma nova Constituinte livre e soberana.




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